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Artes Plásticas

Historiadora lança minicurso gratuito sobre a história da arte, com vídeos curtos e descomplicados

Matheus Luzi

Publicado

em

(Divulgação)

Aline Pascholati é artista visual e historiadora da arte diplomada pela Sorbonne (Paris, França) e trabalha há mais de dez anos para trazer conteúdo de qualidade sobre arte para o público brasileiro. Segundo ela, a maneira que a história da arte é vista no Brasil é demasiadamente complicada e pouco acessível para a maior parte das pessoas. Assim, depois de escrever para publicações impressas e digitais desde 2011, decidiu criar seu próprio site sobre arte e cultura, o Artrianon, em 2016, e, no ano seguinte, o canal do YouTube Art Insider by Aline Pascholati, no intuito de democratizar a arte no país.

O minicurso online que está sendo lançado em parceria com o site Biografia da arte, traz quatorze vídeos curtos e descomplicados sobre os períodos mais importantes da História da Arte – da Pré-História à Arte Contemporânea -, para que qualquer um, independente de sua idade ou formação, possa aprender o básico sobre o tema.

O conteúdo disponibilizado é gravado, para que o aluno possa assisti-lo no local e no momento que preferir, e repeti-lo, se assim desejar. Para participar do curso e acessar os vídeos gratuitamente.

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Matheus Luzi – No seu ponto de vista, qual a importância desse curso?

Aline – Não é muito fácil encontrar online um curso que apresente os principais períodos da história da arte de maneira descomplicada em vídeos bem curtos – o vídeo mais longo desse curso possui pouco mais de sete minutos de duração. Assim, trata-se de uma ferramenta que pode proporcionar o entendimento do básico da história da arte para qualquer pessoa, independentemente da idade ou nível de estudo, o que é muito importante em um país como o Brasil, no qual a arte ainda é muito elitista, tanto do ponto de vista econômico, quanto intelectual. O “falar difícil” faz parte da maior parte dos diálogos e textos sobre o assunto aqui no Brasil, mas não precisa ser assim. É possível explicar conteúdos relativamente complexos de maneira simples e acessível, e é justamente o que eu tento fazer não só no minicurso, mas também no meu canal Art Insider by Aline Pascholati e na minha coluna Obra de Arte da Semana no Artrianon.

Matheus Luzi – O que você traz de tão especial no conteúdo do curso?

Aline – O conteúdo é o tradicionalmente apresentado em diversos cursos e livros de história da arte. O diferencial é justamente a maneira descomplicada de falar sobre esse conteúdo, explanando o básico, para que o vídeo não fique muito longo, mas ainda assim mantendo a qualidade. Os vídeos curtos são importantes, em minha opinião, porque hoje em dia é tudo muito rápido na internet e se o vídeo for longo, é possível que a pessoa se interesse, mas acabe adiando para assistir em outro momento e acabe nunca assistindo. Também trago minha experiência de mais de dez anos circulando pelo mundo da arte, desde que fiz a graduação de história da arte na Sorbonne, em Paris, até minhas inúmeras visitas a museus, galerias e feiras de arte, tanto como espectadora e historiadora da arte, quanto como artista, expondo meu trabalho. Ou seja, me baseio na literatura sobre o tema, mas também trago minha própria visão e experiência.

Matheus Luzi – Quais seus objetivos nesse lançamento?

Aline – A ideia é levar a história da arte ao maior número de pessoas possível. Assim, todo mundo pode ter uma base para quando se deparar com uma obra de arte, seja online, em um livro, ou em um museu, e, aqueles que se apaixonarem pelo tema – o que eu não acho difícil, porque a arte é simplesmente maravilhosa! – terá o conhecimento básico para se aprofundar no assunto. É também uma oportunidade de divulgar meu trabalho como historiadora e atrair novos visitantes para o meu canal e para o meu site, Artrianon, ambos com uma quantidade enorme de conteúdo gratuito de qualidade sobre arte.

“Assim, trata-se [o curso] de uma ferramenta que pode proporcionar o entendimento do básico da história da arte para qualquer pessoa, independentemente da idade ou nível de estudo, o que é muito importante em um país como o Brasil, no qual a arte ainda é muito elitista, tanto do ponto de vista econômico, quanto intelectual.”

Matheus Luzi – Nos conte sobre essa parceria com o site Biografia da Arte.

Aline – A parceria surgiu de forma muito inesperada, através de uma mensagem no Instagram. O Leo, fundador do Biografia da Arte, estava buscando alguém para essa parceria em um curso de história da arte, e eu já queria há muito tempo lançar um curso como esse, mas acabava adiando por diversos motivos. O contato dele foi o que eu precisava para tirar o projeto do papel.

Matheus Luzi – Como foi o processo criativo das aulas? Como foi desenvolvê-las?

Aline – Foi caótico e lindo ao mesmo tempo, rs. Alguns períodos e movimentos artísticos eu não via a fundo desde a graduação – no último ano de história da arte na universidade onde estudei, temos que nos especializar em um período crono cultural, e eu escolhi arte medieval, além de ser apaixonada e pesquisar muito sobre arte moderna e contemporânea -, então reli muita coisa, estudei bastante, mas tomei cuidado para não tornar o estudo infinito e acabar nunca gravando, além de não me estender demais na hora de filmar. Foi preciso fazer roteiros – meus roteiros são rabiscos em papéis de rascunhos, uma bagunça que só eu entendo, aliás – bastante resumidos para cada uma das aulas e guardar a vontade de ficar falando uma hora inteira sobre meus períodos favoritos, rs.

Matheus Luzi – Você tem alguma história ou curiosidade interessante para nos contar? Se tiver mais de uma, fique a vontade para contar.

Aline – Eu gosto sempre de contar de uma vez que estava passeando pelo Louvre, em Paris, e eu vi uma professora com alunos bem jovens – menos de 7 anos de idade, talvez. Ela pedia aos alunos para que eles olhassem para uma pintura enorme e dissessem o que eles achavam sobre ela, o que viam, o que sentiam. Essa estória nos mostra duas coisas bastante interessantes: primeiro, como a história da arte é parte da educação das crianças em países como a França e o acesso à arte não é restrito a uma elite financeira e cultural, o que eu sinceramente desejaria não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro; em segundo lugar, podemos ver a abordagem que meus professores na universidade aconselhavam. Segundo eles, em um primeiro contato com a obra, você simplesmente olha para ela e tenta entender o que ela te passa, antes de fazer qualquer leitura ou pesquisa mais aprofundada, pois, sim, é muito importante ler, estudar e se informar sobre artistas, obras e períodos, mas não se pode esquecer que o principal são as obras propriamente ditas, e, algumas vezes, se mergulhamos diretamente nos estudos, podemos esquecer de contemplá-las e vê-las com nossos próprios olhos, sendo influenciados pelas opiniões e conclusões de outras pessoas. Ao se deparar com uma obra, o espectador pode sentir, ver e encontrar significados que são únicos e baseados em sua própria vivência, ou seja, a experiência de cada um com cada obra de arte é única, e, esse encontro pode ser muito transformador, despertar uma miríade de sentimentos e questionamentos, o que é uma grande parte da arte, em minha opinião.

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