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Literatura

[ENTREVISTA] Autora de livro que conta histórias de lendas urbanas de Curitiba, fala sobre sua relação com a literatura

Matheus Luzi

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Desde de criança, Luciana Do Rocio Mallon sempre foi apaixonada pelas Lendas Urbanas. Apesar do seu problema com a Síndrome de Asperger, que dificulta suas interações sociais, a autora de LENDAS CURITIBANAS, seguiu em frente, e até entrou para a dança. Luciana tem vários textos publicados em vários sites.

Abaixo, você confere uma entrevista que fizemos com a autora, na qual ela fala sobre sua estadia na literatura.

 

 

Como entrou para a literatura?

Na verdade, ainda criança antes de eu ser alfabetizada, ficava olhando para as marcas dos produtos e imaginando o som de cada letra. Depois, aos cinco anos, tentava adivinhar as palavras que as personagens dos gibis falavam. Aos quatro anos, antes de ir para a escola, eu ganhei três cartilhas e tentava aprender por elas. Então aos seis anos, comecei a ser alfabetizada formalmente na escola. Através de uma brincadeira de rimas orais descobri que também tinha habilidade como repentista. No primário, passei a participar de concursos de Redação na escola. Mas o mesmo interesse me acompanhou nas outras séries. Na minha adolescência, passei a escrever poemas e estórias, sem compromisso, para a coluna de cartas dos leitores de um jornal da minha cidade. Em 1993, entrei no curso de Letras Português-Espanhol na Universidade Federal do Paraná. Neste mesmo ano, passei a mandar poemas para o locutor, Rosalmo Vargas, declamar no seu programa de rádio chamado Love Songs.

No ano de 1998 passei a trabalhar no comércio. Assim, como eu gostava de causos sobrenaturais, pedia para que as clientes contassem lendas dos seus bairros e anotava tudo num caderno. No ano de 2001, precisei fazer curso de Informática Básica porque o mercado de trabalho exigiu. Porém durante estas aulas a professora descobriu que eu escrevia causos sobrenaturais e sugeriu que eu montasse um blog. Deste jeito, consegui um espaço gratuito, no site Usina de Letras, onde escrevo meus textos até hoje. Em 2002 participei de uma coletânea, com outros autores, de um livro chamado POETAS DE CURITIBA. No ano de 2003 ganhei um concurso de poemas, do Colégio Expert, onde o prêmio era a participação em uma antologia. Em 2009, fui convidada para fazer parte do Conselho de Leitores da Gazeta do Povo. No ano de 2012, o jornalista, Helio Puglielli, sugeriu que eu enviasse lendas para o editor do Instituto Memória, Anthony Leahy. Deste jeito, segui a sugestão e em 2013 meu livro individual, LENDAS CURITIBANAS, foi publicado.

Depois continuei participando de antologias e escrevendo em vários sites.  

 

Exatamente sobre o que você escreve?

Na realidade, escrevo vários gêneros: Poesia, Contos, Lendas, Artigos e Crônicas.

 

O que você pesquisa enquanto pesquisadora?

 Eu tenho interesse por lendas urbanas desde criança. Quando eu era pequena não gostava quando minha mãe e as outras mulheres mais velhas contavam contos-de-fada. Pois os finais eram sempre os mesmos porque as princesas casavam com príncipes no último capítulo. Então eu pedia para minha mãe:

– Quero lendas e causos de terror!

Assim ela contava estórias como: a Lenda do Cachorro do Drácula, o Mistério da Loira-Fantasma, o Causo da Noiva do Belvedere, etc.

 

Quais são suas inspirações?

Admiro autores como: Machado de Assis, Castro Alves, Machado de Assis, Alvares de Azevedo, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Aghata Christie, Stephen King e Edgar Allan Poe. Já, no dia-a-dia, busco inspiração nas pessoas ao redor e nos acontecimentos do mundo.

 

No seu currículo como escritora, o que você considera mais?

Ter uma formação na área é importante, mas não é tudo. Possuir textos publicados em vários lugares é interessante, porém não é este detalhe que faz a diferença. Por isto, procuro assistir palestras da área e se integrar com as novidades do momento, sem esquecer as lições do passado. Porém o detalhe mais importante é escrever sempre que possui tempo.

 

Além da escrita, você faz outro tipo de arte?

Quando eu era criança, médicos já notaram que eu possuía problemas na coordenação motora fina. Porém minha família não tinha dinheiro para pagar Fisioterapia e nem aulas de Balé. Então cresci. Mas notei que, nos meus empregos, minha deficiência na coordenação motora fina me atrapalhava muito. Deste jeito, procurei uma fisioterapeuta que me indicou exercícios e me aconselhou a fazer aulas de Dança Cigana ou Flamenca. Em 2009, entrei numa academia e procurei aulas de Dança. Hoje, realizo um serviço voluntário chamado: Lendas, Repentes e Danças em lugares como: asilos, hospitais, bibliotecas e eventos. Nesta apresentação faço repentes, poemas que as pessoas pedem na hora, conto lendas e danço fantasiada de personagens.

 

Você tem alguma curiosidade ou história interessante que queria nos contar?

Numa tarde de primavera, uma moça chamada Adriana Paula me encontrou num site de escritores voluntários e disse que precisava de doações para um clube de leitura que estava montando para as crianças pobres de um bairro carente. Assim doei livros, roupas e sugeri que ela montasse uma ONG a partir da ideia do Clube de Leitura. Desta maneira, ela revelou que desejava voluntários para o clube de leitura. Então indiquei professores e artistas. Seis meses depois, nasceu a ONG chamada, Anjos da Cidadania, que de uma maneira nasceu através da Literatura. Hoje, esta instituição oferece aulas gratuitas de: Literatura, Balé, Capoeira, Artesanato, Reforço Escolar e etc.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

Tenho textos nos seguintes links:

http://lulendasepoesias.blogspot.com/

https://web.facebook.com/LendasDaTiaLuciana/

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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