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[ENTREVISTA] A música brasileira reverenciada no novo álbum de Alysson Salvador

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(Crédito: Daniel Gosling)

Ao longo de 2020, o ator, cantor e compositor Alysson Salvador já vinha mostrando sua pluralidade musical em formato de uma série de singles. Nestes trabalhos, o músico uniu raízes da músicas brasileira com a MPB, o forró, o rock e a R&B dos anos 70. Agora, como uma forma, entre outras, de consagrar essa poesia e musicalidade, ele entrega “Musicarama”, álbum que celebra suas composições ao longo das últimas duas décadas. No trabalho, Alysson teve convidados especiais como Nicolas Krassik, Mestrinho, Cosme Vieira, Gian Correa e Banda Zaíra.

Idealizado durante o ano passado em plena efervescência da pandemia, o disco foi gravado remotamente. Na ocasião, cada convidado gravou suas partes em home studios, individualmente. Além dos sete singles já revelados, o álbum traz três faixas inéditas: “Forte é a Fé”, “Mais um Adeus” (ao lado de Cosme Vieira e Gian Correa) e “O Som da Cidade” (com a banda Zaíra).

O artista passou seus últimos 20 anos nas bandas Cipó Cravo, Os Cincopados e Samba de Luiz, além de atuar no teatro musical negro de resistência. Em 2016, imerso em uma temporada em Nova York, Alysson se reaproximou do forró, marco importante para que “Musicarama” ganhasse alguns tons necessários. Depois, de volta ao Brasil, ao observar o número de composições inéditas, ele decidiu gravá-las. Em 2019, o músico lançou o EP “Maré da Sorte”, seu trabalho de estreia em carreira solo.

“Musicarama” foi produzido por Alysson Salvador em parceria com Mariana Bertelli, mixado pelo próprio artista com Fernando Delgado Bola (que também masterizou o trabalho). O álbum que contou com um time enorme de músico, já está disponível nas plataformas de streaming e no Youtube.

Matheus Luzi – Para iniciar essa entrevista acho oportuno você contar quem é Alysson Salvador.

Alysson Salvador – Sou um apaixonado por música, respiro, bebo e como! Venho de uma família extremamente musical, mas que não me incentivou seguir a vida musical, por incrível que pareça. Mas mesmo assim segui, estudei e me aventurei pelo mundo nos seus vários caminhos e escolas musicais diferentes, desde o forró e o samba até a música mais rebuscada harmônica e melodicamente como bossa nova, jazz e clube da esquina. Na faculdade (Bituca – Universidade de Música Livre), em Barbacena, MG, estudei violão com Gilvan de Oliveira, que além do aprendizado no instrumento me apresentou ao teatro, outra das escolas que vivi intensamente durante 10 anos, arranjando, compondo e atuando. Também estudei composição, harmonia e arranjo com outro mestre, Ian Guest, durante a graduação, o que me possibilitou ter autonomia e propriedade pra criar o disco “Musicarama”!

Matheus Luzi – O que “Musicarama” revela sobre você e, em especial, sobre as suas últimas duas décadas de atuação no cenário artístico?

Alysson Salvador – Na “Musicarama” (gosto de chamar o disco no feminino pro N fatores, mas principalmente por vê-lo como uma máquina de fazer músicas, de promover encontros), eu trouxe várias pequenas fatias da minha história, pois além de serem composições minhas e/ou parcerias comigo interpretando, eu gravei muita coisa além do violão e a voz, meus principais instrumentos, arranjei ou pré arranjei todas as faixas e fiz a mixagem. Conhecimentos que fui adquirindo durante toda a minha caminhada.

Matheus Luzi – É muito claro que o álbum é plural em tantos sentidos. O que você tem a dizer sobre a sonoridade e poesia das dez faixas?

Alysson Salvador – As poesias são datadas. Tem a regravação de “Te Encontrar”, que é uma parceria minha com um amigo que virou irmão, Lucas Leonardo, de 20 anos atrás! Muita coisa da época que tocava forró e tinha uma visão romântica da vida, que ainda tenho, mas naquela época era um romantismo mais inocente. Tem músicas que são mais atuais, como “Tudo Massa”, um xote que fiz em parceria com Vita Pereira, uma artista trans incrível que conheci no espetáculo “Madame Satã” que compus parte da trilha e fiz os arranjos. A faixa fala sobre diversidades, preconceitos, sobre a heteronormatividade no forró tanto no ambiente como na dança e no comportamento geral. Outra atual é “O Som da Cidade”, música que fala sobre a afetação que os sons e “sons” da cidade São Paulo me trouxeram. Uma parceria inédita com um grande amigo e artista de Sampa, Rey Vercosa, que gravei com os amigos da Zaíra, banda de forró moderno e urbano de Piracicaba, mas que é conhecida pra todo lado. Sobre sonoridade, basicamente eu me baseei nos discos de Dominguinhos da década de 70 com uma mistura de rock e R&B da mesma época! Em algumas faixas eu trago também o congado mineiro pra dentro do som em forma de ritmos!

Matheus Luzi – A gente da Arte Brasileira acha lindo quando um trabalho musical retrata a essência da música nacional. Parabéns!

Alysson Salvador – Eu sou bairrista em relação à musica na hora de compor e interpretar. Já na hora dos arranjos e sonoridades, eu abro exceção pra musica internacional, até porque o tanto que rodei e pesquisei sobre outros estilos musicais eu acabo trazendo como influências pra minha música. Mas de essência ela vai ser sempre brasileira! (Pelo menos por enquanto!)

(Capa do álbum – Arte de Gabriela Machado/Medusa Web)

Matheus Luzi – Pegando gancho na questão anterior, quais mensagens você traz no disco?

Alysson Salvador – Tento trazer uma leveza pra um momento tão difícil que estamos passando. Falo sobre amores, sobre perseverança e sobre responsabilidade sobre as mudanças que o presente e o futuro exigem da gente. E pra tentarmos ter gratidão por nós mesmos, mesmo com defeitos e falhas seguirmos bem com a gente e com os nossos!

Matheus Luzi – Em relação aos seus parceiros de composição e aos artistas que participaram do projeto de uma maneira geral, quais são suas considerações?

Alysson Salvador – São praticamente todos amigos em algum grau! Desde os artistas que são mais renomados como Mestrinho e Nicolas Krassik, até meus parceiros em composição que nem trabalham mais com música, como o Lucas Leonardo. Todos eles são e foram muito generosos pra que esse projeto acontecesse. Em especial eu cito o Guegué Medeiros, baterista e percussionista em quase todas as faixas; o Rafa Virgulino, que gravou a maioria das sanfonas; o Matheus Tagliatti que fez a maioria dos baixos e o Rafael Beibi, que canta comigo em “O Som da Cidade”. Se não fossem eles, acho que esse “barco” ainda estaria ancorado!

Matheus Luzi – Não sei se é uma pergunta que vai gerar uma resposta específica, mas aqui vai: você considera alguma música do álbum como carro chefe, que se destaca mais?

Alysson Salvador – Difícil falar, porque são várias vertentes! Mas pensando em um som mais comercial, acho que “O Som da Cidade” (feat Zaíra) e “Surpresa” (feat Mestrinho) são as mais propensas a serem carro chefe!

Matheus Luzi – Você tem alguma história ou curiosidade sobre esse assunto para nos contar? Se tiver mais de uma, fique à vontade para dizer.

Alysson Salvador – A ideia de fazer o disco surgiu durante a “parada do mundo”, no início da pandemia. Eu estava em uma mentoria de planejamento estratégico e precisava repensar os planos. Foi quando me propus a fazer um disco com 10 músicas que contassem um pouco da minha história. Me desafiei lançar as músicas em forma de singles periodicamente de 15 em 15 dias! O problema é que eu não tinha absolutamente nada gravado ainda! Ficaram vários aprendizados, pois são muitos os fatores que temos de considerar pra que tudo aconteça como planejado! Existem mil coisas que mudam no caminho, desde alguém não poder gravar na data combinada até perder um dos melhores amigos (o que, no caso, aconteceu comigo!). Ainda me dói muito essa perda. Continuei encarando as dificuldades e gravando em homenagem ao Felipe e dediquei este trabalho a ele. No fim deu certo, e pude contar com músicos generosos que compraram o desafio comigo neste processo.

Matheus Luzi – Agora deixo você livre para comentar o que quiser.

Alysson Salvador – Bom, a “Musicarama” é só o inicio de um conjunto de histórias que registro em forma de música e daqui até parar de respirar eu pretendo continuar juntando e contando essas histórias pra vocês! Obrigado pela entrevista, amei as perguntas (difíceis só pra registrar, rs). Me sigam aqui nas redes @alyssonsalvador e nas plataformas digitas para mais novidades que vêm por aí!

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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