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MPB – Gabi Buarque e seu “Mar de Gente”

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Tatiana Domais / Divulgação.

A música popular brasileira recebeu com honra, em 2020 e em plena pandemia, o álbum “Mar de Gente”, da cantora e compositora carioca Gabi Buarque. Mas ao usar esse termo tão forte, a gente quer entonar para o sentido mais literal: aquele que remete aos ritmos que formam o cancioneiro popular do nosso povo.

O disco é o terceiro da trajetória desta artista que, apesar da pouca idade, sabe muito bem o valor da nossa brasilidade e a importância dela, inclusive, Brasil afora. Foi isso que ela sentiu ao caminhar pela Europa e Japão, lugares onde seu canto foi ouvido e, claro, bem recebido pelos estrangeiros.

As treze faixas de “Mar de Gente” são parcialmente autorais e arranjadas por Luis Barcelos. Como companheiros de criação, ela tem a inspiração de Roberto Didio, Marina Sereno, Socorro lira, Silvia Duffrayer, Maria Rezende, Angélica Duarte e Eduardo Marinho. Na cantoria, Gabi pelas vozes de Silvia Duffrayer, Áurea Martin, Nina Wirtti, Mariana Baltar e Thais Macedo.

“Mar de Gente” graciosamente já está disponível em todas as plataformas digitais de música.

Matheus Luzi – Levando na bagagem a gloriosa MPB, você esteve em turnês pela Europa e Japão. Como o este público estrangeiro recebeu sua arte brasileiríssima? Rolou algum feedback nesse sentido?

Gabi Buarque – Viajar com minha música pra fora do Brasil foi uma experiência fantástica, de autonomia e reconhecimento de um trabalho que começou em 2011, com o lançamento do primeiro disco autoral. Fui muito bem recebida em todos os lugares por onde passei. No Japão fiz alguns shows cantando minhas músicas e sambas, bossas que eles adoram. Acho lindo o modo como eles se dedicam à nossa cultura, aprendem a falar a língua e a tocar os instrumentos, conhecem mais da nossa música que muitos brasileiros. Na Europa, fiz uma turnê de 4 meses no total, uns 40 shows, por Portugal, Galiza e França. Conheci lugares e pessoas que me receberam de braços abertos, e essa troca afetiva e musical eu trago comigo como a melhor parte dessa viagem.

Matheus Luzi – Considerando o fato de você ser carioca, o que sua música traz de especial? Afinal, até que ponto o Rio de Janeiro exerceu e ainda exerce no seu canto e nas suas composições?

Gabi Buarque – Apesar de todos os pesares, o Rio de Janeiro ainda é uma cidade linda e de muitos encontros. Aqui conheci ritmos do país inteiro e essa diversidade cultural está muito presente na minha música. A beleza da cidade me inspira, mas igualmente suas mazelas, seus muros visíveis e invisíveis, toda a desigualdade social que vemos assolar o país, aqui, é cenário. “Penha” é uma canção que fala sobre isso, “Mar de Gente” também, de pessoas que não tem oportunidade de contarem suas histórias. Não falo por elas, mas coloco minha voz a serviço delas.

Matheus Luzi – E a música brasileira, o que ela representa para você como artista e como ser humano?

Gabi Buarque – Sou apaixonada pela música brasileira. Devo a minha formação a ela e é algo que me inspira diariamente, porquê não é uma coisa só, é rica em ritmos, estilos, além de estar sempre se transformando. Sou uma curiosa e quero continuar assim, pois é o que me move.

“A beleza da cidade [Rio de Janeiro] me inspira, mas igualmente suas mazelas, seus muros visíveis e invisíveis, toda a desigualdade social que vemos assolar o país, aqui, é cenário. “Penha” é uma canção que fala sobre isso, “Mar de Gente” também, de pessoas que não tem oportunidade de contarem suas histórias. Não falo por elas, mas coloco minha voz a serviço delas.”

Matheus Luzi – Seus dois mais recentes álbuns, “Fiandeira” e “Mar de Gente”, há grande participações. Entre elas, podemos mencionar Marcos Sacramento, Mariana Baltar e Socorro Lira. Como foi trabalhar com esses artistas? E mais, durante sua trajetória artística, quais as importâncias das parcerias na sua carreira?

Gabi Buarque – Tenho muita alegria em compartilhar meus trabalhos com parceiras e parceiros que são grandes amigues mesmo, além de serem pessoas que admiro demais, me ajudaram muito nessa trajetória profissional e pessoal. É sempre muito prazeroso dividir momentos e canções com eles.

Matheus Luzi – Sobre o Grupo Mulheres de Chico, quais são seus comentários?

Gabi Buarque – Cantar durante o carnaval sempre foi um sonho; Dar voz à essa festa popular e ainda, cantando Chico Buarque, ou seja, levando alegria e consciência política pras pessoas, é maravilhoso! Por 3 anos fiz parte do grupo Mulheres de Chico e foi uma descoberta pra mim por que, pra além do trabalho musical, pude explorar no palco todo um lado cênico que desconhecia.

Matheus Luzi – Faça um paralelo entre sua arte e a nova safra da música nacional, incluindo as canções e gêneros do mainstream e do underground.

Gabi Buarque – Minha música conversa com a MPB tradicional, mas também com o samba, o choro e ritmos como coco, maracatu que me influenciam igualmente. Tem uma pegada mineira, carioca, recifense, acho que a melhor forma de resumir, sem reduzir é chamando de brasileira. Adoro ouvir coisas novas do cenário nacional porque é uma gama infinita de sonoridades… da nova safra ouço Juliano Holanda, Marina Iris, Luciane Dom, Letrux, Luiza Lian, Martins, Juliana Linhares.

“Por 3 anos fiz parte do grupo Mulheres de Chico e foi uma descoberta pra mim por que, pra além do trabalho musical, pude explorar no palco todo um lado cênico que desconhecia.”

Matheus Luzi – Aos que chegaram até esse momento da entrevista, diga para eles algumas palavras de impacto que podem incentivar a ouvirem o álbum “Mar de Gente” de ponta a ponta.

Gabi Buarque – Convido vocês a ouvirem o álbum “Mar de Gente”, com canções inéditas e poemas de Fernando Pessoa e Maria Rezende, arranjos de Luís Barcelos e participações especiais de Áurea Martins, Cristóvão Bastos, Nina Wirtti, Silvia Duffrayer, Mariana Baltar e Thais Macedo.

Matheus Luzi – O que há em seus versos, ou seja, sobre o que suas letras falam?

Gabi Buarque – Minhas canções falam de momentos que vivi; de reflexões a partir de experiências artísticas, amorosas, filosóficas, sociais, políticas.

Matheus Luzi – Sobre você ou “Mar de Gente”, mencione alguma história ou curiosidade que você adoraria que seu público soubesse.

Gabi Buarque – Tem uma curiosidade sobre a canção “Concha”. Recebi essa letra da Angélica Duarte quando estava em turnê no Porto, precisamente no metrô, pra pegar o trem pra Lisboa. Imediatamente veio a melodia na cabeça e, carregada de malas, violão e um celular na mão, entrei no metrô cheio de gente, gravando a melodia pra não esquecer. Saiu assim… de uma só vez. Enviei pra Angélica e contei a história; coincidentemente ela havia feito a letra durante a viagem Rio X São Paulo, dentro do ônibus.

Matheus Luzi – Agora deixo você a vontade para falar o que quiser.

Gabi Buarque – Caso queiram conhecer outros projetos de música e poesia, como homenagem à Maria Bethânia, Clarice Lispector, Chico Buarque e Fernando Pessoa, ou ainda ouvir os dois álbuns anteriores ao “Mar de Gente”, deixo aqui meu perfil @gabibuarquecantora

Agradeço pela entrevista e oportunidade de compartilhar com vocês minha música. Seguimos na luta com arte!

“Minha música conversa com a MPB tradicional, mas também com o samba, o choro e ritmos como coco, maracatu que me influenciam igualmente. Tem uma pegada mineira, carioca, recifense, acho que a melhor forma de resumir, sem reduzir é chamando de brasileira.”


FICHA TÉCNICA

  1. Samba Rezadeiro 3:09
    (Gabi Buarque e Roberto Didio)

Luis Barcelos – Violões
Kiko Horta – Acordeon
Marcus Thadeu – Djembê, agogô, cuíca, ganzá

  1. É 3:27
    (Gabi Buarque e Socorro Lira)

Luis Barcelos – Violão
Diogo Sili – Violão de Aço
Aquiles Moraes – Trompete com surdina

  1. Se Cesse 2:58
    (Gabi Buarque e Socorro Lira)

Luis Barcelos – Violões

  1. A voz do vento 2:41
    (Gabi Buarque)

Luis Barcelos – Violão

  1. Luzia, Luzia 3:34
    (Gabi Buarque e Marina Sereno)

Luis Barcelos – Violão, guitarra
Pedro Aune – Baixo Acústico
Antônio Neves – Bateria
Kiko Horta – Acordeon

  1. Morena do Mar 3:21
    (Gabi Buarque e Silvia Duffrayer)

Magno Júlio – Pandeiro couro, atabaque, agogô, caxixi, reco-reco, palmas
Bianca Calcagni – Tantã, pandeiro de nylon, ganzás, prato e faca, palmas
Luis Barcelos – Cavaquinho e palmas
Glauber Seixas – Violão
Rafael Mallmith – Violão 7 cordas
Diego Sili – Viola Caipira

  1. Gente é pedra 3:19
    (Gabi Buarque e Socorro Lira)

Luis Barcelos – Violão
Diogo Sili – Violão de Aço

  1. Pulso Aberto 1:05
    (Maria Rezende)
  2. Os Muros 3:16
    (Gabi Buarque e Socorro Lira)

Luis Barcelos – Violão
Diogo Sili – Violão de Aço

  1. Concha 4:47
    (Gabi Buarque e Angélica Duarte)

Part. Especial: Áurea Martins (Voz) e Cristóvão Bastos (Piano)

Luis Barcelos – Violão
Marfa Kourakina – Baixo Elétrico
Flora Milito – Bateria

  1. Quantos 5:01
    (Gabi Buarque)

Diogo Sili – Violão de Aço / guitarras
Marfa Kourakina – Baixo Elétrico
Lucas Videla – Pandeiro e percussão

  1. Penha 3:22
    (Gabi Buarque)

Luis Barcelos – Violão e Bandolim
Pedro Aune – Baixo Acústico
Antônio Neves – Bateria
Aline Gonçalves – Flauta

  1. Mar de Gente 4:19
    (Gabi Buarque)

vozes e coro – Áurea Martins, Mariana Baltar,
Nina Wirtti, Silvia Duffrayer e Thaís Macedo
voz e coro – Gabi Buarque
Luis Barcelos – Cavaquinho
Glauber Seixas – Violão
Rafael Mallmith – Violão 7 cordas
Aquiles Moraes – Trompete
Magno Júlio – Pandeiro couro, atabaques, agogô, caxixi, surdo
Bianca Calcagni – Repique de anel, pandeiro de nylon, ganzás, tamborim

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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