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Álbum

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Matheus Luzi

Publicado

em

(Crédito: Daniela Dacorso)

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua ancestralidade e, assim, a cultura africana. Porém, foi com seu 14ª LP de estúdio que o artista emplaca o seu compacto mais emblemático.

Com o nome de “África Brasil”, de 1976, que ele registra grandes sucessos, deixando o violão de lado e apostando na guitarra elétrica. Foi neste trabalho que foram lançados clássicos como “Umbabarauma”, “Camisa 10 da Gávea”, “A História de Jorge” e “Xica da Silva”.

Em vista de algo importante para a cultura nacional, a jornalista Kamille Viola lança “África Brasil: Um dia Jorge Ben voou para toda a gente ver” (Edição Sesc), livro que revela exatamente aquilo que ficou oculto e nas entrelinhas desta obra. O maior diferencial deste livro, em comparação a tantos outros, é o fato de que Kamille teve a oportunidade de entrevistar Jorge, algo que, ao longo dos anos, vem se tornando cada vez mais difícil, mais inacessível para a imprensa.

Além disto, o livro conta com depoimentos de artistas influenciados pelas músicas de Ben, como Gilberto Gil, Mano Brown, Marcelo D2, Lúcio Maia, Jorge Du Peixe, Gustavo Schroeter e BNegão; parte da banda que o acompanhava na época, a Admiral Jorge V (o baixista Dadi, o baterista Gustavo Schroeter e Joãozinho da Percussão), o produtor do álbum, Marco Mazzola, e até o craque de futebol Zico, homenageado na faixa “Camisa 10 da Gávea”.

SAIBA MAIS!

A pesquisa de Kamille sobre Jorge Ben não vem de agora. Há dez anos, ela procura entender melhor a obra do cantor e compositor e, assim, traçar um histórico da vida do artista até chegar neste mítico disco.

Entre tantos assuntos abordados no livro, ela desvenda algumas passagens de muito mistério da história de Ben, tendo em vista que o músico sempre buscou proteger sua vida pessoal, ocultando, em entrevistas, a própria idade. Há também a ideia de resgatar episódios marcantes de sua trajetória que caíram no esquecimento como, por exemplo, a inusitada tentativa do produtor de Bob Marley de lançá-lo internacionalmente, como se fosse uma espécie de “versão brasileira” do ídolo jamaicano, e a batalha musical que travou com o humorista Juca Chaves durante a ditadura militar.

LUTA SOCIAL!

Como uma espécie de ativista, Jorge Ben foi de extrema importância para a construção de um imaginário negro positivo no Brasil. Ele exaltava a cultura negra, se autodeclarava negro, e suas canções partiam, sempre, desse ponto de vista, num momento histórico oportuno. Então, o trabalho como todo do artista, teve a função de desconstruir os estereótipos sobre pessoas negras. Até mesmo o rapper Mano Brown, líder do grupo Racionais MC’s resume, em entrevista, a influência de Jorge Ben em sua vida pessoal e musical.

“A gente mora num país negro onde a maioria dos artistas (de sucesso) era branco. O Jorge Ben sempre foi inspirador. Em vários momentos. Nem sempre só para poder trabalhar, só pra usar (como sample) ou cantar. Para ouvir e para viver, que é a melhor coisa. Quando eu passei a fazer música, passou a fazer parte da minha música também. Isso aí ia ser óbvio. Influência direta. Porque a gente escreve rap em português. Não tivemos aquela escola, a gente não teve acesso ao que os negros americanos falavam, a gente não sabe o que eles falavam. A gente imagina o que eles falavam. Mas o Jorge Ben, eu sei exatamente do que ele tá falando”, conta Mano Brown, no livro.

Kamille Viola pontua no livro: “Gilberto Gil, Mano Brown, Chico Science e Nação Zumbi: todos tiveram Jorge Ben como farol. O tropicalismo, o rap nacional e o mangue beat, três das mais importantes expressões musicais do nosso país, beberam na fonte do alquimista. Se não fosse Jorge Lima Menezes, o Babulina do Rio Comprido, a história da música brasileira certamente seria outra.”

Matheus Luzi – Quando bateu a ideia de escrever esse livro? Foi uma ideia sua ou em conjunto?

Kamille – Eu já tinha o desejo de escrever uma biografia sobre Jorge Ben há muitos anos, como conto no livro. Convidei a jornalista Karla Prado, que era minha editora no jornal onde eu trabalhava, para fazermos juntas. Tentamos durante um tempo, mas, na época, para fazer a biografia de alguém no Brasil era necessária a autorização da pessoa. O Jorge não dizia nem que sim, nem que não, embora fosse sempre muito simpático e solícito. Mas tinha uma editora interessada em publicar o livro, e a gente precisava de uma resposta. Em 2010, procuramos a mulher e o filho mais velho dele, e eles agradeceram, mas disseram não ter interesse.

Em 2018, o Lauro Lisboa, jornalista, crítico musical e organizador da coleção Discos da Música Brasileira, das Edições Sesc, me convidou para escrever um livro sobre o álbum “África Brasil”. Topei na hora. É o terceiro trabalho da coleção.

Matheus Luzi – Por quê, exatamente, o álbum “África Brasil” é digno de ser inspiração para esse livro?

Kamille – É um disco muito marcante na carreira do Jorge. Primeiro, porque ele faz uma mudança grande em seu som – embora tivesse influências da música negra norte-americana há muito tempo, ali ele tem uma presença muito forte dela. E de uma maneira muito particular, misturada a diversos ritmos afro-brasileiros e afro-latinos, além de outros estilos americanos, como o jazz e o blues, e até o spoken word (um tipo de performance com música e canto falado), resultando numa sonoridade única. Além disso, nesse disco ele traz músicas que tratam de vários temas recorrentes em sua obra, como a exaltação de personagens negros, o futebol, a alquimia, o amor, curiosidades históricas, e exercícios de imaginação e fantasia. Clássicos de seu repertório, como “Ponta de lança africano (Umbabarauma)” e “Xica da Silva”, além de regravações marcantes de “Zumbi” – aqui batizada de “África Brasil (Zumbi)” — e “Taj Mahal” estão no álbum. Ah, sim: a partir desse disco, ele abandonou de vez o violão. A exceção foi o “Acústico MTV”, de 2002, mas, mesmo assim, ele usou um violão plugado de doze cordas.

“[…] nesse disco ele traz músicas que tratam de vários temas recorrentes em sua obra, como a exaltação de personagens negros, o futebol, a alquimia, o amor, curiosidades históricas, e exercícios de imaginação e fantasia.”

Matheus Luzi – Você como jornalista e autora deste livro, como enxerga Jorge Ben?

Kamille – Uma figura muito importante da música brasileira, que influenciou diversos artistas e movimentos, que se aproximou de diversas tendências musicais, mas sempre criando uma sonoridade diferente de todo o resto. Um artista que – à maneira dos alquimistas, que ele tanto admira – sempre procurou proteger sua vida pessoal, porque sabia que, sendo um homem negro, poderia ser alvo de julgamentos implacáveis, como aconteceu com outras personalidades negras em nosso país. Por mais que sua musicalidade fosse exaltada, sempre foi retratado como alguém ingênuo e simplório, estereótipo que inteligentemente jamais negou, pois assim conseguiu se preservar. Fez mistério sobre seus sobrenomes, sua data de nascimento e a identidade de sua companheira da vida inteira. Também parece ter se inspirado nos alquimistas na forma como conduz sua obra, sempre buscando se aperfeiçoar, regravando músicas, refazendo letras, mudando melodias… Eu brinco que o Marcelo D2 gravou “À procura da batida perfeita”, mas quem parece mesmo estar atrás dela é o Jorge. Como um alquimista em busca da pedra filosofal.

Matheus Luzi – Com o conhecimento adquirido ao escrever este livro, o que você tem a dizer sobre a influência de Jorge Ben na música brasileira e na história do nosso país?

Kamille – A influência na música é grande: basta dizer que Gilberto Gil conta que, ao ouvir o primeiro álbum do Jorge, “Samba esquema novo” (1969), pensou em parar de compor e passar a apenas tocar as músicas de Jorge Ben. O mangue beat, de Pernambuco, é assumidamente influenciado por ele, além de diversos outros artistas da cena musical brasileira dos anos 90, como O Rappa, Planet Hemp e Skank. O BNegão chega a dizer no livro que o Jorge está para a geração dele como o João Gilberto está para a geração dos anos 70, tamanha a importância dele. Isso sem falar no rap, não à toa Mano Brown (que foi entrevistado por mim) é um grande fã de Jorge Ben, a ponto de chamar seu filho de Jorge e sua filha de Domenica, em homenagem a uma música de Ben. Ele diz que o rap inteiro deveria reverenciá-lo. Jorge foi um dos precursores do canto falado na música brasileira e, além disso, exaltava a cultura negra e personagens negros em suas canções. Ajudou na construção de um imaginário negro positivo no Brasil. Ele se autodeclarava negro em suas músicas e cantava desse ponto de vista, isso em uma época em que o país vivia sob o mito da democracia racial. Se pensarmos que era um artista que vendeu milhares de discos, que aparecia na TV e tocava no rádio, podemos entender que esse impacto era enorme, não só na música, mas na história do nosso país mesmo.

“Eu brinco que o Marcelo D2 gravou ‘à procura da batida perfeita’, mas quem parece mesmo estar atrás dela é o Jorge. Como um alquimista em busca da pedra filosofal.”

Matheus Luzi – Na produção do livro, você teve a majestosa oportunidade de entrevistar o músico, como foi esse momento?

Kamille – Eu já tinha tido a chance de entrevistar o Jorge em 2011, para o jornal O Dia, onde trabalhava na época. Foi depois do período em que tentei convencê-lo a me deixar escrever a biografia dele, então ele já sabia quem eu era, eu tive algum acesso (mas não muito) a ele. Fui encontrá-lo no restaurante do Copacabana Palace (onde ele já se hospedava de vez em quando e hoje mora) e fiz a entrevista ali. Quando fui convidada a fazer esse livro, eu já estava há anos sem vê-lo, não sabia se ele iria lembrar de mim. Em 2019, abordei o Jorge na saída de um show dele e infelizmente se confirmou meu medo: ele não se lembrava de quem eu era. Fiquei tentando marcar uma conversa com ele desde 2018, e nada. Em março de 2020, veio a pandemia, foi como um balde de água fria: como eu iria entrevistá-lo? Fiquei muito desanimada.

No entanto, surgiu uma chance daquelas que o universo nos dá de presente. Eu estava trabalhando em um projeto da jornalista Christina Fuscaldo em que ela precisava entrevistar grandes figuras da MPB, Jorge era uma delas. Mas o tempo foi passando, e nada de marcarem. Na véspera do meu aniversário, ela me liga: “Você pode falar com o Jorge Ben hoje?”. Ela estava muito atarefada, porque já estava em outra fase do projeto, e precisava repassar a tarefa para alguém da equipe. Claro que topei. Fiz as perguntas que precisava para o trabalho da Christina e emendei com as que queria para o meu livro. Fui perguntando até ele dizer que tinha que desligar. Ficamos uns 50 minutos no telefone. Ele foi muito simpático, como sempre, mesmo não tendo lembrado de mim. Só ficou bravo ao mencionar a idade atribuída a ele pela imprensa. Deve estar mais bravo ainda com o meu livro, pois revelo que ele nasceu antes do que se pensava.

Matheus Luzi – O que os leitores podem esperar deste livro?

Kamille – Eu conto um pouco da história do “África Brasil” e dos bastidores do álbum (entrevistei músicos de sua banda na época, como Dadi, Gustavo Schroeter – esses dois fundadores do A Cor do Som — e Joãozinho da Percussão, além do produtor do disco, Marco Mazzola), mas traço a trajetória do artista até chegar lá, passando por outras fases de sua vida e carreira. O livro revela alguns mistérios sobre a vida do Jorge, como, por exemplo, a verdadeira idade dele, algo que o artista sempre guardou a sete chaves – eu consegui descobrir a certidão de nascimento dele. Também resgata histórias esquecidas há muito tempo, como o fato de que nunca houve uma “nega Tereza” – na verdade, Domingas e Tereza, suas principais musas e inspiradoras, são a mesma pessoa, Domingas Terezinha Inaimo de Menezes, com quem ele se casou em 1971 e teve dois filhos, Tomaso e Gabriel. Ou ainda a época em que ele e Juca Chaves trocaram farpas por meio de músicas – Juca compôs “Paris Tropical”, satirizando “País Tropical”, composição de Jorge que muitos consideravam uma canção alienada e que tinha sido grande sucesso na gravação de Wilson Simonal. Ele chega a escrever: “Tereza é empregadinha, e eu sou seu patrão”, referindo-se à “nega Tereza” da música de Jorge, versos bastante preconceituosos. Também conversei com artistas influenciados por ele, como Gilberto Gil, Mano Brown, Marcelo D2 e BNegão, além do craque Zico, que inspirou uma canção que está em “África Brasil”, e o professor Marcos Queiroz, que utiliza a obra de Jorge em suas aulas na faculdade de Direito.

“A influência na música é grande: basta dizer que Gilberto Gil conta que, ao ouvir o primeiro álbum do Jorge, ‘Samba esquema novo’ (1969), pensou em parar de compor e passar a apenas tocar as músicas de Jorge Ben.”

Matheus Luzi – Desde de quando surgiu a ideia, até o processo de publicação do livro, o que, resumidamente, aconteceu? Como foi tudo isso para você?

Kamille – Foi um processo prazeroso, mas também muito difícil, sobretudo porque teve uma pandemia no meio do caminho. Eu tinha esse desejo de escrever sobre o Jorge que tinha sido deixado de lado e pude resgatá-lo. Voltar a mergulhar na obra dele (embora eu nunca tivesse abandonado a pesquisa sobre ele totalmente) foi uma alegria muito grande. Tanto que o livro já foi publicado e eu sigo pesquisando e fazendo novas descobertas (risos). Foi um pouco demorado conseguir algumas entrevistas, teve gente que se recusou a falar, teve gente que marcou e em cima da hora desmarcou, tudo isso é frustrante. A demora em conseguir falar com ele também foi angustiante, porque eu tinha prazos. Cheguei a entregar um texto sem a entrevista com ele e estava arrasada. A fase de finalização do trabalho, durante a pandemia, foi muito complicada, por não poder mais fazer entrevistas pessoalmente ou visitar arquivos. Também tinha toda a questão emocional, o medo de alguma pessoa querida se infectar com a covid-19… Apesar disso, as coisas foram se encaixando, e o livro saiu. Mas, pouco antes da publicação do livro, perdi meu padrinho e tio, Silvio Viola, mais uma vítima da pandemia. Ele era um dos meus grandes incentivadores, estava superfeliz com a notícia de que o livro iria sair, mas não chegou a vê-lo pronto. No dia em que saiu a primeira matéria sobre meu livro, bem extensa, na Folha, perdi meu padrinho. Acho que isso resume o que foi esse ano tão difícil, um tempo de emoções muito conflitantes.

“Nos anos 70, o produtor que ‘descobriu’ o Bob Marley e o lançou para o mundo com o disco ‘Catch a Fire’ (1973), o inglês Chris Blackwell, esteve no Brasil e se encantou com a música de Jorge Ben – ele conheceu alguns de nossos grandes nomes, mas Jorge foi quem mais o impressionou. Resolveu gravar um disco dele e lançar pela sua gravadora, a Island Records, e transformá-lo numa espécie de ‘Bob Marley brasileiro’.”

Matheus Luzi – Você teria alguma história ou curiosidade impactante para nos contar referente a essa pauta?

Kamille – Tenho algumas. Nos anos 70, o produtor que “descobriu” o Bob Marley e o lançou para o mundo com o disco “Catch a Fire” (1973), o inglês Chris Blackwell, esteve no Brasil e se encantou com a música de Jorge Ben — ele conheceu alguns de nossos grandes nomes, mas Jorge foi quem mais o impressionou. Resolveu gravar um disco dele e lançar pela sua gravadora, a Island Records, e transformá-lo numa espécie de “Bob Marley brasileiro”. Jorge e a banda Admiral Jorge V – que o acompanhava na época e com quem gravou “África Brasil”, além de “Solta o Pavão” e o disco ao vivo “Jorge Ben à L’Olympia” — foram para Londres em 1975, mas a coisa entre Blackwell e Jorge acabou azedando. No livro eu conto os detalhes. O disco, que se chama “Tropical”, saiu no ano seguinte na Inglaterra e em 1977 no Brasil, mas sem a pompa inicialmente desejada por Blackwell. Eu tentei entrevistá-lo, cheguei a trocar e-mails com sua assistente e com sua assessoria de imprensa no Brasil, mas ele acabou não falando. Acho que essa história, que eu resgato no livro, dá um pouco a dimensão da importância e magnitude de Jorge Ben.

Matheus Luzi – Fique à vontade para falar o que quiser.

Kamille – Acho importante frisar que meu livro aponta como, ao longo da história, diversos estereótipos racistas foram associados a Jorge Ben e a sua música, mesmo quando a intenção era o elogio. Também procuro mostrar que a música que ele criou não surgiu “do nada”. Embora o Jorge nunca tenha passado por conservatórios de música, ele tinha uma formação musical muito rica: seu pai era músico e tocava em bloco e em escola de samba, além de ter uma banda, e sua mãe tocava violão. Ele próprio começou a tocar pandeiro e surdo ainda na adolescência. Depois, estudou piano, órgão e canto gregoriano no seminário católico, que frequentou (sim, o Jorge foi seminarista). Também conta ter sido levado ao jongo por seu pai e diz que ouvia muitos discos de música nordestina em casa. Considerar que apenas o estudo que envolve a leitura de partituras é válido é uma visão muito eurocêntrica. A cultura afro-brasileira tem forte tradição oral, e isso não deve ser desprezado. O Jorge tem uma formação musical muito múltipla, resultado do ambiente musical onde cresceu e do contato que teve com os diversos ritmos brasileiros, como o samba, o maracatu, o baião, o jongo e a música de terreiro, além da música sacra. Existe um trabalho intelectual por trás da construção de sua obra e ao longo do tempo tentaram retirar isso, classificando-o como “selvagem”, “força da natureza”, alguém que tinha “um dom”, que “não sabia como” criou o que criou e coisas do gênero. Além disso, é um ávido leitor e muitas vezes usou os livros como fonte de inspiração para suas letras.

“Acho importante frisar que meu livro aponta como, ao longo da história, diversos estereótipos racistas foram associados a Jorge Ben e a sua música, mesmo quando a intenção era o elogio.”

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