3 de setembro de 2026

O folk voz e violão de Diego Schaun no EP “Durante Este Tempo

Quatro canções formam o novo EP do baiano Diego Schaun, cantor e compositor de música folk que estreou nas plataformas de streaming em 2010, com o disco “Carpe Diem”. Formado em História e Letras e atualmente cursando Licenciatura em Música, Diego faz deste trabalho, que recebeu o nome de “Durante Este Tempo”, algo intimista, simples, mas também completo e robusto. As músicas que se escuta em “Durante Este Tempo” tem apenas voz e violão, mas carregam uma estrutura bem pensada e letras poéticas.

As letras de “Durante Este Tempo” variam entre temas românticos e existenciais, sempre com toques poéticos típicos de Diego Schaun. As músicas foram escritas (ou terminadas) durante a pandemia. “Pra Fora” e “Pra Dentro” é uma brincadeira inteligente do músico, sendo antagônicas e boas para refleções. “Pipa”, que Diego considera a música de trabalho, diz que deixar o outro ir é uma faceta especial do amor, fazendo uma analogia à pipa. Por fim, “Hálito de Pétala” é inspirada num vídeo que Diego Schaun assistiu de uma pessoa comendo uma flor, e seu olhar poético imaginou uma alguém a mastigando para se apossar do seu aroma.

A capa do EP é inspirada em discos dos anos 1970, mais próximo ainda dos de Caetano Veloso. “Pensei numa capa que fosse objetiva, que dissesse exatamente o que se ouve no EP: voz e violão! Por isso estou sentado com o violão em punho. A parte de trás tem uma espécie de pano esticado e dá pra ver pelos vincos que é mesmo um pano. Quis deixar essa ideia de algo mambembe, como um circo ou arte de rua com improviso, já que as canções soam exatamente do jeito que as compus.”, diz Diego.

Após o link do Spotify, deixaremos a seguir o faixa a faixa escrito pelo próprio artista. Confira!

“Pra Fora”

Esta canção é a mais recente que escrevi entre as quatro do disco. Criei a melodia inteira e a deixei no celular. Não tinha ainda uma letra. Ainda na quarentena, quando comecei a esboçar a ideia de um disco/EP, listei todas as possíveis canções que queria e achei que estava faltando aquela, do celular. Mas ela não tinha letra. Ora, pra ser antagônico com a canção “Pra dentro” (falarei dela em seguida) resolve escrever uma letra oposta. Gosto destas dualidades e gosto de causar no ouvinte aquela coisa “Ué, ele falou isso na música agora está dizendo ao contrário; o que ele quer dizer afinal?”. Assim surgiu a letra de “Pra fora”. Nesta música trato sobre a importância em falar as coisas que sente, mesmo que seja de frente para o espelho. Quando se é verdadeiro consigo mesmo, a tendência a ser com os outros é maior. Mesmo que seja dolorido, a cicatriz será uma boa lembrança do rancor que deixou de existir. 

“Pra Dentro”

Esta é a canção mais antiga do EP. Comecei a escrevê-la em 2017. Mas ela ficou pela metade. Era aquele tipo de canção que você sabe que tem futuro, mas precisa maturar. Durante a quarentena terminei as estrofes rapidamente que faltavam. Nela trato exatamente o oposto da canção “Pra fora”. O eu lírico, como se estivesse falando com alguém repete insistentemente para que esta pessoa o deixe em paz, que não lhe conte seus problemas porque, afinal, somos todos iguais e ele pode até atrapalhar já que nem sabe lidar com suas próprias dores. 

“Pipa

Esta faixa tinha um refrão diferente do atual. Era uma canção que falava de uma história de amor, mas de amor a si mesmo. Depois de um tempo, já em preparação para o EP percebi que não fazia muito sentido falar desta forma, tão egocêntrica. Quem se interessaria? Mudei a letra e coloquei alterações importantes, colocando o amor como algo genuíno e puro. Associei a pipa à pessoa amada. Quando se ama, solta-se a linha e deixa-se a pipa ir com o vento. Amar de longe é amar demais (de forma demasiada mesmo). Quem ama de verdade inclusive deixa ir.

“Hálito de Pétalas”

Também é uma canção antiga. Surgiu em meados de 2017/2018 quando, certo dia, assisti um vídeo de uma pessoa comendo uma flor. A cena não saía da minha cabeça por semanas… Poeticamente imaginei uma pessoa mastigando uma flor para se apossar do aroma que esta exalava. Numa forma pueril até, sondei o tal hálito de pétalas. A cena é talvez bizarra. Por isso inicio a canção já me justificando “deixa pra lá, não leve a mal… não tô ficando louco”. Deixei esta canção para o final para dar um ar de leveza, já que as três anteriores são brigas de dândis, chavões sobre amor ágape e reflexões mais sérias. 

Crédito: Tiago Paim

Ficha técnica

Voz e violão: Diego Schaun

Composições: Diego Schaun

Mixagem e masterização: Charles Williams

Capa (foto e edição): Tiago Paim 

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