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EXCLUSIVO – Banda baiana Casapronta comenta as seis faixas do seu novo EP

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Capa do EP “Amor”. Arte: Cartre Sans/Divulgação

Situada em Feira de Santana-BA, a banda Casapronta faz da palavra “amor” o nome do seu novo EP, com produção musical do vocalista Pablues Casapronta, e gravado no Estúdio Netuno, entre abril e maio deste ano.

No trabalho, que é integrado por seis músicas, os artistas considerados “do mundo” se voltam para gêneros como o reggae, rock, samba, blues etc. Em “Amor”, eles cantam e tocam tudo que provém desse bom sentimento, mas, claro, com muita crítica social, e poesia afiadíssima.

“As canções do EP falam de amor, cada uma à sua maneira. O amor próprio que devemos manter vivo pra ajudar a superar situações adversas, o amor pela fé na espiritualidade e religiosidade, que é uma marca nossa, e amor por poder amar livremente, quem quer que seja.”, comenta Pablues.

Como o EP é muito interessante, impactante e merecedor de destaque, nós pedimos ao grupo que nos enviasse, com exclusividade, o faixa-a-faixa. Confira a seguir!

FAIXA-A-FAIXA por Pablues

“AMOR” – Essa canção foi nosso primeiro single do EP. AMOR é um rock com referências do grunge da década de 1990, onde o Nirvana encabeçou com maestria, e aproveitando o 27º ano de morte do Kurt Cobain, fizemos essa homenagem. Citamos também Belchior na poesia da música, outra grande referência para a banda. AMOR foi lançada no dia 12 de junho, dia dos namorados, foi a canção que puxou o financiamento coletivo para custear a gravação e produção do EP. Dentre algumas contrapartidas para a galera que nos apoiou, teve uma em especial que engajou bastante. Quem investisse com o valor máximo no financiamento coletivo, além de todas as contrapartidas, teria o direito de fazer uma declaração de amor, pra quem quisesse, e a banda colocaria no final do single AMOR, eternizando esse momento. Cerca de 20 pessoas chegaram junto com o valor, mas apenas 06 quiseram enviar a declaração. Ficou lindo e emocionante. É só escutar a cação e constatar o que estamos dizendo.

DEVOÇÃO” – É um samba rock de preto, com influências do Recôncavo Baiano, e toda a afro-brasilidade que o Casapronta tem, por conta de sua ligação com a cultura e religiosidade de matriz africana. Fizemos uma homenagem a EXU, entidade do candomblé e da umbanda, muito demonizada, sendo comparada ao diabo, invenção dos cristãos. EXU é uma das energias das forças da natureza cultuadas, que veio da África para o Brasil, e se refez no candomblé e na umbanda. EXU é a energia da comunicação, da fertilidade e dos caminhos. Sem EXU nada se faz. DEVOÇÃO é nossa bandeira contra a intolerância religiosa, o racismo e toda e qualquer violência contra o povo de santo. EXU tem vários nomes, cada um em sua nação, em sua casa. E aqui no Casapronta EXU é louvado. Costumamos dizer que você acende a vela para quem quiser, seja pra Jesus, seja pra seu Zé. Respeito, além de amor, temos que praticar. Mateus Aleluia Filho participa tocando trompete, Flávia Sacramento faz o backing vocal, Bel da Bonita a percussão e Tito Pereira os teclados.

“A PLANTA” – Nosso reggae falando de uma planta tão usada por nossas e nossos ancestrais, para a proteção nas portas das casas. A Comigo-ninguém-pode é essa planta. lembro que minha vó e minha mãe sempre usavam. Eu sigo com essa tradição. A planta protege e te livra dos males. Existem diversas plantas que têm a mesma função. A PLANTA, em se tratando da canção, é uma das inéditas do EP. É um reggae rock, no estilo californiano, com inspiração direta nas guitarras de Sine Calmon, de Cachoeira, um dos maiores artistas do gênero no país. Tivemos a honra da participação de Maryzélia, dividindo os vocais. Bel da Bonita, Tito Pereira participaram na canção, com percussão e teclados, respectivamente.

“VELHO BOB” – Foi a primeira composição do Casapronta, mas só agora gravamos com um arranjo que nos deixou bastante felizes. Chamamos de nosso “FUSION”. É uma espécie de jazz-blues-rock-folk que vai deixando a impressão de ser tradicional e que de repente o clima muda. Entra um peso com riffs marcantes transformando a atmosfera da canção. Parece às vezes serem duas canções em uma. A letra fala de superação, daquela coisas de dar a voltar por cima e de acreditar em você. Fazemos uma menção à Bob Marley com  a canção “Get Up, Stand Up”, que a tradução é “Erga-se, levante-se”. Por isso o Velho Bob tem razão. Mateus Aleluia Filho participa no trompete, Marquinhos Menezes na guitarra, Tito Pereira nos teclados e Kbeça Beatbox no final da canção com seu beatbox.

UM CONVITE PRA VIDA” – Single que lançamos em fevereiro de 2021, antes do EP AMOR. Essa é uma composição muito especial. Foi financiada por amigos também. Nossa contrapartida foi colocar as fotos dos colaboradores e colaboradoras na capa do single. UM CONVITE PRA VIDA é uma utopia da pandemia, onde as pessoas param para repensar o jeito que estão (des)tratando o mundo, com um consumo exagerado e desnecessário. Existe um personagem, o “Palhaço do Circo Sem Futuro”, que foi inspirado em uma canção do Cordel do Fogo Encantado, onde esse palhaço é o último a entender que o mundo mudou e que é preciso novas atitudes, novas e boas maneiras, literalmente, para vivermos. Afinal, que futuro tem para mim, para nós?

O GRITO” – De todas a mais interessante. A voz foi gravada em um celular. Era o auge da pandemia em 2020, e eu estava sem sair de casa para nada. Nada mesmo. Bateu aqueles momentos de “bad” e imaginei as pessoas que têm depressão. Se eu, que não tenho depressão, pelo menos diagnosticado, estava sofrendo com aquela situação de confinamento, me coloquei no lugar de quem sofre dessa doença que muita gente não enxerga e não entende. Acham que é bobagem. Depressão mata. Enfim, mais uma vez a música me salvando. Queria gravar, mas a banda estava cada qual em sua casa, a gente sem poder se reunir, nem pra ensaio. Daí, lembrei de Silvio de Carvalho, um querido amigo lá de Salvador, que tem o Estúdio Greta. Falei com ele, que me pediu pra mandar a canção só com a voz e o vilão. Silvio ouviu, fez um arranjo com todos os instrumentos, gravou e mandou 4 dias depois. E me disse: “Agora venha em Salvador colocar a voz”. Não tinha como, eu estava cumprindo à risca a questão do isolamento, coisa e tal. Falei com ele de gravar a voz pelo celular  e mandar. Ele disse: “ Manda e vamos ver o que acontece”. Então, aconteceu a mágica do estúdio, e O GRITO pôde ser ouvido.

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