30 de maio de 2024
Listas de lançamentos Lupa na Canção

Lupa na Canção #edição2

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas novas, quentes, diferentes. A seleção é eclética, serve para todos os gostos.

É importante ressaltar: que as posições são aleatórias, não indicando que uma seja melhor que a outra; essa lista é atualizada diariamente, até o encerramento do mês.

Bruno Ruy“Trilhas” – (single)

Dois produtores musicais experientes: Giba Moojen (@gibamoojen) e Rick Bonadio. Entre suas apostas, está o jovem gaúcho Bruno Ruy (@brunoruyoficial). Antes desse mega-apoio, no entanto, Bruno mostrou seu perfil artístico de forma independente, o que aconteceu com o lançamento de “Trilhas”.

A canção é acompanhante do livro “Várias trilhas de um caminho de cura”, lançado por ele com sua mãe. Ambos têm a jornada de encontro de um menino de saúde frágil com a felicidade. “Trilhas” foi um dos pontos que atraiu Giba, o lidero do Selo Gear Music (@gearmusic), ao qual Bruno faz parte.

Hoje, porém, o jovem artista relança a canção profissionalmente. O novo “Trilhas” dá sequência a esta carreira sofisticada iniciada em 2021, com quatro singles que culminaram no EP “`Âmago”.

Bruno Ruy, apesar da juventude, expressa em suas obras maturidade musical e poética, sabe o que está fazendo. Seu som beira o que chamamos de Pop/MPB, e suas mensagens são baseadas na essência humana e sua relação com o mundo, a fim de provocar reflexões em quem as ouvem.

“Trilhas” está disponível em nossas playlists “MPB – O que há de novo?” e “Brasil Sem Fronteiras”

Jova“Ao Meu Lado” (single e clipe)

Faixa importante do próximo disco do cantor-compositor carioca Jova, “Ao Meu Lado”, produzido por Gustavo Schirmer, tem características ímpares. É uma canção pop, moderna, dançante e amarrada ao eletrônico, mas tem o seu ministério indie rock e emocional.

O sentimento da canção é o que está entre as colchas de um relacionamento ao modo platô. Isso quer dizer: não sai do lugar, porém ambas as partes reconhecem possibilidades do porvir.

O lançamento chegou acompanhado de clipe, que teve a missão certeira de ilustrar em imagens a mensagem de Jova neste som.

Disponível nas playlists “Pop Rock Nacional” e “Brasil Sem Fronteiras…”

Clarissa Bruns – “Esse Samba” – (single)

O novo single de Clarissa Bruns (@clarissa.bruns)é um samba que é irmão da MPB e de elementos sonoros modernos. “Esse Samba” é elegante, fino e de poesia marcada pelo romantismo.

Apesar dessa característica contemporânea, a canção não sofreria nenhum problema interpretativo se fosse lançada há algumas décadas. A equação fica assim: atual e atemporal.

Lelê Floresta – “Contraluz” – (single)

Um som tropical e moderno e que deve muito a MPB. É este um dos possíveis resumos da sonoridade de “Contraluz”, o novo single de Lelê Floresta (@lelefloresta).

Faixa importante do disco “Corpo”, programado para os próximos dias, “Contraluz” é poeticamente rico ao falar do encontro com a luz, com a verdade do sol, ainda que despretensiosamente.

Mu’gambi – “Samba de Fim de Tarde” – (single)

Em “Samba de Fim de Tarde”, o novo single de Mu’gambi (@umjoaonomundo), há poucas palavras. Os primeiros segundos são de papo intimista e quase sem percepção do que é dito, ao estilo sussurro.

Após a metade da música, cantos de “talaralaralarala”, porém de malemolência indiscutível. O resto desta história é emoção. Sentimento que performa por meio do lo-fi, samba, jazz e bossa nova.

Telka – “O Caminho” – (single)

A palavra “saudade” não existe no vocabulário francês, país de origem da cantora e compositora Telka (@telkamusic). No entanto, em seu íntimo, essa palavra faz-se frequente desde 2013, ano em que viveu um curto período no Brasil.

Da vontade de rever o nosso país e, ao mesmo tempo, de homenagear a cultura brasileira, surgiu “O Caminho”, canção que expressa as referências bossanovistas.

Jessé Cruz – “Com Você” – (faixa do disco “Cena 71!)

“Com Você”, uma das faixas do EP de estreia do cantor e compositor baiano Jessé Cruz (@jessescruz), é romântica e bem intencionada em atingir os apaixonados. Essa mensagem de chocar corações, vem pelo caminho do R&B, embasado na brasilidade, e também elementos eletrônicos.

Hodari – “Signos” – (single)

O cantor, compositor, modelo e tatuador brasiliense Hodari tem em “Signos” uma canção que, francamente, é difícil avaliar. Qualquer volume de palavras não corresponderia ao âmago dançante, nostálgico e originalíssimo desta novidade.

O teu play, esse sim, será capaz de desvendar o mistério pop e alucinante desta música.

Disponível na playlist “Pop Nacional – Lista Dinâmica e Atualizada

Polemos – “Mess Communication” – (single)

O que a banda Polemos fez em “Mess Communication” é como descobrir uma teoria musical. Quem entende o som, entretanto, aplicou alucinadamente bem a descoberta. É assim, com palavras confusas, que tento expressar um pouco desse rock n’ roll ao estilo MBIA (Música Brasileira Indefinida e Alternativa), a nossa playlist de abrigo para essas que “são” e “não são”.

A música confunde os miolos e dá nó na guela, mesmo que o comunicado de imprensa tente explicar a relação do grupo com o descontentamento político e da sua consequente manipulação popular, algo expresso no nome da canção (“mess communication” = “comunicação de massa”).

O contexto social bem armado contracena com arranjos assustadores para os que não estão acostumados com tanto experimentalismo, originalidade e inovação. Assim, seria proposital a Polemos aproveitar essa espontânea experiênica na contramão e dizer que é possível, sim, seguir o seu próprio caminho?

FICHA TÉCNICA —> Voz: Oldemar Montenari / Voz: Gabriel Rudow / Voz: Luciana Garcia / Teclado: Leandro Dias / Guitarra: Didito Dias / Baixo: Daniel Kosinski / Bateria: Jahir Soares / Violino: Larissa Torres / Gravado, mixado e masterizado no Espaço Ipiranga por Leandro Dias / Produção: Leandro Dias.

Patrícia Palácios – “No Seu Sorriso” – (single)

Enquanto médica, Patrícia Palácios tem como missão a cura corporal. Já como artista, suas receitas médicas são em formato de ondas sonoras. Essa “nova profissão” se revelou ao mundo em 2019, quando ela lançou seu primeiro e único álbum (até o momento).

Homônimo, o disco tem dez faixas, mas “No Seu Sorriso” se destaca, não a toa é a que abre o trabalho. Nos moldes pop rock com toques do reggae, MPB, e do movimento good vibes, a canção é um medicamento musicalmente comprovado contra dores da alma.

A dica: não tenha medo de tomar essa dose!

ZéVitor – “Vermelho” – (Single)

Interpretada por ZéVitor, a canção composta por ele em parceria com Garcia Gabé e Aureo Gandur, “Vermelho” é profética, atual e óbvia desde a época de Matusalém.

Ela nasceu da necessidade de dizer em som e poesia quem é o mundo perante os recentes acontecimentos mundiais, a exemplo do aquecimento global, pandemia e a natureza revoltada. Mas a guerra na Ucrânia encabeçada por Vladimir Putin, tornou-a urgente, para-ontem.

Infelizmente, “Vermelho” soa como um prefácio de um planeta que tá-que-não-guenta seus carrapatos, como bem disse Raul Seixas em 1974, na faixa “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”. Veja o trecho:

Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo

Encerro esta nota com uma mensagem pessimista criada sob encomenda: “Seria uma delícia descordar desta canção, e vê-la apenas como uma coisa sem-cabimento.”

Ficha técnica

Bateria Acústica: Marcelo Wig / Percussão, Guitarra, Backing Vocal: Garcia Gabé / Bateria Eletrônica, Baixo, Guitarra Base e Guitarra solo, Efeitos Sonoros, Teclado: Aureo Gandur / Piano Elétrico, Sintetizador, Escaleta: Leo Fernandes/ Arranjos e Produção Musical: Garcia Gabé e Aureo Gandur

Guilherme Schwab, Jonavo – “Só no Pantanal” – (single e clipe)

Há mais de quatro décadas, a música do campo tem espaço quase indiscutível no cenário cult da MPB. É um fenômeno inimaginável para os pioneiros da música caipira. Renato Teixeira e Almir Sater são violeiros e cantautores com responsabilidade significativa neste ponto. Também Elis Regina, ao gravar “Romaria”, em 1977, momento considerado decisivo neste processo.

A inserção da áurea do autêntico sertanejo e o acesso às novas tecnologias digitais possibilitaram que o carioca Gui Schwab abraçasse a viola caipira como um dos seus principais instrumentos de trabalho. Distante das terras cariocas, o sul-mato-grossense Jonavo “contrariou” o incentivo musical da região onde nasceu, tornando-se violonista.

Juntos, em “papeis culturalmente invertidos”, em março deste ano gravaram e lançaram “Só no Pantanal”, canção dita como “pop rural” ou “folk pop brasileiro”, que se entrelaça à MPB. Na letra, uma resposta sertaneja e de preocupação urbana ao sofrimento do bioma sul-americano.

FICHA TÉCNICA

Composição: Jonavo, Gui Schwab, Juliano Cortuah / Gui Schwab: Voz, Viola Caipira / Jonavo: Voz, Violão / Juliano Cortuah: Baixo, violão, produção musical e mixagem / Diego J. Vicente: Bateria / Masterização: Felipe Tichauer.

Arthur Victor“Depois de tudo” – (single)

Noto os olhos fechados nas primeiras frases do violão. Gosto do final da melodia. Quando o segundo violão entra, noto que meu pé começa a balançar. A introdução não é extensa, no tamanho certo para colocar o ouvinte na atmosfera da música. A sua voz é expressiva, tem um timbre particular, forte e fácil de se reconhecer. Os ornamentos que você trabalha fortalecem as características do seu registro vocal, sem excesso.

O 1 minuto exato chega no tempo justo do refrão, e a variação da melodia é bem marcante, pautada especialmente pelo aumento da dinâmica do ritmo, um acerto para demarcar o refrão. A letra nos traz uma mensagem algo triste, um lamento sobre a perda da inocência frente ao desabamento do mundo sobre si mesmo, se encerrando com uma palavra de resiliência, de continuar caminhando em meio aos escombros.

O desenvolvimento do segundo refrão traz novas perspectivas, quando se fala “quero poder dormir, antes de sonhar”, se abre uma poesia do pragmatismo, canto sobre a experiência de vida fraturada, que reconhece que a existência não é vitória, e sim dilema. Frente à ruína de um futuro projetado, resta a escolha pela sobrevivência, a música aqui servindo como último anteparo de humanidade, registro de narrativa, o grande comportamento comum a todos os humanos – se penso, logo narro.

O segundo verso traz o elemento interessante da voz dobrada, o que nos dá a imagem das múltiplas personas que carregamos dentro de nós mesmos, o sonhador, o estoico, o bardo e o demônio auto condescendente. Ao fim de cada dia, temos de escolher para quem vamos passar o bastão.

A ponte, solo bonito, às vezes frágil, passeia por outra harmonia e melodia, um alento, ponto de respiro, pausa para assimilar a geografia da tragédia, projetando-a em nossa própria paisagem mental, introjetando os sentimentos cantados à nossa trajetória individual.

O último refrão, na tendência do segundo, traz ainda novas ideias, costurando novos fios na trama poética, tecido algo esgarçado, porém, que serve de veste para o continuar, o deslocamento incessante entre rochas e areia. Não posso deixar de ver a imagem de um gaucho, com seu poncho empoeirado, caminhando solitário por uma pradaria melancólica da Patagônia, onde, para Enrique Vila-Matas, “existe uma pessoa por quilometro quadrado, e reina o silêncio”.

Escrito por Eduardo Pastore

ArtDéco – “Panama” – (single)

“Panama” é o paraíso, segundo esta música do francês ArtDéco. O local, que é descrito como um jardim privado dos problemas mundanos, tem um novo hóspede: o eu lirico da música.

Porém, os arrependimentos de uma vida escassa acompanham o personagem. O paraíso e os sentimentos insalubres definem a estética da obra: o dualismo entre melancolia e serenidade.

Essa foi uma explicação da poesia de ArtDéco. Do outro lado, temos o que justifica o lançamento ser notícia na Arte Brasileira. “Panama”, entre tantas influências, tem arranjos inspirados na bossa nova, fato marcante e que diferencia-o em meio a multidão europeia.

Letra traduzida (Texto & Música: Théo Aboukrat & Antoine Essertier)

PanamáHábito

Estação das chuvas eterna

La Palma Solidão

Que me afogo num Martini


Longe do Inverno

Entre dois oceanos

Lembro-me de como nos amámos 

Muitas vezes


Excursão

Nostálgico

A memória traz de volta as comportas


Escapadela

Sem desculpas

Com o passar do tempo, a minha alma gasta-se


Longe do Inverno

Entre dois oceanos

Lembro-me de como nos amámos 

Muitas vezes


Panamá

Aliás, sonhar

As ondas estão a voltar


Longe do Inverno

Entre dois oceanos

Lembro-me de como nos amámos 

Muitas vezes

Mu Bispo – “Alguém / Deixa o Tempo” – (single duplo)

As duas faixas autorais são de paixão sofrida, não correspondida, imatura. “Alguém” descreve os minutos, horas e dias que sucedem o término de um relacionamento: as dores e os medos nascendo. A melancolia é tudo nesta música, daquela que chega a ser saborosa.

“Deixa o Tempo” é a compreensão do artista de que o passar lento dos ponteiros do relógio cicatrizarão as feridas da catástrofe amorosa. Assim, enquanto uma canção é de agonizar, a outra estende a mão amiga, com a solução reduzida a paciência que o Deus Tempo exige.

O lançamento, produzido por Mu Bispo com o apoio do produtor Pepe Montagnana, é a metade do EP de estreia, “Não Leve a Sério”, que será lançado em breve.

Sofia Cupertino, Luísa Lacerda – “Deixa Eu” – (single)

“Mãe, eu gosto de brincar de ser a bailarina, porém curto mais batuque, toco cavaquinho muito bem”. É este a frase de entrada de “Deixa Eu”, o novo single brasileiríssimo da cantautora mineira Sofia Cupertino, em parceria com Iara Ferreira, autora da letra.

Esta menção inicial serve de apoio aos próximos versos, e também de sintetizadora de sua grandiosa mensagem. Ao unir o “gostar do balé e ser boa no samba”, justifica-se, a olhos atentos, o atraente título da obra.

O “deixa eu”, numa análise mais estendida e ampla, entende-se como a profundidade subjetiva do ser sem filtros, sem definições do que seria para meninos e meninas, para adultos e crianças, para ocidentais e orientais. A liberdade das ações é a magia da música.

Entretanto, a equação lógica-emocional das autoras e de Luísa Lacerda, cantora e violonista carioca que acompanha na gravação, é atacar artisticamente e com elegância topmodel de vez as restrições ao livre exercício das mulheres.

Os dois entendimentos posiciona “Deixa Eu” como de dimensão universal. Ouso dizer que caso os povos chineses, franceses, congoleses, nicaraguenses, afegãos, canadenses e chechenos a escutem traduzida e adaptada as suas culturas, daria match mole-mole no coração, mesmo com a autocensura moral.

Por fim, é necessário pontuar que este lançamento, guiado pela produção musical de Rafael Macedo e Rafael Dutra, é um pequeno fragmento de “Venusiana”, álbum que Sofia lançará em abril.

Vanguart – “Amar” – (single)

Em 1992, Tom Zé plantou mais uma semente do seu experimentalismo: o álbum “The hips of tradition – The return of Tom Zé”.

Três décadas depois, numa comprovação espontânea de atemporalidade da obra de Tom, a expoente banda mato-grossense Vanguart relê uma das faixas. Se trata de “Amar”.

Composição solitária do tropicalista, a música mantém sua essência nativa nesta versão, mas com consideráveis novas cores, pintadas com o apoio do produtor musical Pinczowski.

O registro faz parte do tributo “Uma onda para Tom Zé”, projeto idealizado por Patrícia Palumbo.

Renato Teixeira / Fagner – “Eu Comigo Mesmo” – (single)

Fagner e Renato Teixeira. Dois ícones da nossa música popular unidos em um disco de nove faixas quase todas inéditas e autorais que cravam a primeira parceria entre ambos.

Programado para o segundo trimestre de 2022, o álbum foi antecipado duas vezes: a releitura de “Tocando em Frente”, que chegou em dezembro de 2021, com a participação de Almir Sater; e “Eu Comigo Mesmo”, lançado no dia 18 deste mês.

Esta novidade, aparentemente, representa um eu lírico que tem em si mesmo o seu maior amigo, conhecedor e companheiro. É algo óbvio, mas desbravado poeticamente como nunca. “Eu Comigo Mesmo” é, portanto, um hino de solitude e amor próprio.

Se as demais canções do álbum “Naturezas” seguirem essa simplicidade, teremos grandes alegrias e emoções!

Sunflower Jam / Ellefante – “Mar de Incertezas” – (single e clipe)

Unidos numa missão de incertezas e maravilhas musicais, as bandas Sunflower Jam e Ellefante lançaram neste mês um ótimo single.

Melancólica, a canção é sobre um amor rejeitado e sofrido de ponta a ponta. Em contraste a essa letra catastrófica, uma sonoridade e arranjos de agito. Corpo nenhum resiste. Corações quebrados nem se fala.

Portanto, é um mix digno de utilidade pública a nível federal. Afinal, uma multidão de brasileiros tem essa característica dualista: sofre, mas frequentemente com bom humor.

É essa a sensibilidade que senti em “Mar de Incertezas”, música que antecipa, ao lado de outras três já publicadas, um tiquinho de “À Deriva”, álbum que a Sunflower Jam lançará em breve.

Nasi, Os Spoilers – “Feedback” – (single)

O bom pop rock “feedback”, novo lançamento de Nasi e Os Apoilers, tem no rock inglês o seu ambiente sonoro e conceitual.

Cravada na estética Beatles e Oasis, a música escrita por Jonny Boy (baixista do Ira!) é uma balada adequada aos que não tiveram sucesso em esquecer a pessoa amada.

Por fim, “Feedback” é apenas mais uma de amor, que quer “voltar pra te ver”, verso sintético da letra.

Desliga da Justiça – “Brasil” – (single)

Lançada pelo bom Cazuza em 1988, “Brasil” era o retrato da áurea dos tempos de Diretas Já e da retomada democrática no Brasil. Entretanto, a música pode caber bem em 1500 até vai se saber quando.

A tese da atemporalidade desta obra escrita em parceria com George Israel e Nilo Romero foi comprovada várias vezes e em várias situações, como aconteceu com a repercutida versão de Gal Costa e a brilhante de Cássia Eller.

Em 2022, ano da turbulenta eleição presidencial, “Brasil” segue sendo relida. A novidade é da banda carioca Bloco Desliga da Justiça, filha do carnaval do Rio. A gravação une rock e samba.

Vamos reviver com novas sensações essa pérola do disco “Ideologia” do querido Cazuza?

Noah Nahas e Dandara Mariana – “Mas Eu Não Vou Voltar” – (single e clipe)

É um funk alternativo, à margem dos estereótipos do gênero. É isso que diferencia este novo lançamento de Noah Nahas, em parceria com a atriz Dandara Mariana, sua irmã.

Apesar da faixa de estreia do artista (“Orgasmo Cerebral”) ser armada socialmente, a letra, sonoridade e conceito desta novidade são baseados no universo surf, na praia, no mar… e no amor!

A sensação que fica é nostálgica. Claudinho & Buchecha vem a mente quando toca “Mas Eu Não Vou Voltar”.

É, portanto, uma canção inovadora. Quebrar fronteiras com ela é mole-mole.

Thaís Almeida e Rafa Bicalho – “Amor Inventado” – (single e clipe)

A onda “pop/MPB” é a essência sonora de “Amor Inventado”, recente single lançado por Thais Almeida em parceria com Rafa Bicalho.

Jovens e pop nos streamings, os artistas tem a manha de unir o que o público quer com a sensibilidade artística. Essas duas questões estão tanto na no sentido musical quanto poético deste lançamento: a dor de um relacionamento fracassado e um som de balança-corpos.

Esta é uma explicação rápida, mas certeira para explicar a boa recepção desta música, e as demais lançadas por Thaís e Rafa.

Anima Mea e Fer & Ju – “Pinot Noir (Vida Leve)” – (single)

Demasiadamente pop, “Pinot Noir (Vida Leve)” é a novidade folk e good vibes do trio Anima Mea com o duo Fer & Ju.

A canção é um calmante natural, tarja preta sem efeitos colaterais. Um estimulante inofensivo para balançar o corpo. Serve também de conselho-mestre, a exemplo dos versos “Tô fugindo de quem só sabe reclamar” e “Não sentir a dor de quem não tenta se curar”.

Este é um pequenino e superficial resumo para uma música que não cabe em palavras.

João Suplicy – “Disritmia” / “Água de Beber” – (single duplo)

Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Martinho da Vila seriam incapazes de imaginar suas composições do mesmo jeito que João Suplicy e seus companheiros de estúdio e produção. Na verdade, ninguém além deles teria essa capacidade.

Esta é minha conclusão a respeito do novo single duplo do artista de 25 anos de carreira.

O lançamento ao qual me refiro revela o ímpar olhar de João para o samba “Disritmia”, de Martinho, e “Água de Beber”, de Tom e Vinicius. Ambas as versões carregam o mix de referências de blues, rock, afro-samba e bossa nova. Uma fusão espontânea e bem encaixada que muito bem posiciona o músico no mercado.

Importante observar a alteração na letra de “Disritmia”. João reescreveu o verso “Vem logo, vem curar ‘tua nega’ que chegou de porre lá da boemia”. Segundo ele, a inversão é baseada na ideia certeira da igualdade entre os gêneros.

A novidade promove “Samblues”, projeto dividido em três EPs. O primeiro já está disponível, e o álbum completo está programa para o segundo semestre deste ano.

Ficha técnica

Mauren McGee – “Metamorfose Ambulante” – (single e clipe)

Lançada em 1973 por Raul Seixas no seu primeiro LP “Krig-ha Bandolo”, “Metamorfose Ambulante” é infinitamente atemporal, e agora segue um novo rumo sonoro. Regravada por muitos, a canção ganhou neste mês um olhar ímpar. O trip-hop, lo fi, jazz, sintetizadores e samples são os diferenciais.

Essa inovação da obra de Raulzito é ideia da cantora e compositora Mauren McGee, com apoio do produtor musical Pedro Penna. A escolha, não a toa, é para a própria artista, já que marca o início de uma nova fase, da qual ir além das paredes do rock é o objetivo. O outro motivo é o próprio mundo aparentemente pós-pandemia.

O lançamento é do selo Canil Records, e também está disponível em clipe no Youtube.

Julia Fatureto – “Alvo Errado” (single e clipe)

Muitos críticos musicais, artistas e uma parte significativa da população denotam o sertanejo universitário como “desgastado”. A crescente ausência de originalidade que perdura há anos, e o cunho predominantemente comercial, são os argumentos mais mencionados.

Essa questão, porém, não é um problema para Julia Fatureto, cantora e compositora paulista que lançou seu primeiro single autoral dentro do gênero. Se trata de “Alvo Errado”.

A música tem traços da MPB, com considerável semelhança à obra de Paula Fernandes. É delicada, romântica, sofrida, singela e cantada por uma voz única. Sob essa perspectiva de inovação e sensibilidade artística, esperamos ansiosos por “Cartas Pra Mim”, álbum do qual Julia irá apresentar outras cinco canções.

O lançamento é do selo Marã Música e também está disponível em clipe no Youtube.

Terno Rei – “Aviões” (single)

Atração confirmada para o Lollapalooza 2022, a banda paulistana Terno Rei inaugurou março com “Aviões”, uma canção alusiva aos tempos de Covid-19. A letra escrita pelo vocalista Ale Sater é melancólica e menciona a saudade (que pode assumir múltiplas interpretações) em meio ao “ano mais triste de nossas vidas”.

O single, após o lançamento, passou a integrar “Gêmeos”, álbum lançado ontem (9), via Balaclava Records.

Antonia Medeiros – “Todas Elas” – (single)

No período escolar, quando a musicista e atriz Antonia Medeiros adentrava na crítica etapa da adolescência, um “companheiro” de classe marcou sua vida. Dizia o menino que “gosto de todos os tipos de mulheres, mas pra mim não pode ter nariz grande”.

Esse gesto indelicado, infantil e bem ao estilo bullying, que serve apenas de exemplo entre tantos outros vivenciados por ela, anos depois poderia explicar a origem de “Salve Todas”, canção autoral lançada em vídeo, em dezembro de 2021.

O registro, surpreendentemente, é um fenômeno: 9 milhões de views no TikTok, quase 70 mil no Youtube e mais de um milhão no Instagram. Há três fatos que podem nos auxiliar a entender o porquê dessa boa recepção:

A letra bem trabalhada que manda “um salve pras mulheres narigudas, pras magras, pras barrigudas, pras rainhas da nossa nação”; uma melodia pop de fácil digestão; e a persona potente e bem posicionada da artista.

A gravação primária é simples, apenas voz e teclado. Formato esse que se revelou mais produzido no recente dia 8, no Dia da Mulher. A data comemorativa e o lançamento combinam plenamente. Além do que se vê/ouve, há algo por trás que justifica o meu argumento.

A produção fonográfica é 100% de responsabilidade feminina. Carol Mathias e Antonia assinam a produção musical. A mixagem e masterização são de Mari Blue. As instrumentistas são Claudia Elizeu (piano), Daniela Spielmann (saxofone), Cris Ribeiro (bateria), Cristine Ariel (guitarra) e Carol Vanni (arranjos do sax).

O sucesso desta obra-mestra embala o show presencial que a carioca realizada em sua terra natal. O evento, que acontece no próximo dia 13 (domingo), as 19 horas, no Teatro Cesgranrio, apresenta canções de “Motriz”, álbum autoral que Antonia lançou há um ano.

Saiba mais e garanta o seu ingresso: https://bit.ly/3HKdCJh

André Loyola – “Ponta Cabeça” – (EP)

O cantautor mineiro André Loyola aterrissou em suas plataformas de streaming um ousado projeto: o EP “Ponta Cabeça”. De apenas duas faixas, o trabalho é uma referência a energia carnavalesca, inspirada na brasilidade e com toques de nuances da música latina.

Essa festa toda de “Ciranda” e “Pra Te Fazer Feliz” (clipe aqui) é a estética sonora, no entanto, antagoniza com letras de reflexões e profundidade.

O lançamento recebeu um espaço especial em outro postagem, com mais detalhes sobre.

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Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.