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Entrevista

Em entrevista, David Mour reflete sua trajetória artística

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Thaisa Pucca / Divulgação.

Filho de brasileira e boliviano, David Mour iniciou sua vida musical ainda na infância, e como o ambiente domiciliar era bastante variado e rico, logo de cara já respondia as frequentes perguntas sobre seus rumos quando adulto, e a resposta era quase sempre a mesma: “viver de música”. O tempo passou, e aquele garoto que conheceu The Beatles, os 6 anos de idade, provavelmente se sente orgulhoso do artista que se tornou.

Aos 11 anos, Mour aprendeu sozinho a tocar violão, e, mesmo que com poucos acordes em seu repertório mental, escreveu a sua canção de estreia. Aproximadamente três anos depois, formou sua primeira banda, que propagava o rock n roll. Em 2013, porém, ao ingressar na faculdade de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL), David teve um encontro mágico: era com a Nova MPB, que, na época, ecoava seu nascimento por meio das vozes de artistas como Marcelo Jeneci, Cícero, Rubel, Tiago Iorc, e outros.

A partir desse momento, nasceu o projeto “Banda Mour”. Assim, aos 17 anos, apresentou seus primeiros shows autorais, entre bares, casas noturnas, festas universitárias etc. Em 2017, estreou no mundo fonográfico, com o álbum “Estrangeiro”, integrado por 10 faixas autorais, escritas e produzidas por ele, com gravação e mixagem de seu amigo e produtor Eduardo Benvenhu.

Tal disco alcançou o ápice quando recebeu o prêmio com a “Menção Honrosa do Prêmio Embrulhador – Melhores da Música Brasileira 2017”, estando ao lado de nomes como Hermeto Pascoal, Criolo, João Bosco e Tom Zé. Ele concorreu com mais de 1500 discos. Incrível, não é?

Apesar do sucesso do disco, no final de 2018, acabou a Banda Mour, e surgiu apenas David Mour. Segundo ele, mesmo que pareça uma pequena mudança, essa representou algo como “começar tudo do zero”.

Essa história que contei é apenas para introduzir a entrevista que você vê a seguir! E não deixe de espionar as plataformas do artista, você certamente irá se surpreender!

Matheus Luzi – Você diz que a música sempre diversa em sua casa, o que refletiu no som que você propaga agora. Pode nos contar mais detalhe sobre isso?

David Mour – Acho que por conta dos estilos musicais diversos que se ouvia em casa quando eu era criança, inconscientemente eu peguei aquilo para mim e de alguma maneira se tornou parte da minha essência. Hoje em dia, por exemplo, eu penso muito as melodias das minhas músicas com bastante contorno e as vezes até imaginando uma melodia escrita para violinos (principalmente das músicas mais lentas), apesar de interpretar com a voz, e isso vem das músicas de orquestra que meu pai escutava todos os dias, assim como as canções calmas da MPB com violão e voz que a minha mãe ouvia. Por outro lado, eu amo músicas intensas, com bastante peso como no rock, e isso veio da minha irmã, aliás, se não fosse por ela escutando os Beatles no quarto todos os dias, talvez eu nunca teria me apaixonado pela música e escolhido seguir esse caminho.

Matheus Luzi – Aquele menininho de 6 anos que se apaixonou pelos Beatles se sentiria orgulhoso do artista que ele é hoje?

David Mour – Com certeza, mas a caminhada nunca para, né? O eu de hoje, espera também se orgulhar do eu daqui 10 anos, e por aí vai. Sempre buscando sair do lugar, explorar e aprender mais. A única coisa que vai continuar o mesmo é o sonho.

Matheus Luzi – O que você acredita que “é a sua música”? Definir é difícil, mas acho interessante você comentar sobre a sua sonoridade, mas também sobre sua poesia.

David Mour – Sou eu. Tudo o que eu escrevo são coisas que eu vivi, senti e guardei dentro de mim. Nunca consegui escrever uma música que não fosse sobre algo que presenciei. Eu sempre fui uma pessoa muito tímida, portanto a música também veio para mim como uma forma de colocar para fora tudo aquilo que eu achava muito difícil simplesmente falar, sabe? E tem muitas coisas nessa vida que são difíceis de explicar mesmo, então a música também é a forma que encontrei de traduzir esses detalhes da vida que as vezes na correria do dia a dia passam despercebidos.

“O eu de hoje, espera também se orgulhar do eu daqui 10 anos, e por aí vai. Sempre buscando sair do lugar, explorar e aprender mais. A única coisa que vai continuar o mesmo é o sonho.”

Matheus Luzi – O que o fato de você ter entrado para a faculdade de Música da Universidade Estadual de Londrina (UEL) colaborou para a sua formação como artista, e no que você faz atualmente?

David Mour – O curso de Música da UEL abriu os meus olhos e meus ouvidos. A primeira pergunta que me fizeram no primeiro dia de aula foi: “O que é música?” e até hoje eu não sei responder essa pergunta por completa, mas sei que aquilo o que eu sinto como música pode ser considerado música para mim, e isso não significa uma melodia acompanhada de um violão somente, mas simplesmente o som da chuva batendo na janela ou o som das folhas das árvores se mexendo quando o vento sopra, por exemplo. Talvez a resposta para aquela pergunta seja: música é a própria vida, está ao nosso redor o tempo todo. Isso mudou totalmente a minha maneira de enxergar e ouvir a música, e essa eu acredito que tenha sido a maior colaboração da universidade na minha profissão e na vida.

Matheus Luzi – Porque, de fato, você se entregou a Nova MPB?

David Mour – Inicialmente eu me identifiquei com as letras e depois o fato de poder entregar aquela intensidade que eu gosto apenas com um violão e a voz.

Matheus Luzi – Por meio da Nova MPB, quais são as possibilidades que você acha possível desbravar?

David mour – A Nova MPB, para mim, vem muito da ideia da simplicidade, como a voz e o violão (claro que isso é algo já feito há muito tempo, como era com o mestre João Gilberto, por exemplo), tornando-a um estilo “intimista” e, como compositores, buscamos também trazer algo que aproxime mais do público, tanto nos arranjos quanto nas letras, mas dependendo da canção isso pode ser um desafio. Acredito que em qualquer estilo há muitas possibilidades para desbravar, basta querer arriscar um pouco para não ficar sempre no mesmo lugar.

“[…] tem muitas coisas nessa vida que são difíceis de explicar mesmo, então a música também é a forma que encontrei de traduzir esses detalhes da vida que as vezes na correria do dia a dia passam despercebidos.”

Matheus Luzi – Sobre tudo que você lançou até hoje, quais foram os comentários do público? E mais, como você enxerga o que produziu enquanto músico?

David Mour – Agradeço muito por ter recebido diversos comentários positivos ao longo dos anos, mas muitas críticas também (uma vez me chamaram de cópia barata de Los Hermanos, sendo que eu só conhecia “Anna” Julia hahaha), mas eu agradeço pelas críticas quando são construtivas, eu aprendo muito com elas e, sempre que recebo uma, eu escuto com atenção, pois podem fazer uma diferença gigante em mim.

Recentemente eu tenho recebido muitas mensagens de pessoas dizendo como as minhas músicas têm ajudado a tornar os dias delas melhores e isso significa tanto para mim, o fato das minhas composições se tornarem parte da vida dessas pessoas é algo que eu sonhava ver um dia. Além disso, eu sinto que amadureci muito desde que “recomecei” este projeto em 2018, quando mudei para artista solo. De lá pra cá, tenho buscado explorar novos horizontes e enxergar a música de uma outra maneira, o que tem me ajudado muito hoje em dia na parte da composição, arranjos e produção musical. Sinto que cresci, mas quero e preciso crescer mais.

Matheus Luzi – Acredito que você tenha uma boa história e/ou curiosidade para nos contar, referente a sua carreira.

David Mour – Eu comecei a compor aos 14 anos e, aos 15, comecei a me apresentar com uma banda de rock/metal alternativo formado por amigos do colégio e fui até os 17 como vocalista desse grupo. Depois dessa banda, eu iniciei o projeto Mour com as minhas primeiras composições entrando na MPB que foi onde me encontrei. Até 2017, tocava direto em festas universitárias e bares/baladas. Nesses lugares era muito difícil cantar as minhas músicas, tinham que ser canções conhecidas, mas aí eu descobri um truque: eu tocava várias músicas famosas e no meio delas eu colocava uma música minha que tivesse a ver com a vibe das outras, e então eu olhava a reação do público, se eles estivessem curtindo a minha música, no final eu falava que aquela era uma composição minha, mas caso contrário eu não dizia nada e seguia o baile. Funcionou muito, segue a dica!

Matheus Luzi – Agora sinta-se à vontade para falar o que bem entender.

David Mour – Quero agradecer muito ao Matheus por essa oportunidade, é sempre muito bom poder relembrar os motivos do porquê eu escolhi esse caminho e como a música faz a diferença na minha vida.

“O curso de Música da UEL abriu os meus olhos e meus ouvidos. A primeira pergunta que me fizeram no primeiro dia de aula foi: “O que é música?” e até hoje eu não sei responder essa pergunta por completa, mas sei que aquilo o que eu sinto como música pode ser considerado música para mim, e isso não significa uma melodia acompanhada de um violão somente, mas simplesmente o som da chuva batendo na janela ou o som das folhas das árvores se mexendo quando o vento sopra, por exemplo.”

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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