11 de agosto de 2026

A “Fábula” censurada de Eduardo Gudin é revelada em seu 18º disco

Na foto: Eduardo Gudin acompanhado pelas cantoras do disco, Léla Simões e
Naila Gallotta – Crédito: Luis Villaça / Divulgação.

CENSURA ? Ontem (3), o 18º disco do músico Eduardo Gudin (@eduardogudin) chegou aos streamings. “Valsas, Choros e Canções”, álbum navegante além do mar do samba, gênero predominante no trabalho do artista, é especial, como tudo que sempre fez.

No entanto, a Arte Brasileira destaca apenas uma das treze canções, mas condicionada pelo critério contextual. Entre o pacote de inéditas, situa-se como nona faixa a reveladora “Fábula”, interpretada por Lela Simões (@lela_simoes) e Naila Gallota, companheiras do artista neste álbum.

Censurada pelos militares nos anos 1970, a canção não chegou a integrar um dos dois primeiros discos de Eduardo, assim como era planejado. Escrita por ele e Sérgio Natureza, a letra é uma paulada desgostosa para qualquer regime ditatorial e agressivo. Nela, menções nítidas sobre presos e mortos durante a ditadura, e a intenção de relembrar o ocorrido.

Essa vida sob perigo era uma constante para o compositor, que teve mais duas músicas censuradas, ambas compostas com Paulo César Pinheiro, e que, graças a inteligentes alterações, foram gravadas em 1976.

CONFIRA A LETRA NA ÍNTEGRA

Foram anos tão longos

Nós éramos tão moços

Repartindo caroços

E ossos pelos nossos

Destroços do poder

Um vício de quererver

A luz quebrando as vidraças

O sol nas praças, no ar

A voz rasgando as mordaças

Esquecer jamais

Sempre relembrar

Foram anos tão longos

E os poucos que restaram

Contaram-nos histórias

Heroicas, suicidas

Mil vidas eu morri

Amigos que perdi

São marcas na minha memória

Manchas não dão pra apagar

Mesmo com dor e sem glória

A noite passou e amanhecerá

Esquecer jamais

Sempre relembrar…

Gostou dessa pauta? Torne-se um dos nossos apoiadores e colabore com a nossa Revista.

?Fonte: matéria de Augusto Diniz @jornalistaaugustodiniz publicada no Carta Capital @cartacapital.

Mário Rasec: a celebração das coisas simples

 Por eso, muchacho, no partas ahora soñando el regressoQue el amor es simpleY a las cosas simplesLas devora el tempoCesar.

LEIA MAIS

Jardel: o silêncio que sopra sussurros do longe

Os humanos são sozinhos.Por mais que haja amizade, amor,companhia, a solidão é da essência. Clarice Lispector  1. Jardel (João Pessoa,.

LEIA MAIS

Música Machista Popular Brasileira?

A música, diz a lógica, é um retrato da realidade de um povo. É expressão de sentimentos de um compositor,.

LEIA MAIS

Resenha do filme “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda”, de 1986 (por Tiago

Olá a todos! Feliz ano novo! Vida longa e prospera! Bom, a primeira obra do ano se chama “O Dia.

LEIA MAIS

Gabriel O Pensador, sempre insatisfeito em “Matei o Presidente”

Reportagem escrita por Nathália Pandeló em outubro de 2018 e editada por Matheus Luzi   Há quem diga que o.

LEIA MAIS

Adonay: universais variações sobre o mesmo tema

Como saber, se há tanta coisa do que falar ou não falar?E se o evitá-la, o não falar, é forma.

LEIA MAIS

Uma história que esperou 200 anos para ser contada – Por Victor Mascarenhas

Há 200 anos, mais precisamente no dia 7 de setembro de 1822, nas margens plácidas do riacho Ipiranga, D.Pedro deu.

LEIA MAIS

Heavy metal, juventude e interior paulista; conheça a banda Savage

Porks, um clássico bar de rock n roll em Araçatuba, interior de São Paulo, ousou em convidar uma banda quase.

LEIA MAIS

A vida em vinil: uma reflexão filosófica sobre a jornada da existência

A vida, assim como um disco de vinil, é uma espiral contínua de experiências e aprendizados, em que cada fase.

LEIA MAIS

“Fiz da arte um motivo para viver” – por Pedro Antônio

Quadro “Cinco Girassóis” de Pedro Antônio   Meu nome é Pedro Antônio, tenho 23 anos, e hoje eu posso afirmar que.

LEIA MAIS