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Música

CRÔNICA: “ELA ERA INTENSA” – Por Gabriela dos Santos

Matheus Luzi

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ELA ERA INTENSA – Por Gabriela dos Santos

 

“Ela era intensa. Ela era intensa e desde a primeira conversa, lhe diziam que amavam essa tal intensidade. Todos pareciam estar dispostos a agarrá-la e não soltar mais, pois pessoas intensas eram raríssimas de se encontrar. Haviam criado uma lenda sobre pessoas intensas, e colocavam expectativas de que ela fosse assim.

Esperavam que tudo fosse perfeito, um mar de rosas. Romantizavam tamanha intensidade, e sem pensar duas vezes se jogavam de cabeça nesse mar agitado que havia dentro dela. A conquista não era fácil, mas seus pretendentes pareciam tão dispostos a ganhar aquela jóia rara, que não mediam esforços para tê-la.

E mais uma vez ela se entregava, confiando que dessa vez daria certo. Achando que finalmente teria encontrado aquele que realmente estava disposto a suportar sua inquietude, suas ondas traiçoeiras que chegavam sem um sinal de aviso. Os sentimentos dela iam além do que estavam acostumados, ela não sabia ser fria e fingir não sentir. Nunca foi boa com jogos sentimentais, como também não suportava quando queriam jogar com ela. Mas a maioria das pessoas são assim, jogam o tempo inteiro quando o assunto é amor.

De modo simples, ela tentava expressar os seus mais profundos sentimentos. Era uma romântica nata. Na mesma medida em que pareciam entregar-se para ela, ela dava-se em dobro. Capaz de fazer qualquer rapaz sentir-se o mais amado do mundo. Mesmo que houvesse outros turbilhões de sentimentos dentro dela, ela não deixava de amar, tampouco de demonstrar isso.

O problema é que juntamente desse amor intenso, os outros sentimentos vinham o acompanhando. Intensa no amor. Intensa na alegria. Intensa na tristeza. Intensa na raiva. Intensa no medo. Intensa na insegurança. Ela era intensa, eu disse. Ela era intensa, ela avisava. Mas todos queriam somente a intensidade boa, aquela que lhes convinha.

Se ela demonstrava insegurança, ela era manipuladora. Se falava sobre seus medos, ela era paranóica. Se chorava, ela era dramática. A deixavam com a desculpa de que ela não era quem eles imaginavam, mas como poderia ser?! Ela deixou claro de que era intensa. E por conta dessa intensidade, quando a deixavam, ela ficava em destroços. A recuperação era árdua e lenta.

Mais uma vez de volta ao zero, reconstruindo seus pedaços. Parecia que ela desistiria do amor, mas ela era intensa, e isso não era diferente com a esperança que habitava dentro dela. Uma fé inabalável, capaz de crer que um dia encontraria um bom marinheiro que soubesse navegar em seu mar revolto.”

 

 

 

Sobre a autora: Atualmente escrevendo meus dois primeiros livros, sendo um deles infantil. Dona da página no instagram www.instagram.com/sejaamodaantiga, fundada no ano de 2016, atualmente com mais de 100 mil seguidores, incluindo artistas como Walcyr Carrasco, Carlo Porto e Marília Mendonça. Natural de Salvador-BA, nascida no ano de 1995 (22 anos).

 

 

 

 

 

 

 

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