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Música

[ENTREVISTA] As mais curiosas histórias dos álbuns dos Mutantes são contadas por Chris Fuscaldo no livro DISCOBIOGRAFIA MUTANTE

Matheus Luzi

Publicado

em

Por Tatynne Lauria

 

A cantora, escritora, pesquisadora e jornalista Chris Fuscaldo fez uma enorme pesquisa que gerou o livro DISCOBIOGRAFIA MUTANTE: ÁLBUNS QUE REVOLUCIONARAM A MÚSICA BRASILEIRA, que comemora os 50 anos do primeiro lançamento do grupo formado por Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee. Objeto de campanha de fincamento coletivo na internet, o livro conta as mais variadas histórias da banda tropicalista.

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com a autora.

 

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Quais foram os desafios em escrever esse livro?

A história dos álbuns dos Mutantes começa em 1968. Então, o principal desafio foi conseguir histórias dessa época, já que vários personagens já não estão entre nós e muitos dos que estão não têm tanta coisa mais guardada na memória. Quando fiz as pesquisas para o DISCOBIOGRAFIA LEGIONÁRIA, que lancei em 2016, foi mais fácil porque tratava-se da história dos discos da Legião Urbana, que começaram a ser lançados em meados dos anos 1980 e quase todos os envolvidos estão ainda aí para contar.

 

E de uma maneira geral, como foi trabalhar com os álbuns dos Mutantes?

Foi a mesma delícia que sempre foi escutar os álbuns dos Mutantes. Os discos são divertidos, enérgicos e cheios de sons e efeitos que caracterizavam muito a banda. Achei ótimo poder escrever que alguns sons foram feitos de forma inusitada: por exemplo, na canção LE PREMIER BONHEUR DU JOUR, Rita Lee usou uma bomba de “Flit”, um inseticida da época, para fazer um som de chimbau de bateria. Durante as gravações do álbum A DIVINA COMÉDIA OU ANDO MEIO DESLIGADO, Arnaldo Baptista pisou em persianas velhas para simular o som de pisadas em um chão de estrela para a canção CHÃO DE ESTRELAS, releitura de um clássico de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa. São essas excentricidades que conquistaram os fãs dos Mutantes e fizeram da banda uma força única.

 

Qual sua relação pessoal com a banda?

Conheci Mutantes na adolescência, logo após me apaixonar por Caetano Veloso. Antes, eu só ouvia rock’n’roll, estrangeiro e nacional. Com eles, descobri a Tropicália, que até hoje acho o movimento mais revolucionário da história da música brasileira. No entanto, de todos os seus expoentes, os Mutantes são os que trazem referências musicais mais parecidas com as que eu tinha devido a minha formação. Rock influenciado por música brasileira faz muito a minha cabeça desde que era pequena e a banda me pegou por aí.

 

No livro, você conta a história dos álbuns do grupo tropicalista. Como foi sua pesquisa? Você chega a dar alguma opinião própria?

Minha pesquisa começou em 2002, quando decidi escrever minha monografia da faculdade de Jornalismo sobre a linguagem das capas dos discos dos Mutantes. Para o trabalho, usei como base entrevistas que fiz com Sérgio Dias e Rita Lee e fotocópias e recortes de jornais e revistas antigos que eu encontrei em setores de pesquisas de bibliotecas e de empresas jornalísticas. De lá para cá, como jornalista, entrevistei esses mesmos músicos, além de muitos outros, inclusive Arnaldo Baptista, Zélia Duncan (que fez parte de uma das formações e está no álbum AO VIVO – BARBICAN THEATRE, LONDRES), os músicos da fase do disco TUDO FOI FEITO PELO SOL etc. Como jornalista, me sinto mais à vontade narrando as histórias que me são relatadas pelos personagens que as viveram e usando documentos históricos, como matérias jornalísticas.

 

Como foi o processo de financiamento coletivo?

Foi um desafio! Deu frio na barriga e me fez explodir de felicidade quando a meta foi alcançada. Está sendo um grande aprendizado coordenar todas as etapas desse processo. Para a campanha, tive que ser muito criativa, para atrair apoiadores através das redes sociais. Para publicar o livro, atuei como pesquisadora, redatora, revisora, editora e distribuidora. Fiz muito mais por esse livro do que fiz pelo DISCOBIOGRAFIA LEGIONÁRIA, que teve grande parte do processo agilizado por uma editora. Estou adorando aprender e me sinto preparada para novos desafios!

 

O fato da banda estar completando 50 anos de fundação, foi uma inspiração para você lançar o livro?

Sem dúvida! Tive esse insight em fevereiro, durante uma viagem pela Califórnia, onde há lojas maravilhosas de discos e livros especializados em rock, onde se encontram discos de bandas brasileiras desta época, inclusive dos Mutantes. Acordei em uma madrugada com a lembrança de que o primeiro álbum dos Mutantes faria 50 anos em junho de 2018 e imediatamente achei que tinha que resgatar minha pesquisa e comemorar isso. Em março, assim que voltei da viagem, já preparei a campanha para lançá-la em abril.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o livro?

O DISCOBIOGRAFIA MUTANTE traz várias curiosidades sobre: turnês da banda; aparições em programas de TV; aspectos técnicos das gravações; relacionamentos entre os integrantes etc. Uma história que adoro é a da música TOP TOP, primeira parceria do baixista Liminha (que assinava Arnolpho Lima Filho) com Arnaldo Baptista e Rita Lee: TOP TOP vinha escrito toda vez que o Fradim, personagem dos quadrinhos do cartunista Henfil, queria dizer que se ferrou e falava “top top top”. Também acho interessante que JOSÉ tenha sido uma versão da música francesa JOSEPH, de Georges Moustaki, feita pela cantora Nara Leão. Rita tinha tentado emplacar a faixa em um disco dos Mutantes, mas os parceiros vetaram. Ela colocou, então, no seu primeiro álbum solo, BUILD UP, que é considerado um disco dos Mutantes pelo fato de ter sido gravado com a maior parte dos integrantes da banda.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

 Os Mutantes são aclamados por milhares de admiradores de rock, de música psicodélica e de música brasileira no mundo todo. Filho de John Lennon, Sean Lennon gosta tanto da banda que topou fazer as ilustrações da capa e do encarte do álbum TECNICOLOR. Kurt Cobain era pirado no som dos Mutantes e chegou a escrever uma carta para Arnaldo Baptista. Tem cineasta de Los Angeles louco para fazer um filme sobre os Mutantes.

Como tive a ideia de fazer o livro na Califórnia e estou voltando para os EUA em outubro, para passar uma temporada de quatro meses, achei que precisava levar a nossa história para quem não tem acesso a ela. Só para começar, durante a campanha de financiamento coletivo, tive compradores da Escócia, da Espanha, da França, do Peru e de uma livraria de Los Angeles.

 

 

 

 

 

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