10 de setembro de 2026

[ENTREVISTA] Adelmo e sua energia no ato de dançar

 

Dançar não é só movimentar o corpo e tentar melhorar a cada treinamento, dançar é muito mais do que pensamos, é sensação, transmissão, protesto, paz e bastante amor.

Adelmo Gustavo Machado Alves, de apenas 20 anos, é mais um jovem que reside no bairro do Marechal Rondon e vem mostrando o quão bom é nessa arte.

Sua sinceridade, paciência e amor a dança acaba virando um motivo a mais para outras pessoas tentarem dar os primeiros passos no simbólico ato da dança. 

 

“Apesar de dança ser sim uma forma de se expressar, a dança é também subjetiva, a dança é clima, é arte, é superação, é amor e ódio ao mesmo tempo ou um só de cada vez, para mim a dança é energia em geral”

 

A HISTÓRIA

Minha vida começou de verdade quando entrei no Grupo de Teatro Novos Arteiros no ano de 2015 (e estou até hoje). Aprendi muita coisa até então, com os ‘Novos Arteiros’, eu comecei a ver tudo em minha volta com outra visão, em geral mesmo, exemplo disso é a política…

Não posso esquecer das pessoas que não deixaram desistir, como minha mãe que sempre me apoiou, minha madrinha que sempre me apoiou e meus arte educadores do ‘Novos Arteiros’ que nunca deixaram de acreditar em mim… Não consigo deixar de citar que foram com a ajuda deles (e está sendo) que estou bem vivo hoje.

Em 2018, eu e mais outros jovens montamos o grupo pretart que antes disso passou por vários nomes, num período pequeno, fizemos algumas oficinas e apresentamos em um show no bairro de Marechal Rondon.

Depois disso o grupo ficou parado, só que foi muito além disso, a pretart foi uma grande ajuda para me fortalecer como dançarino negro, pretendo voltar com o projeto. Depois disso teve a gincana do ‘Novos Arteiros’, onde eu apresentei como dançarino no grupo Wakanda, que até agora estamos resistindo, com outro nome, mas sempre “Wakanda pra sempre”.

 

Luan FH – Quando você começou a dançar e por quê?

Adelmo – Rapaz, eu comecei a dançar desde o ventre de minha mãe, viu. (Brincadeiras a parte). Antes de entrar para o Grupo de Teatro Novos Arteiros, eu dançava apenas por diversão em festas, era engraçado, depois do Novos Arteiros, comecei a me especializar nisso com a ajuda de minha arte educadora: Beatriz Santana, que me ajudou muito com meu corpo para dança e “cenicamente” falando, além disso, eu comecei a me envolver muito com a dança para transformar pessoas, para que elas vejam o mundo com uma visão melhor, mas também que não deixem de lutar por causas boas e justas.

 

Luan FH – Qual foi a sua maior conquista com seu trampo?

Adelmo – A minha maior conquista, foi poder ter dançado no EPA (encontro periférico de artes), é um evento dedicado à valorização e a difusão da arte negra e periférica. Participei da terceira edição, com muita energia positiva e saí de lá com muito aprendizado e vontade de querer dançar pra toda a minha vida.

 

Luan FH – Você tem planos de continuar e até mesmo virar um profissional?

Adelmo – Sim, muitos, não só por mim, mas também para que crianças negras possam ver que elas também conseguem conquistar espaços, assim como eu vejo em artistas negros que eu consigo conquistar, porque eles conquistaram também.

 

Luan FH – Tem alguma inspiração?

Adelmo – É difícil falar apenas uma pessoa, então lá vão algumas: Babiy Querino, Larry e Laurent (Lestwins), Ronald Castro, Beatriz Santana, William Cardoso, Daniel Vinicius, Marcos Oliveira, Marcele Santos e Luis André. 

 

Luan FH – Qual o estilo de música que você mais se identifica para poder dançar?

Adelmo – Ganhei muita visibilidade com o swing baiano, mas me encaixo mais com o hip-hop, mas ainda sim eu danço de tudo, e se eu não souber eu aprendo em um curto período de tempo.

 

Luan FH – Para você, o que é dançar? O que significa essa arte em sua vida?

Adelmo – Apesar de dança ser sim uma forma de se expressar, a dança é também subjetiva, a dança é clima, é arte, é superação, é amor e ódio ao mesmo tempo ou um só de cada vez, para mim a dança é energia em geral.

 

Luan FH – Tem algo para dizer ou deixar como mensagem?

Adelmo – Como a minha arte educadora diz (Beatriz Santana), “que a sua luz interior brilhe de forma esplendorosa no dia de hoje!”.

 

Luan FH – Você utiliza a dança como algo mais profundo, talvez como protesto ou expressão mais leve?

Adelmo – Com a dança eu já transformei vidas, já protestei contra um sistema político ditatorial e já fiz muitos amigos e amigas.

 

Luan FH – Já chegou a ser reconhecido pelas ruas por algumas pessoas? 

Adelmo – Sim, por causa da visibilidade que os ‘Novos Arteiros’ me deu, além de outros grupos.

 

Luan FH – O colégio fez parte para te motivar a não desistir da tua arte?

Adelmo – O colégio teve e tem uma participação muito grande na minha vida, consegui amizade com a maioria das professoras e professores. Eu tive muita oportunidade dentro do colégio, foi lá que já dei oficinas e aulas de dança, com a permissão de algumas professoras como Valéria, Roberta, Samile, Soraia, Diane, Juliana, Josenice, Lúcia, Tais, Monique, Augusto, Antônio, Luis Claudio, Luis André, Wiliam Cardoso e a coordenadora Inês, além das amizades fortes dentro do colégio que sempre me incentivaram a ser uma pessoa melhor e as funcionárias que também fazem parte do meu círculo de amizade. É sério, não tem como falar do colégio sem falar de todas essas professoras e professores (Talvez esteja faltando alguém).

 

Luan FH – Qual o seu maior objetivo, meta ou sonho?

Adelmo – Que minha profissão de emprego seja dança “especifica”.

 

VISÃO DO COLUNISTA SOBRE O ENTREVISTADO

Apesar de Adelmo ser também um ator, preferir falar da principal arte dele, a que mais faz bem. Para Adelmo nunca faltou um ar de ‘vontade’, mesmo que em qualquer ramo para se tornar um artista seja tão difícil, nunca o vi sem determinação na hora de mostrar seu talento.

Sempre buscando um renovo, uma melhora, uma música nova para poder expressar o que sente em pequenos, médios ou grandes movimentos, a cada passo é um pulsar do coração, é o ar entrando nos pulmões. Adelmo tem e terá um futuro brilhante e é mais um jovem negro que reside na cidade de Salvador e merece reconhecimento e muita, mas muita visibilidade!  

                                                     


ENTREVISTA DE LUAN FH – 20 anos, escritor e colunista, gosta do indie brasileiro e coisas antigas

 

 

 

 

 

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