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“Controvérsias e Verborragia”, o incrível disco de Pow Pents

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Capa do lançamento – Arte de Rafael Potter.

“Aquilo que é seu será seu”. É uma pequena frase mítica, mas certeira em muitos casos. Um desses casos é “Controvérsias e Verborragia”, novo álbum do guitarrista e compositor Pow Pents.

Mas, qual o motivo dessa comparação? Na entrevista que você verá a seguir, Pow conta como trouxe para o disco participações incríveis, entre elas, Esmeria Bulgari (vocalista da atual formação dos Mutantes) e Ricardo Franja Carvalheira (Arrigo Barnabé, Joelho de Porco, Sá & Guarabyra e Titãs).

No entanto, em resumo, já digo que não há nenhum grande e milionário produtor por trás, apenas a sorte do acaso, ou posso dizer, o futuro manifestando o que já era de Pow.

Antes de você ir para o bate-papo, vale dizer que o álbum é composto por sete faixas 100& autorais e que, em duas delas, traz Pow Pents também como intérprete. Apesar dessa introdução, o disco é uma preciosidade em questão de letras, arranjos e criatividade. Portanto, introduzir essa entrevista com a frase mencionada é apenas um dos jeitos de encaminhar você, leitor, para o mundo incrível de Pow Pents.

Agora sim. Boa leitura!

Matheus Luzi – “Quem” eram as músicas compostas por você e o que elas se tornaram durante as gravações? Acho interessante esse ponto, levando em consideração o time de peso de músicos que fazem parte e também é uma questão oportuna para quem é curioso a respeito dos processos que a música passa.

Pow Pents – A forma que as músicas foram idealizadas foram executadas. Eu sempre componho a harmonia primeiro em cima de um ritmo, depois a melodia, arranjos e por último a letra. Quando está tudo bem pronto mentalmente eu gravo as guias e envio aos músicos. Após o envio fazemos um briefing para explicar cada detalhe de como deve soar. Justamente por isso é muito importante ter um time de músicos de altíssima qualidade, pois além de serem profissionais e respeitarem o compositor eles entendem rápido a ideia e executem com perfeição o que foi pensado.

Claro que sempre o resultado final fica um pouco diferente daquilo que foi escrito e idealizado, mas com essa galera tudo que ficou diferente do que pensei soou melhor. Mas no geral, a composição foi respeitada sem grandes alterações.    

Matheus Luzi – Sobre a banda que o acompanhou, incluindo duas participações inusitadas: Esmeria Bulgari e Ricardo Franja Carvalheira. A pergunta que fica: como isso tudo aconteceu?

Pow Pents – Desde 2014, após uma apresentação dos Mutantes aqui em Belo Horizonte, fiquei fascinado com o timbre vocal da Esméria Bulgari. A partir dali comecei a ouvir vários trabalhos dela com outros artistas e também os últimos discos dos Mutantes onde ela já estava como vocalista de frente. Quando comecei a compor o disco a primeira música feita foi “July canta mal”, uma odisseia humorística que precisava de uma bela voz feminina. Primeiro comecei a buscar cantoras aqui em Belo Horizonte, mas nenhuma me convenceu totalmente para este papel. Meus amigos ao ver minha frustração me perguntaram qual seria a vocalista dos sonhos. Em uma brincadeira eu respondi que a perfeita seria Esmeria Bulgari. A galera logo começou a colocar pilha para que eu enviasse uma mensagem pra ela pelo facebook e assim o fiz. Para minha imensa surpresa ela respondeu de imediato de forma muito cortês e assim a convidei para o projeto. Ela ouviu a demo, gostou e disse que topava participar. Depois da gravação concluída logo pesei que seria impossível ter outra voz neste projeto para as demais músicas e ela fez todos os vocais femininos do disco.

Sobre o Ricardo Franja foi assim: Quando já tínhamos duas músicas gravadas e consideradas prontas a Esmeria ouviu e disse que a mixagem e masterização poderia ficar muito melhor e ela me indicou o Senhor Franja.  Ele fez uma chamada via vídeo e ouviu a música na minha frente. Logo de cara ele se mostrou bastante impressionado com a música e disse que poderia pegar o projeto para mixar e masterizar. Foi um acontecimento quase magico, pois o Franja além de ser um dos maiores engenheiros de som do pais que trabalhou para Titãs, Gal Costa, entre outros tantos se mostrou muito disposto a fazer o trabalho com muito gosto. Ele de fato trouxe uma estética que acredito só ele saber fazer.

“Na verdade, as letras seguem os arranjos, as palavras neste disco são ‘escravas’ das notas musicais e assim o resultado ficou com letras sarcásticas, arranjos virtuosos e uma estética musical psicodélico.”

Matheus Luzi – Em release, o som e as letras de “Controvérsia e Verbarragia” são classificadas como “sarcásticas, psicodélicas e virtuosas”. Sobre isso, o que você tem a comentar?

Pow Pents – Bem, este conceito nasceu de quem ouviu as músicas durante a produção. De fato, eu também concordo com isso tudo dito, mas nunca quis categorizar o disco de forma alguma. A questão letra realmente elas são bem livres e algumas com temas um pouco incômodos, outras são bem no sense pois desde o início do projeto sempre priorizei a música, arranjos, estética e produção. Mas sou fã da voz humana cantada e não queria fazer um disco instrumental. Sendo assim me obriguei a escrever letras e jurei a mim mesmo que não seria muito poético, pelo contrário, usei até mesmo palavras sem rimas, contextos distorcidos e me deixei livre para ser completamente sincero sobre os temas. Na verdade, as letras seguem os arranjos, as palavras neste disco são “escravas” das notas musicais e assim o resultado ficou com letras sarcásticas, arranjos virtuosos e uma estética musical psicodélico.

Matheus Luzi – Você se considera guitarrista e compositor, mas no álbum surgiu, em alguns momentos, como intérprete, além de ter produzido o trabalho. Nesse âmbito, quais aprendizados musicais e humanos o disco te proporcionou?

Pow Pents – Meu trabalho neste disco foi como compositor, arranjador, guitarrista, citarista e vocalista em duas músicas, gravei os baixos também da música “Verborragia”. O aprendizado musical foi imenso, como sempre é quando se quer fazer um trabalho livre criativamente. Aprendi muito com os grandes músicos participantes a como melhorar cada vez mais na pré-produção, aprendi muitas técnicas de gravação, equipamentos etc.  O Lado humano aprendi que sempre podemos fazer melhor, mesmo quando já achamos que dominamos algo.   

Matheus Luzi – Não sei se será muito fácil responder essa questão, mas você teria alguma faixa a ser destacada? Talvez aquela que irá se sobressair sobre as outras?

Pow Pents – Do lado comercial destaco a música “Família Americana”. É uma música com muita energia e com uma letra que agrada alguns e incomoda outros. Eu a destaco pois pra quem ouvir prestando bastante atenção tem muitos elementos.

Matheus Luzi – Musicalmente, você parece acompanhar as letras das músicas.

Pow Pents – Eu considero o contrário, eu acompanho a musica e a letra se torna submissa as notas musicais. Sempre considerei letra uma arte a parte que claro, se aliou a arte música. Mas não sou uma cara que considera a letra a alma da musica como muitos dizem.

“Do lado comercial destaco a música ‘Família Americana’. É uma música com muita energia e com uma letra que agrada alguns e incomoda outros.”

Matheus Luzi – Escolha três ou duas faixas e fale com mais profundidade sobre suas mensagens e arranjos.

Pow Pents – “July canta mal” é uma música que particularmente adoro: ela tem uma letra meio infantil, com uma história engraçada e juro, a letra nasceu quando eu vi uma garota cantando na rua, na frente da minha oficina de luthieria. Ela cantava muito mal, mas ela estava determinada e muito feliz. Eu já tinha os arranjos dela e comecei a cantarolar uma melodia em cima de uma letra que na hora considerei bizarra. O critério para definir o que entrava na letra ou não era se eu desse risada, se eu ficasse sério tais palavras não entravam. A letra acabou ficando perfeita para a música, pois eu havia escrito algo bem exagerado onde exigia muito pra gente tocar. Ficou sensacional.

“Verborragia” foi algo mais próximo de uma “poesia” que eu escrevi. Como todas as minhas músicas os arranjos já existiam, só faltava uma letra para se encaixar nessa vibe “mística” da música. Os arranjos foram baseados obviamente na música indiana e a letra foi uma crítica a toda essa crise verborrágica que o Brasil anda vivendo, ou seja, se fala demais aquilo que não sabe, que não viveu. Comecei imaginar seres sem vida que emitiam sons aleatórios e assim nasceu a música.

“Controvérsias” é a única música instrumental do disco e eu particularmente adoro. Ali pesei a mão na caneta para demonstrar todo o virtuosismo, dentro desse estilo, dos músicos e claro também buscando uma forma da musica se aglutinasse as demais. Foi a que mais deu trabalho, pois tem muitos músicos e tudo deveria ser tocado com muita destreza. Deu tudo certo.

Matheus Luzi – Há alguma história e/ou curiosidade sobre o álbum que você queria mencionar?

Pow Pents – Foi um disco produzido em plena pandemia, todos de quarentena morrendo de medo de adoecer e assim a gravação foi feita totalmente on line, ou seja, cada um em seu estúdio. No início achei estranho o tramite, mas depois da primeira música totalmente pronta vi que era uma imensa vantagem trabalhar assim, não só pela questão de se cuidar, mas também pela dinâmica do trabalho que se tornou muito interessante. Com músicos tão competentes tudo fluiu muito fácil.

Matheus Luzi – Agora deixo você a vontade para falar o que quiser.

Pow Pents – Espero que ouçam o som com atenção devida para captarem cada detalhe artístico da obra. Foi feito com muito carinho e cuidado onde conto com um time sem igual justamente para que soe original, complexo, novo, bizarro e lindo.

FAIXA-A-FAIXA

“Esquerdo boy” – A primeira é uma das duas músicas nas quais podemos ouvir a voz de pow Pents. O arranjo complexo sublinha bem a letra que fala sobre aqueles que não conseguem sustentar aquilo que dizem defender…
“Família americana” – No espírito do bom e velho rock ‘n’ roll, Esmeria conta a história de famílias onde as pessoas já perderam o próprio brilho. Preste atenção nos solos!
“Escuro clarão” – A terceira música é a balada para respirar depois da alta rotação inicial. A voz de Esmeria brilha também nos backing vocals. Viaje e curta!
“July canta mal” – Essa conta a história da cantora de quintal que sonhava em ser uma estrela, mas cantava mal. No entanto, ela descobriu que isso não era um problema.
“Verborragia” – O rock tocado com som de cítara indiana e melodia não convencional é perfeito para levar o ouvinte a “viajar” na letra que fala sobre o vazio que pode tomar conta de todos nós.
“Grades” – Grades é um rock pesado com levadas elaboradas e as vozes de Pow e Esmeria se alternando para contar a história de pessoas que vivem apáticas atrás das suas “grades”.
Controvérsias” – O rock instrumental é a oportunidade de conferir o virtuosismo dos músicos. Ouça com os ouvidos bem abertos!

FICHA TÉCNICA

Guitarra, vocal, sitar, violão, composição: Pow Pents
Baixo: Adriano Campagnani
Bateria: Arthur Rezende
Percussões e vibrafone: João Paulo Drummond
Trompete: Daniel Leal.
Trombone: Rafael Rocha
Vocal: Esmeria Bulgari
Mixagem e masterização: Ricardo Franja Carvalheira
Capa e artes: Rafael Potter

Siga Pow Pents no instagram @powpents –

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