26 de fevereiro de 2024
Listas de lançamentos Lupa na Canção

Lupa na Canção #edição5

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas novas, quentes, diferentes. A seleção é eclética, serve para todos os gostos.

É importante ressaltar: que as posições são aleatórias, não indicando que uma seja melhor que a outra; essa lista é atualizada diariamente, até o encerramento do mês.

Leco Nascimento – “Cidadão de Bem” – (single+clipe)

O agora Leco Nascimento é deboche puro em seu novo single, “Cidadão de Bem”. Claramente uma referência ao atual mandatário presidencialista do Brasil, mas assumidamente não uma campanha, a música é uma direta à hipocrisia. “Não é protesto, é deboche mesmo. Nunca fiz campanha, não peço voto pra ninguém. Quem está bem informado e bem intencionado já sabe o que fazer. Apenas entendo que não dá pra ficar calado diante da loucura que está acontecendo no país. “, diz Leco.

Apesar de tal referência, enxergamos em “Cidadão do Bem” uma carta para todos os homens, uma vez que raramente o que sai da boca é o mesmo que se fez em outrora. Vale dizer: o single também traz uma essência bem importante: a veia Raulseixista.

Faixa disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “É rock nacional, Senhô!”

ZINGO – “Beijos que Guardei” – (single)

O cantor e compositor ZINGO dá sequência a sua carreira musical com o single “Beijos que Guardei”. A música une as ideias musicais da nova safra da MPB à levada Rhytm and Blues (R&B), com uma pegada romântica, e que carrega a energia de um artista que acredita no Amor Livre. As batidas são do BeatMaker DJ B8, e a autoria da canção é do próprio ZINGO. Confira!

Índigo“Sex Appeal” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– Em qual contexto ela surgiu? Escrevo músicas desde aproximadamente os 14 anos de idade, e a ideia básica deste single foi criada ao longo de muitos anos. O tempo só me mostrou como era uma ideia sólida, divertida, e posteriormente a letra da música começou a surgir de forma um tanto quanto natural e displicente durante noites de rolês em São Paulo, onde morava até 2021, já que apesar de sua composição simples, a música tem uma forte energia e nuances mais sensuais que remetem a movimento, e assim foi ficando claro qual deveria ser o contexto da música e sua história. Mais recentemente, decidi gravar a música e meus amigos Gustavo e Daniel, integrantes da Índigo, me ajudaram de forma genial a completar a composição para a gravação.

– O que a letra nos diz? A letra conta a história de uma noite ébria entre amigos, na qual um homem se perde pela beleza de uma mulher. À medida que as horas passam, o eu-lírico se torna mais “animado”, e assim também segue a intensidade da energia instrumental da música. À medida que as horas passam, o eu-lírico também se torna cada vez mais impaciente, desejoso, e a ebriedade por vezes é evidenciada em detalhes de esforço e “quebras” na voz. 

– Qual a mensagem dela? A intenção deste single é principalmente divertir o ouvinte com sua letra descontraída e sua fortíssima energia instrumental. Entretanto, sua letra também aborda como a beleza da mulher muitas vezes torna os homens “bobos”, e como o fascínio e o desejo pela beleza de uma mulher pode ser, ao mesmo tempo, o brilho nos olhos e o vício de um homem… a vitória e, ao mesmo tempo, o ponto fraco e a derrota de um homem.

Respostas de Fred Chibeni, músico e compositor da banda Índigo

Da Cruz“O Corpo” – (single)

No dia 4 de novembro, a cantora e compositora Da Cruz chegará ao lançamento do seu quinto álbum completo (“Baladas da Luta”), que dará sequência a carreira fonográfica iniciada em 2007 e prestigiada, segundo seu perfil do Spotify, especialmente por públicos brasileiros, espanhóis, suecos e franceses.

Antes, no entanto, a artista lançou três singles que apresentam um tanto do que esperar do álbum. O mais recente é “O Corpo”, faixa com a qual Da Cruz compartilha sua ideia sobre o corpo humano, sendo este “uma ode ao próprio corpo, essa fonte de inspiração, essa interface entre e o eu e o mundo”, como ela mesmo descreve.

A música, que foi gravada em Madrid (Espanha), é alegre e esta alegria é traduzida no clipe que inclui contribuições de dança de vários dançarinos do TikTok de todo o mundo. Confira!

Ciel Blue “Vagando Pelo Cais” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– Qual a origem da música? Resposta do integrante Thiago: “Vagando Pelo Cais” nasceu do sentimento de abandono que rodeia o nosso povo.

– Qual abordagem vocês trazem na letra? Resposta do integrante Thiago: A denúncia sobre a sabotagem do tempo é o norte da música, deixamos claro que as engrenagens que fazem o tempo seguir foram sabotadas para favorecer os que se beneficiam do passado. E através da poesia jogamos luzes na coragem de grandes mulheres e homens que dedicam a sua existência para mover os ponteiros.

– Qual a mensagem da música? Resposta do integrante Thiago: Vivemos em um mundo em que é proibido viver, amar, sofrer e se rebelar contra quem proibiu. Precisamos dos nossos corações livres para não nos perdemos ao olhar para o passado, e sim, buscar nele a coragem que sacode os tempos.

– Quais suas considerações a respeito da sonoridade e arranjos da música? Resposta de Hugo Noguchi, produtor da faixa: Como se espera de uma parceria, tentei nessa produção mesclar a identidade sonora da Ciel Blue com a minha. Sinto neles um folk ali da década de 60, Joan Baez e tal, mais Dylan, do qual somos fãs em comum, somadas à interpretação e a visão características de Tharcísio e Thiago [integrantes da Ciel Blue] respectivamente que dão uma personalidade própria à canção.

Da minha parte a estética da música está muito atrelada a do disco que lancei ano passado (“Humaniora”, pelo qual conheci a Ciel), onde tentei fundir beats – dentre outros – do rap underground americano de 90 como de Soul of Mischief, Wu Tang Clan, J Dilla, Nujabes etc; com instrumentos e interpretação vocal mais atrelados ao cancioneiro brasileiro e americano/inglês.

Algo como o que o primeiro disco do Gorillaz consegue fazer, mas puxando mais para um folk irlandês 2000 como Travis, e obviamente com uma essência brasileira transportada para a música através de nossa vivência. Acredito que a mistura tenha dado certo pela abertura e liberdade que a Ciel me deu para a produção, pelas quais sou muito grato.

Marcos Jobim“Horta” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– Qual mensagem que há por trás desta obra instrumental? “Horta” significa um espaço de florescimento, crescimento e alimento, em que os temperos se misturam para nos saborear com arte o significado do movimento do tempo em vida. Ao mesmo tempo, homenageia o compositor Toninho Horta, que representa essa fusão única de elementos e motivos melódicos e rítmicos que se conformam numa escola de harmonização brasileira estudada por músicos mundo afora.

– Comente sobre o álbum “Ensaio Sobre A Vida E O Tempo”, ao qual “Horta” é a faixa de abertura. O álbum “Ensaio Sobre A Vida E O Tempo” trabalha a transitoriedade dos afetos e os ciclos naturais como representativos dessa passagem do tempo. Para alcançar esse conceito, há uma mescla de gêneros e climas entre as 8 faixas da obra que dão indício da dinâmica natural do tempo sobre o percurso em vida. Funde-se no caldeirão da minha MPB um tanto de Bossa Nova, Jazz, rock progressivo, música contemporânea, Valsa, com referências tais como Clube da Esquina, John Coltrane, Guinga, Pink Floyd, Yes, Tom Jobim, Vitor Ramil etc.

– Como podemos perceber a influência do compositor e instrumentista Toninho Horta nesta música? Não há nenhuma menção a alguma composição de Toninho Horta, mas há um tanto do espírito que reside em sua forma de expressão, com a vocalização da linha melódica principal mediante o passeio da roupagem harmônica, que altera o sabor da melodia de acordo com o intervalo no acorde. Quando compus a música, lembrei imediatamente de Toninho Horta e considerei uma boa ideia o uso de seu sugestivo sobrenome para dar significado à noção de princípio motor. Toda horta bem cuidada e florescida nos brinda com seus temperos. É fonte de alimento; fonte de vida.

– Para finalizar, comente o arranjo e a sonoridade de “Horta” e como ele representa a sua carreira. O arranjo de “Horta” possui voz e violão (Marcos Jobim), sax soprano (Ronaldo Pereira), contrabaixo acústico (Ghadyego Carraro), percussão (Marcelo Pimentel) e bateria (Lucas Fê). A voz e o sax conduzem o diálogo da linha melódica principal, o violão apresenta a harmonia sobre a qual se fundamenta a canção, o contrabaixo faz contrapontos melódicos com uso do arco na introdução e conclusão, impondo o balanço rítmico durante o seu desenvolvimento, enquanto a bateria e a percussão fazem um rico diálogo rítmico com acentos que lembram o candombe, porém com um sotaque brasileiro. 

De certo modo, esse arranjo diz muito sobre a forma como gosto de fazer a canção, atendendo a uma necessária conexão entre as diversas referências do que escuto e do que pretendo esteticamente.

Respostas de Marcos Jobim

Isabella Bretz“Sentido” – (single+clipe) – [MINI ENTREVISTA]

– “Sentido” é uma mensagem libertadora, para dizer o mínimo. Afinal, quais reflexões podemos extrair da música, na sua perspectiva? Eu acho que a mensagem central da música é a necessidade de voltarmos nossas atenções para o básico, para estarmos presente no momento e termos consciência dos estímulos que recebemos a cada minuto nos nossos sentidos. É claro que não conseguimos estar atentos a isso o tempo todo, mas as distrações costumam nos afastar muito de nós mesmos. A visão, audição, olfato, tato e paladar são ferramentas muito potentes para nos trazer de volta. Concentrar no presente também pode nos ajudar muito a evitar ligações exageradas ao que já passou e ansiedade para com o futuro. A vida é feita de pequenas coisas, as grandes são muito raras. E além disso, elas se fazem pelas pequenas. Então sinto que o melhor é tentar aproveitar ao máximo esses momentos.

Outra questão é que os sentidos podem nos auxiliar muito a evitar o perigo e resolver problemas quando estamos atentos a eles. Um detalhe que passou despercebido num texto, um objeto que chamou a atenção, um som ou fala que conectou os pontos, um cheiro estranho numa comida que já estragou, uma textura diferente que nos dá algum sinal. Acredito que quanto maior for o nosso repertório de sensações, melhor poderemos identificar situações, soluções e oportunidades.

– Achei incrível a produção e gravação do single, com tantas vozes, camadas etc. Como foi este processo e o que ele simboliza para o som como um todo? A música já foi escrita pensando em camadas vocais. Foi a principal opção sonora que me veio à mente para despertar sensações, já que eu estava escrevendo sobre sentidos. Mas isso foi bastante ampliado durante as gravações. Rodrigo e eu gastamos bastante tempo pensando e gravando cada uma delas. Por fim, ainda somamos algumas criadas em software, para trazer um toque digital nessa ambientação acústica. Quando já tínhamos feito nossa parte, chamamos nossa amiga e super artista Katerina L’Dokova para contribuir com o arranjo e também gravar sua voz. Ela sempre teve um aspecto vocal muito forte no seu trabalho, que é composto especialmente por inspirações na música bielorrussa e jazz. Ela entrou totalmente no clima da música e criou ainda mais camadas. Para acompanhar essas vozes e construir mais sensações, o Rodrigo criou um arranjo cheio de elementos percussivos, inclusive diversos sons feitos com a boca e com objetos, que brincam ao redor dos ouvidos.

– Como o clipe de “Sentido” ajuda a mensagem da canção se intensificar?

O vídeo tem o corpo como protagonista, que é o meio pelo qual os sentidos são captados. Através da expressão corporal literalmente brilhante de Daria Majewska e Kristóf Szabó, cada sentido é retratado. Essa narrativa foi construída através de uma filmagem lindíssima cedida pelo Koolshooters, produtora do fotógrafo Tom Leishman. Mergulhei nas cenas e eu mesma fiz a edição, utilizando pele, olhares e movimentos para trazer essa sensação de presença, de atenção aos sentidos. Gostei muito do resultado, achei que som e imagem fizeram um belo par! Espero que o público também goste 🙂

– Há alguma história ou curiosidade interessante sobre o lançamento? Acho que eu destacaria como curiosidade a forma como escolhemos a capa. Um pouco antes do lançamento do nosso primeiro single, “Cicatriz”, passando pelo Instagram encontrei aleatoriamente uma imagem que me capturou totalmente. Era uma escultura de Johnson Tsang (Hong Kong). Fiquei olhando pra ela por muito tempo, viajando pela sua forma e muitos significados. Encontrei seu próprio Instagram e website. Fiquei passeando pelas obras. Eu imediatamente fiz uma relação daquela primeira imagem com a música “Cicatriz”. Depois encontrei outra que liguei diretamente a “Sentido”. Sua página tem mais de 500 mil seguidores e pensei ser impossível falar com ele. Eu tinha um pedido arriscado a fazer. Mas segui e disse a ele que suas obras haviam me causado um grande impacto e que eu gostaria muito de utilizá-las como capas para esses respectivos singles. Fiquei muito surpresa e feliz ao receber sua resposta dias depois, autorizando com muita gentileza esse uso. São capas muito especiais pra mim, que rompem barreiras geográficas e culturais, demonstrando anseios e reflexões comuns a nós dois. A internet pode ser muito tóxica às vezes, mas ela realiza maravilhas antes impensadas.

Respostas de Isabella Bretz

ZINGO“Tem Que Parar” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– O que originou essa canção? “Tem que Parar” surgiu em meio a uma fase onde eu buscava calmaria em meio à ansiedade, medo e tristeza em decorrência da pandemia, tudo o que eu queria era que o tempo voasse. Daí, iniciei uma reflexão sobre o quanto a percepção de tempo pode mudar de acordo com momentos da vida.

– A música é uma reflexão sobre o tempo. O que, em linhas gerais, você traz como mensagem? Na canção “tem que parar”, esse “parar” tem a ver com viver o momento presente, como se fosse a única coisa a se fazer.

E pra mim, o Amor verdadeiro faz com que apreciemos o momento presente. A gente curte aquela sensação de estar amando e vivemos o amor em sua totalidade. Daí percebemos que nem o passado e nem o futuro tomam esse lugar.

– A sonoridade e arranjos de “Tem que parar” são, ao meu ver, inusitadas e criativas, entre outras observações. O que você pode dizer a respeito? Luiz Bueno, meu produtor musical e arranjador, conseguiu com maestria traduzir o que essa música representa para mim. “Tem que Parar”, além de ter uma levada bem brasileira, é uma música que traz dinamismo e movimento que o tempo tem.

Luiz construiu através dos arranjos de violão, backing vocals e os toques de percussão uma harmonia e um ritmo que me remete ao som de um relógio trabalhando.

– O que o percussionista Jota Erre acrescentou no registro? Jota Erre trouxe alma através do seu toque de percussão tão brasileiro e conseguiu criar essa atmosfera do tempo através de sons que remetem a um relógio, exatamente como Luiz e eu imaginamos.

Respostas de ZINGO

Raíssa Azevedo – “Tales Of The Past” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– O que a música representa para além do instrumental? Há alguma mensagem? É uma reflexão para olharmos o passado para entendermos o futuro utilizando a Idade Média como base, e também um certo apelo para não cometermos os mesmos erros de antes.
– Para qual público e em qual situação você indica “Tales Of the Past”? Para o público jovem/adulto, e indico ouvir a música para meditação, para refletir sobre a vida, ou também para algum grupo que jogue RPG (jogo de interpretação de personagens) e queira utilizá-la em alguma aventura.
– O que você pode dizer a respeito da música em si, da sonoridade? Busquei utilizar elementos melódicos e harmônicos que entregam uma certa profundidade sonora para que o ouvinte possa desfrutar de uma imersão pelo período medieval.
– O que a música diz sobre seu EP? Ela é um resumo de pequenos trechos das outras músicas que estarão no EP. Uma espécie de spoiler o qual convida o ouvinte para uma viagem reflexiva e histórica através de cada faixa.

Respostas de Raíssa Azevedo

Disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “Apenas instrumental BR”

Rica Lenzi“Bicho Homem” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– Quais dores do mundo atual tanto te inspiraram a escrever “Bicho Homem”? “Bicho Homem” surge de um sentimento de indignação com as notícias que estão presentes no dia a dia do nosso povo. A música traz uma crítica geral à violência, discurso de ódio, e também o desrespeito com a natureza. Mas o tema principal é a força e a fé do povo brasileiro para seguir adiante, enfrentando diversos obstáculos no cotidiano do nosso país.

– O que os versos do single nos dizem? Quais são suas principais colocações? Os versos falam sobre a força e a fé das pessoas, que mesmo com as adversidades do nosso país, seguem firmes de cabeça erguida dia após dia na sua sobrevivência. E destaco sobre isso, o segundo verso da música, após o refrão, que traz uma reflexão sobre, olhar para as nossas atitudes e pensamentos, abrindo os olhos pro mundo ao nosso redor.

– A sonoridade de “Bicho Homem” é “radiofônica”, posso assim dizer. Você concorda? O que dizer, enfim, da questão musical do single? Acredito que sim, talvez “Bicho Homem” tenha um perfil radiofônico, ė uma música bem dinâmica, que faz transições de ritmos durante a música inteira. Eu curto muito o resultado final da nossa produção, a força da melodia combina exatamente com a forma que eu queria trazer a mensagem da letra.

Respostas de Rica Lenzi

Disponível nas playlists “O reggae do povo brasileiro”, “Brasil Sem Fronteiras…” e “É rock nacional, Senhô”

Camila Brasiliano e Felipe Borim – “Água (Water)” – (single)

A terceira canção do novo EP da cantora e compositora Camila Brasiliano e do violonista e compositor da faixa Felipe Borim é uma pancada sobre a existência. Intitulada “Água (Water)”, a música narra a crise existencial de Clara, personagem fictícia que, nesta canção como episódio final, encontra seu porto seguro e suas raízes. Com produção de Antonio Loureiro, também responsável pela percussão e piano, “Água (Water)” tem em sua essência musical referências do Clube da Esquina de Milton Nascimento, do rock alternativo e do jazz contemporâneo. Confira!

Carlos Gayotto“Tempo Suspenso” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– Como essa música surgiu e o que você retrata na letra? Escrevi essa canção enquanto eu era um videomaker e gravava Time Lapses para uma empresa. Enquanto esperava o take do sol se pondo para a câmera, pensei “o que pensaria Deus desse por-do-sol?”. Mas aí lembrei que o sol era dEle mesmo e que eu tentar colocar aquela beleza em palavras, música ou time lapse era insuficiente para demonstrar a perfeição do próprio pôr-do-sol. Acredito que essa insuficiência da arte seja uma de suas paradoxais belezas.

– Quais foram suas referências musicais para gravar “Tempo Suspenso”? No estúdio eu tentei buscar referências dos meus ídolos Bob Dylan, Mark Knopfler e Ennio Morricone, mas com o aspecto mais “western” possível para espelhar este pôr-do-sol da canção.

– Conte-nos alguma curiosidade ou história referente a este lançamento. Eu morava nessa época nos EUA e havia terminado um relacionamento de muitos anos. Eu apenas hoje tenho consciência que estava em depressão enquanto compus a música.

Respostas de Carlos Gayotto

Banda Revolução“Armagedom” – (single)

O álbum “Sucessos Desconhecidos”, apresentado em 2012, marcou o lançamento fonográfico da banda mineira Revolução. Desde então, os caras lançaram vários singles, EPs e álbuns. Os trabalhos mostraram um grupo preocupado com o mundo, tendo um lado politizado intenso.

Essa característica de bem-estar social tem uma espécie de auge no novo lançamento da Revolução, o gracioso single “Armagedom”, que agora checa com roupagem acústica, contracenando com a versão original presente no álbum de estreia.

Estruturalmente simples e genuína, “Armagedom” tem versos ácidos de esperança e, ao mesmo tempo, de revolta, ditos por um vocal que exala verdade e uma aura de olhos-de-sangue e sede por mudança. Não a toa, os integrantes consideram “Armagedom” como o som que mais sintetiza a essência da banda.

Johnny Kiff, letrista e vocalista, nos conta o motivo de regravar a música: “Eu vejo que mais do que nunca a mensagem dessa música é necessária no Brasil. Estou cansado da forma como o sistema funciona e como as pessoas são controladas e colocadas umas contra as outras, sendo que todos saem perdendo. Precisamos repensar muito o controle que as mídias digitais exercem sobre nós, e como precisamos ser mais solidários uns com os outros em meio a esse apocalipse”.

“Armagedom” já está disponível em todas as plataformas de streaming!

Disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “É rock nacional, Senhô!”

Titcho Looper“O Encontro” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– Qual a origem desta música? Qual sua mensagem? Essa canção fala sobre a aceitação como um todo. Se encontrar vai além de entender o espaço-tempo e sociedade que vivemos… passa por momentos íntimos e divisores de água, e passa por paisagens também, aonde o mar deixa tudo mais bonito.

– Quais suas considerações sobre a sonoridade dela? O produtor da faixa Eduardo Mangueman, sugeriu arranjos de metais para a faixa, aliada a uma guitarra brasileira. O Resultado foi uma produção de timbres atuais e vintages mesclando o Pop e o Afrobeat… A ideia do refrão em inglês vêm claramente de influência tropicalista de Caetano Veloso, e o resultado foi uma batida coesa e dançante que abraça a melodia e letra.

O que esta faixa nos revela sobre seu novo disco de inéditas? “Única”, o nome do álbum, constitui 6 faixas q falam de alguns processos que passamos na Vida, que a torna única, separei as músicas por atos, como por exemplo: “Procura”, a “Dúvida” e o “Encontro”. Única de certa maneira narra o caminho da vida. “O Encontro” foi a faixa escolhida para ser a primeira dessas sensações narradas em forma de música.

Respostas de Titcho Looper

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

DIMAS“violência visual” – (álbum) – [MINI ENTREVISTA]

– O que, de fato, deu vida a esse álbum? Qual a história máxima por trás? São cartas escritas em uma década para as pessoas que perpetuaram diversas violências na minha vida. As letras podem ser enxergadas como uma história contada diretamente, narrada a um remetente, mas feitas para gerar identificação com quem quer dizer as mesmas coisas que eu mas ainda não teve chance.

Sofri bullying e perseguição por um grupo supremacista durante meus anos no colégio. Essa história mudou minha vida, pois eles fizeram um inferno na terra. Tive de me esconder, fui agredido fisicamente, ameaçado de morte, me assumi de forma forçada para a minha família e sai da escola escoltado pela ronda escolar. Todo o imbróglio durou cerca de 4 anos, e só acabou no meu primeiro ano de graduação. As composições de “Violência Visual” foram uma maneira de pôr fim a esse momento da vida e retratar resiliência.

– Escolha uma faixa (a mais “intensa) e comente sobre ela. É uma estratégia para o nosso leitor ter um caminho para conhecer o álbum. Creio que a faixa 5, “longa cicatriz”, ela dá esse senso literário da carta e faz entender o propósito central do disco: endereçar as consequências do trauma.

– O que você pode dizer a respeito da sonoridade/arranjos de “violência visual”? É um disco emocional. Os arranjos focam em destacar as guitarras em forma de choros ou gritos que se mesclam muito bem à lírica. Os sintetizadores já brincam no background com a intenção de trazer a intensidade e a confusão interna. Um mix de pop contemporâneo com rock progressivo e anos 90.

Respostas de DIM

Três faixas disponíveis em “Brasil Sem Fronteiras…” e “É rock nacional, Senhô”

VIIC“Azul Oceano” – (single)

VIIC é uma cantora e compositora brasileira que iniciou sua trajetória fonográfica recentemente, em 2021. Então, o single de estreia “Pra Não se Machucar” já havia dito um pouco de sua personalidade artística. VIIC persistiu seu caminho musical com outras quatro canções, todas lançadas individualmente.

A mais recente chegou no dia 2 de setembro, e recebeu o nome “Azul Oceano”. A música segue a melancolia da artista, e tem produção musical de Eugenio Dale, nome que já assumiu papel importantes em produção de Maria Gadú, Elza Soares, Banda Blitz, e outros. “Azul Oceano” é uma das faixas mais importantes de “Quarentena, Amor e Outras infecções”, disco de estreia da cantora que foi inspirado na quarentena provocada pela Covid-19.

O álbum tem várias temáticas, indo de saúde mental e dependência emocional ao empoderamento, militância, superação, autoconhecimento e acolhimento. “Azul Oceano” é, portanto, um caminho interessante para entendermos as ideias musicais e poéticas de VIIC. Confira!

Disponível nas playlists “MPB – O que há de novo?” e “Brasil Sem Fronteiras…”

José Lobo“Cinnamon Bites” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– O que originou essa música? Essa música foi inspirada por uns biscoitos que chamam canelitas, eu estou visitando em San Francisco e um amigo me deu pra provar e eu pirei no biscoito. Fora isso, acho que têm a ver com a possibilidade de poder andar por ai de novo, de ter essa sensação de liberdade tão presente!

– O que vocês trazem na letra? A letra primeiramente é em inglês e português, ela conta um pouco de uma noite quieta, céu que parece que vai chover, mas não chove e a alegria que esses biscoitos trazem no fim da noite já antes de dormir.

– O que dizer da sonoridade e arranjos? É uma música com bastante energia e bem simples, só com 5 acordes, acho que é na produção da música que esta a força dela, como cada elemento vai aparecendo, a estética da voz que vai mudando. A música foi inspirada nos indie rocks de 2011 por ai e acho que isso tem a ver pois foi nessa época que eu morei no Brasil. 

Respostas de José Lobo

Bianchi do Acordeon“Destino Rasgado” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– O que pode explicar a origem desta música? Como ela surgiu? Canções vêm de inspirações em histórias, essa música não é diferente, em que é contada a história de um casal, algo que marcou a vida deles. Tanto a melodia e a letra tentam passar o cenário de um romance, uma paixão que teve um corte, e o destino dos dois foi rasgado e deixado ao léu.

– O que você traz na letra? Na letra tem-se a simbologia de uma folha onde é escrita a história do casal, que viveram um amor, um casamento e lua-de-mel, mas que por motivos que estão nas entrelinhas dos quais podemos somente imaginar, essa relação foi rompida, a folha rasgada, e a situação deixada a Deus dará.

– Como você definiria a sonoridade/arranjo e o papel do acordeon em “Destino Rasgado”? O acordeon tenta trazer todo o romance que viveram, e ao mesmo tempo a tristeza da separação, com um tom dramático, e também puxando para o xote com aquele ritmo e harmonia típicos desse estilo musical.

– Você pode traçar uma ligação entre “Destino Rasgado” e outros ritmos/artistas da música brasileira? Acredito que pode haver uma associação com Dorgival Dantas, inclusive no formato de introdução melódica.

Respostas de Bianchi do Acordeon

SATURNINA“Rei dos Bobos” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– O que originou essa canção? A imparável movimentação e interação das placas tectônicas geram tanta pressão e energia que, caso haja uma ruptura, pedras derretidas do manto terrestre são expelidas. É um dos mais impressionantes fenômenos do planeta, é monstruoso. É inevitável. Cada músico na nossa banda é uma imensa placa tectônica carregada de frustração, amor e poesia. Essa música nasceu desse encontro, e, agora que nos encontramos, esse foi apenas o tremor inicial.

– Qual a mensagem principal (e secundárias, se tiver)? Era uma vez, um fantástico reino feito de sonhos, bosques verdes, dias amarelos e um céu de azul eterno. Esse reino era governado por um…ham…rei? Um dia, a maioria não boba das pessoas que moravam nesse reino francamente se cansaram dessa m*. Fim.

– O que dizer da sonoridade/arranjos da música? Adoramos e só nossa opinião importa. Haha, brincadeira (não) – buscamos entregar um arranjo clássico do rock nacional, um ode aos grandes nomes do blues e uma prova de que esse reino é feito de sonhos, bosques, bobos e de gente que sabe e sempre soube fazer músicas e revoluções.

Respostas de Saturnina

AN4NDA – “Temporal” – (single) – [MINI ENTREVISTA]

– O que originou a música? Por que ela surgiu? Eu sempre tive a sensação de não estar no lugar certo e essa sensação foi se acentuando. Eu era integrante de uma banda e não estava mais satisfeita com o rumo das coisas. Surgiu a oportunidade de mudar de cidade, de seguir sendo solo, e parece que era tudo que eu precisava. “Temporal” veio como um desabafo pro que eu estava sentindo e para marcar a minha estreia como artista solo. 

– Comente o que você traz na letra. Uma reflexão de alguém que não está satisfeito com o lugar que está vivendo. Eu nunca fui muito apegada com coisas então sempre foi muito fácil mudar, até por isso “com um par de sapatos e poucas roupas na mala, deixou pra trás”. O refrão fala “eu vejo o seu futuro, ele é um temporal”, e de fato, minha vida sempre foi muito instável, um temporal (risos). Eu gosto muito da primeira frase do refrão também que fala “numa esquina escura de uma rua clara”, aqui eu trouxe referência de um antigo estúdio da banda. 

– O que é “Temporal” musicalmente? Descreva sua sonoridade, arranjos. “Temporal” é Ananda 100%. Não consigo descrever a sonoridade dela, assim como não consigo descrever o que eu sou e/ou o gênero que mais me agrada. Eu gosto de música, eu faço música. Não gosto de rotular pois quando eu a ouço, consigo ouvir todas minhas referências musicais que passeiam entre Billie Eilish, Paramore, System of a Down, Nirvana, Pink Floyd. 

A construção dela foi feita no estúdio pelo produtor e a banda. Fomos caminhando, acertando e errando, tirando e colocando até chegar no resultado. E pela primeira vez eu tive a sensação de estar totalmente satisfeita com um trabalho.

– Em termos amplos, por que essa música representa a sua essência artística, como dito no release? Porque ela é a primeira música que teve minha direção. Pela primeira vez eu não estava fazendo um som pelo coletivo, com o coletivo, mas pra mim. A banda estava trabalhando pra atender ao que eu queria e não ao que a banda queria. Assim, eu tenho ela como um espelho de todas minhas referências musicais e gostos, a sonoridade me agrada muito, mesmo que não fosse minha eu ouviria [risos], e a letra também fala muito sobre o que eu estava passando. Eu tive oportunidade de escolher cada detalhe do lançamento, a capa, o clipe, o dia, que inclusive foi no meu aniversário de 25 anos rs. Fiz do jeito que eu queria e como eu queria. Eu pensei mais nessa música 10 anos depois do que agora, acredita?  De daqui uns anos olhar pra trás e lembrar de cada detalhe que escolhi. A própria capa foi uma catada de tudo que eu fiz. Eu visto uma roupa que foi feita com um tecido que foi cenografia de um clipe e com as cores do meu primeiro álbum. É, eu sou um temporal mesmo, não tem jeito rs. 

Respostas de AN4NDA

SOFT PORN – “Sul” – (single) – [MINI ENTREVISTA – Respostas do integrante Lucas]

Revista: O que originou essa música? Amores, desencontros, desilusões, e urgências eternas.

O que vocês trazem na letra? Essa música fala sobre vulnerabilidade, distância, dos jogos entre se esconder e se mostrar para alguém, e sobre o desnorteio nesse processo de buscar a si e alcançar o outro.

O que dizer da sonoridade arranjos? Nossa intenção nesse arranjo foi misturar uma base e referência sólida da música brasileira, com a música eletrônica e experimental contemporânea. O trabalho busca, acima de tudo, se firmar como música brasileira, mas líquida, que conversa, dialoga e não se prende em estéticas muito rígidas. A fluidez de enxertos também é uma marca do projeto e dessa música.

John Finbury e Thalma de Freitas – “Sorte!” – (single e clipe)

O norte americano John Finbury, indicado ao Grammy Latino e Grammy de 2020, realizou uma parceria lindíssima e demasiadamente brasileira com a cantora, compositora e atriz afro-brasileira Thalma de Freitas, artista engajada da música brasileira. O nome da parceria é “Sorte!”, uma canção de autoria de John com letra de Thalma, que dá voz à obra.

A ficha técnica inclui instrumentistas que representam a grandeza de “Sorte!”, uma bossa que trata, em sua letra, da existência, pode-se assim dizer. O comunicado de imprensa define a música como “uma carta de amor sobre serendipidade, como ‘grandes erros também significam sorte’, elevando os sentimentos de confiança no Universo, que sempre nos apoia e conspira a favor do amor. A explicação clássica da serendipidade diz ‘A sorte é quando a oportunidade nos encontra preparados’”.

O registro está disponível nas plataformas de streaming e em vídeo no Youtube. Confira!

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Abril Belga“Voando, Etc.” – (faixa do álbum “Sol de Mel”)

O segundo álbum da carreira solo de Abril Belga é, no lado pleno da palavra, um ponto fora da curva. Intitulado “Sol de Mel”, o trabalho é integrado por nove faixas, todas gravadas durante a pandemia no ano de 2021, sendo que apenas o trompete (tocado por João Sousa) não foi registrado por Belga, que gravou tudo em seu home studio. “Sol de Mel” é definido pelo cara como aquele que busca sua essência nos anos 60/70, assim como no movimento tropicalista, na MPB e na música mundial, com influências de nomes como Beatles, Beach Boys, Jupiter Maçã, Caetano Veloso, Simon & Garfunkel, e a contemporânea artista Ana Frango Elétrico.

Aqui, no Lupa, irei apresentar a faixa de abertura, “Voando, Etc.”, um bom caminho para você, leitor, conhecer as demais. Nesta canção em específico, na atmosfera caseira que acompanha o disco, o artista se debruça no tema “redes sociais”, uma vez que o eu lírico forma um casal via internet, e a mesma internet, com o apoio dos algoritmos e seus espetáculos personalizados, desfaz o relacionamento.

Vamos ouvir e ter boas surpresas?!

Vinícius Castro “Deus” – (single)

Em 1913, o poeta brasileiro Fernando Pessoa escreveu o poema “Deus”. Mais de um século depois, o cantor e compositor Vinícius Castro transforma o pequenino texto em música. O novo “Deus”, criação de Vinicius, agora está disponível nas plataformas de streaming, no formato single.

Ao lado de Castro, dois cantores convidados: Matheus vk e João Bernardo, além de músicos BR e dos EUA na ficha técnica. A gravação fonográfica nos coloca diante de uma sonoridade que resgata a Bahia e a bossa nova em versos lusitanos. A capa, que “diz alguma coisa” sobre a canção, curiosamente, foi gerada a partir de uma plataforma de inteligência artificial.

Vamos mergulhar fundo em “Deus” de Vinícius de Pessoa?!

Disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “MPB – O que há de novo?”

Marcos Caballera “Meu Caminho” – (single) – (MINI ENTREVISTA)

Revista – De onde surgiu essa canção? Por que ela foi composta? A Música “Meu Caminho” surgiu a princípio por parte do meu amigo e
parceiro musical Vagner de Sousa, e mesmo inacabada, desde que ele me mostrou há alguns anos atrás, Eu nunca tirei a música da cabeça, e a
mesma sempre me voltava a mente em nossos encontros musicais, até o momento em que tive a ideia de gravá-la, e assim nos juntamos para
terminar a letra e finalizar a canção.

Ela foi composta num momento em que se queria externar a  sensação e impressão de que nunca havia reciprocidade nas lutas e desafios da
vida, como se tudo conspirasse contra a sua vontade, e as dúvidas que estes obstáculos causam.

– O que você traz nos versos? Qual a mensagem da música? Os versos de “Meu Caminho” vem carregados de sentimentos de amor, de
luta, de frustrações e determinação. A mensagem que fica é que devemos seguir em frente em busca dos sonhos palpáveis e verdadeiros, sem
acreditar em inverdades e a convicção de que: O que não te destrói te deixa mais forte.

Disponível na playlist “Quem faz o rock ser pop”

Graci“Amargo” – (single)

A cantora e compositora Graci é uma baiana que coloca a música popular brasileira em destaque nos tempos modernos. Seu discografia é recente, tendo iniciada em 2021 com o single “Melífuo”. Desde então, já foi possível perceber como ela trabalha bem com suas influências do indie pop, lo-fi e, claro, as lindas coisas da música BR. Depois, a artista lançou outra canção e também seu EP de estreia, entregue neste agosto de 2022.

Intitulado “Amargo”, o trabalho reforça o intimismo de Graci. A faixa-título é um bom caminho para se afundar nesse EP. A letra desta música, em específico, “é sobre sentimentos difíceis de lidar, é tudo o que engolimos a seco, amargo é o sabor das desilusões”, como diz suas próprias palavras.

Você tem sorte em poder conhecer o trabalho de Graci. Nós em indicarmos para você.

Disponível na playlist “MPB – O que há de novo?”

Renato Luciano“Turista do Mundo” – (álbum)

Renato Luciano agora é “turista do mundo”, como sugere o nome do seu terceiro álbum solo, lançado em maio deste turbulento 2022. Gravado e arquitetado desde 2019, e com direção musical de Alexandre Meu Rei, o trabalho do cantor, compositor e ator tem oito canções, sendo que, segundo informações do Spotify, são todas autorais.

As temáticas são variadas, ricas em termos poéticos e de profundidade considerável, como no caso da existencial faixa “Instabilidade”. Já em relação a questão musical do disco, o jornalista Mauro Ferreira, atualmente colunista do G1, define que “Ao dar forma a esse repertório, Renato Luciano misturou samba com folk, fundiu rock com mariachi, fez jazz com a pisada do baião e pôs guitarras em samba-canção.” Já para o próprio artista, o registro fonográfico “apresenta um som regional universal que busca demolir preconceitos, eletrificando a viola caipira e regionalizando a música moderno.”

É difícil olhar para “Turista do Mundo” e não ver nele uma luz de que o mundo continua parindo grandes artistas, grandes músicas e grandes discos… É, portanto, uma recomendação essencial para quem necessita do novo!

Faixas disponível nas playlists O Samba do Século XX, “Brasil Sem Fronteiras…” e “MPB – O que há de novo?”

Cadu Pereira“Como Explicar a Vida” – (single)

Cadu Pereira já foi assunto aqui no Lupa. Agora, ele retorna à este espaço com um novo single, o penúltimo revelado do álbum “Vendo o Mundo”. Trata-se da canção “Como Explicar a Vida”, que, só a partir do seu nome, já nos adianta seu contexto temático. Novamente pop rock, a música tem na morte o seu ponto de partida e de encontro.

O arranjo, que é reproduzido por um time representativo da música brasileira, facilita o ouvinte a compreender a inquietação do músico. Essa agitação, podemos entender, seria a respeito dos tremores existenciais e sociais que o mundo sofre a todo instante. Cabe, inclusive, as perguntas de “quem é o responsável”, em “quem acreditar”, e outras que você sentirá ao ouvir.

Portanto, o belo desempenho de Cadu Pereira é, mais uma vez, uma filosofia boa para mexer-os-miolos-da-cabeça, que é uma tarefa que cabe também a arte aqui bem desempenhada.

FICHA TÉCNICA: Guitarra: Alexandre Fontanetti (Rita Lee, Nando Reis, Zeca Baleiro) / Guitarra: Webster Santos (Zelia Duncan, Elza Soares, Chico Cesar) / Baixo: Regis Damasceno (Arnaldo Antunes, Otto, Marcelo Jeneci…) / Teclas: Zé Ruivo (AiLaika, trilhas Netflix e HBO) / Bateria: Pupillo (Nação Zumbi, Marisa Monte, Seu Jorge, Céu…) / Cadu Pereira: voz, violão e guitarra

Disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “Quem faz o rock ser pop”

Tati Maia – “Cicatriz” – (single)

Revista – Qual a origem da música? A música surgiu da ideia de que o processo de cura muitas vezes é demorado, e é importante lembrar disso para que as pessoas não se cobrem demais. Uma ferida não vira cicatriz do dia para noite, é necessário tempo e paciência, e foi desse conceito que a música começou a ganhar formato.

– O que a letra traz? A letra traz em si uma reflexão bem profunda sobre como o tempo é importante no nosso processo de cura e cicatrização dos momentos ruins. Começando com um tom pessimista, a letra vai avançando até chegar a um momento mais otimista, fazendo referência ao tempo e a evolução da nossa maturidade.Cicatriz traz uma calma e uma mensagem de que tudo vai passar e todo nosso esforço será recompensado.
– O que dizer da sonoridade? A sonoridade traz uma paz conformista e calma, muito agradável aos ouvidos.Em conjunto com a letra reflexiva, a  melodia contém um tom de leveza. 

Respostas de Tati Maia

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Sobre as Águas“Felipe Pequeno” – (single)

O universo gospel vem se expandindo para um número impressionante de gêneros musicais, incluindo o sertanejo universitário. A tendência se perpetua também no eletrônico, pelas mãos e coração de Felipe Pequeno. que já lançou quatro singles, um álbum e um EP.

O acervo fonográfico disponível nos streaming foi atualizado em junho deste ano com “Sobre as Águas”, nova música que antecedeu a chegada de outros três singles e um EP. Em “Sobre as Águas”, Felipe aborda as dificuldades que enfrentamos ao longo da vida, mas principalmente sobre usar a fé como instrumento vital para seguir em frente com serenidade e paz.

A música foi escrita, segundo ele, em decadência emocional e espiritual, momento que acabou servindo de encontro com Deus e da crença do bom da vida, independente das circunstâncias.

Observação: “Sobre as Águas” tem um quê interessantíssimo de psicodelia, de “desordem”, de indefinição. Essa análise nos coloca diante de um artista que transcende a cena eletrônica, tanto pela temática cristã quanto por criar um som não-comercial.

Caio Bars“40” – (single)

– Qual a origem da música? Sempre que completamos um aniversário que marca uma mudança de década em nossas vidas temos a tendência de refletir um pouco sobre essa nova fase. Por isso, perto de completar 40 anos, tive a inspiração de escrever alguns versos sobre isso, tendo o número como mote. Acabei escrevendo um poema breve, que depois musiquei.

– Descreva a ideia da letra, a mensagem dela. A letra fala sobre a passagem do tempo em nossas vidas e usa alguns significados culturais do número 40 para ilustrar essa ideia. Ditado popular (a vida começa aos 40), literatura (Livro das Mil e Uma Noites) e catolicismo (o dilúvio, o jejum e as tentações de Jesus no deserto) se juntam à futebol e astrologia em uma letra curta, mas cheia de referências.

– O que dizer da sonoridade e arranjos? Resolvi aproveitar essa canção para experimentar uma sonoridade eletrônica, inédita em minhas obras anteriores. Assim, a música conta com um beat de bateria eletrônica, além de alguns sons digitais bem presentes. “40” é uma canção curta, de apenas um minuto e meio, mas está cheia de nuances e particularidades tanto na letra quanto na música. Uma gravação para se ouvir mais de uma vez e, de preferência, com fones de ouvido.

Faixa disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Rafa Noleto“Noctivago” – (single)

A chamada Nova MPB tem oficialmente, a partir deste 2022, um novo integrante, sujeito cantor, compositor e antropólogo que tem muito a oferecer, muita sofisticação e qualidade. Estou falando de Rafa Noleto. Ele faz sua estreia fonográfica com o single “Noctivago”, o primeiro que antecede a chegada do álbum “Cantositor”. O nome do disco é uma criação do próprio Rafa, que define-se mais como um cantor que compõe, formando assim esse neologismo.

Em “Noctivago”, o Doutor em Antropologia Social pela USP e professor da UFPEL, cria uma situação em que a música brasileira contemporânea se encontra com algumas raízes, no mesmo momento em que a poesia do cotidiano amoroso se faz presente.

Caso “Cantositor” siga a tendência apresentada em “Noctivago”, teremos um álbum daqueles!

Disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “MPB – O que há de novo?”

Adriano Trindade“A New Experience” – (Álbum)

O cantor, compositor e músico gaúcho Adriano Trindade (@adrianotrindadeoficial) vem, há anos, construindo sua carreira em solo europeu, tendo se baseado em Berlim, na Alemanha. Adriano é um bom divulgador do samba rock e de outros subgêneros do samba nesse território, algo que até impulsionou uma entrevista para o site da Arte Brasileira em 2020. Em 2015, o cara lançou seu primeiro álbum. Desde então, apresentou outros seis, sendo o mais recente neste 2022.

Intitulado “A New Experience”, o álbum tem 14 faixas de samba-jazz, latin-jazz, samba-rock, shuffle, funk e bossa nova. Os temas abordados são diversos, e muito inteligentes. O trabalho, agraciado por bons instrumentistas, traz de volta ao som de Adriano instrumentos de sopro como sax, trombone e trompete.

O disco está disponível nas plataformas de streaming desde junho. Confira!

Faixas disponíveis nas playlists “O Samba do Século XXI”, “Brasil Sem Fronteiras…” e “MPB – O que há de novo?”

John Finbury“Talismã” – (single e clipe)

O músico norte americano John Finbury teve sua composição, a música “Talismã”, gravada em solos brasileiros por um time de instrumentistas BR. O registro realizado na capital paulista é o terceiro single de John, e marca também mais uma página na sua relação com a música brasileiríssima. Maestrinho (acordion), Cainã Cavalcante (violão), Michel Pipoquinha (baixo), Celso de Almeida (bateria) e Leo Rodrigues (percussão) deram vida à obra. A produção é de Emilio D. Miler com o próprio John.

La Palma – “Sangue Latino” (single)

O clássico “Sangue Latino”, lançado pela banda Secos & Molhados em 1973, já foi relido por diversas vozes e arranjos ao longo dos anos. 👉Há no mercado digital uma novidade a respeito, se trata da versão do duo norte americano La Palma. A explicação é que o integrante Chris, filho de mãe brasileira, cresceu rodeado de música BR. O registro tem a sonoridade regional dos artistas e muito se aproxima de suas canções autorais.

Disponível em nossa playlist “MPB – O que há de novo?”

Por que a estreia de Josué Correia é polêmica?

Respondo contando uma história. Mas primeiro dizer que o primeiro lançamento da carreira solo de Josué Correia (@adorarbyjosuecorreia) se chama “A Festa Vai Começar”, uma canção gospel com letra sobre “o futuro da humanidade na visão bíblica”. Os versos são, segundo determinada análise das passagens de profetas bíblicos e de Jesus Cristo, sobre uma celebração que durará 7 anos em solos celestiais, enquanto que, ao mesmo tempo, outra parte da humanidade sofrerá com um governo mundial, o mais cruel já presenciado.

Apesar de “A Festa” chegar aos streamings neste mês, uma versão mais simples passou pelo palco de “um estranho Festival virtual”. A letra causou protestos por porte de outros artistas participantes do evento. “Um deles que motivou o protesto disse que esta Festa é só para ‘nós’, mas se deixou convencer quando disse que era para quem quisesse participar, era só dizer ‘eu quero ir’. Ele respondeu: Eu quero ir.”, conta Josué. Ele continua seu discurso: “Ali percebi que a música tem um propósito de incomodar as pessoas e gerar uma conscientização de um fato narrado com tanta ênfase na bíblia há tantos séculos, porém, totalmente desconhecido das pessoas.”

Enfim, apresentei “A Festa” para algumas pessoas. O efeito é, inevitavelmente, o mesmo. Parece que há assuntos tabus, e a mensagem da estreia de Josué é um deles. O que você, nosso leitor, pensa a respeito?

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

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Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.