30 de maio de 2024
Além da BR Listas de lançamentos

Playlist “Além da BR” #75 – Sons do mundo que chegam até nós

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Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”.

Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 75ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes da playlist.

Harry Orme – “Willow” – (Reino Unido) – [MINI ENTREVISTA]

– O que é esta música? Willow é o nosso segundo lançamento colaborativo, meu e de Frankie, seguindo o nosso single ‘Eu e Simona’ do ano passado. Nós escrevemos e gravamos a música juntos no estúdio Evoke do Frankie em Leeds, sendo eu responsável pela performance e o Frankie pela produção.

– Qual sua mensagem principal? Com ‘Willow’, queríamos criar uma música de término que fosse realmente crua, mas que evitasse qualquer amargura que muitas vezes assombra esse tipo de música. Estamos tentando pintar um quadro de alguém que sente nostalgia, mas também resignação – o narrador está lutando com seu apego a uma versão lembrada do relacionamento, mas também está enfrentando o que está acontecendo no presente. Também queríamos explorar a ideia de que às vezes a coisa mais assustadora sobre um término é que ninguém fez nada de errado, sabe? É apenas que um de vocês mudou, ou ambos mudaram, ou talvez descubra que a ideia do que você precisava de um relacionamento estava errada.

– Como ela surgiu? Eu e Frankie nos conhecemos em um retiro de co-escrita em Copenhague anos atrás. Continuamos mantendo contato e nos encontrando ocasionalmente em Leeds desde então, mas foi apenas no ano passado que reservamos um tempo para escrever e gravar algumas músicas finalizadas juntos. Frankie é quase certamente a minha pessoa favorita com quem já fiz co-escrita – é incrivelmente fácil de conviver, ótimo em manter as coisas fluindo durante uma sessão, mas não tem medo de se manifestar quando sente que as coisas estão indo na direção errada. Ele também tem uma resistência incrível para o trabalho criativo que simplesmente me surpreende – muitas vezes eu chegava ao estúdio depois de ele já ter trabalhado 10 horas no dia, mas ele estava sempre de bom humor e pronto para fazer mais música.

– Quais elementos você trouxe na sonoridade? Antes de nos reunirmos, eu tinha escrito alguns esboços de ideias de guitarra diferentes que achei que poderiam ser um bom começo – em particular, eu tinha ouvido bastante uma música da Gia Margaret/Novo Amor chamada ‘Lucky For You’, e eu queria encontrar algo meu que capturasse a sensação dessa música. Acredito que quase todas as partes de guitarra na faixa final vieram desses esboços iniciais, talvez com exceção do pré-refrão. Depois de termos a estrutura harmônica, escrevemos a melodia e a letra juntos – o Frankie é realmente ótimo em criar uma primeira linha muito evocativa para dar início às coisas, o que acho que neste caso acabou sendo a primeira linha do refrão: ‘light bouquets in the strangest of ways, looking back on these years’ (buquês de luz de maneiras mais estranhas, olhando de volta para esses anos). Depois de termos a música escrita, o Frankie montou um grupo de microfones no centro do estúdio e depois me orientava a me apresentar em diferentes partes da sala para criar as diferentes camadas da faixa.

Respostas Harry Orme

Fat Cat Affair – “Empty Bed” – (Reino Unido) – [MINI ENTREVISTA]

– Sobre o que é essa música? Cama Vazia é sobre dor de cabeça e amor que deu errado. É um dueto pop de R&B comovente que culmina em um belo coro gospel nigeriano. É uma música sobre amor perdido, memórias passadas e coisas que estão por vir.

– Como isso aconteceu? Eu estava morando em Londres, em um apartamento bacana em Camden. Eu tinha acabado de chegar na Inglaterra e estava adorando a cena musical de lá. Embora eu esteja inspirado a maior parte do tempo, estava pegando fogo em Londres. Havia algo na vibração ali que simplesmente me pegou. Os músicos, os clubes, o público. Tudo me fez querer escrever. De qualquer forma, no apartamento ao lado do meu morava um jovem casal que parecia bastante fofo. Ele era livreiro e ela trabalhava em algum lugar da cidade. Eu costumava ouvi-los discutindo o tempo todo. Foi louco! Então, comecei a tocar música para seus argumentos. Havia um ritmo doce em sua dor de cabeça e isso deu origem a essa música. Mais tarde, convidei-os para uma das minhas festas. Não falei muito com eles porque me ofereceram um negócio muito interessante naquela noite…  mas isso é outra história. Acho que eles terminaram depois disso.

Qual é a sua mensagem principal? Não tenho uma mensagem, mas sim um estilo de vida. Eu sou um gato. Eu não tenho polegares. Só tenho patas, mas isso nunca me impediu de tocar guitarra, bateria e piano. Eu amo música – está no meu sangue. Desde que era gatinho, cantei e mirei pela Europa, inspirando-me na vida, nas pessoas e nas histórias. Já toquei em inúmeras bandas. Adoro colaborar e escrever com o máximo de pessoas que posso. Se eu tivesse uma mensagem, seria que a música, as histórias e a criatividade estão ao nosso redor. Basta olhar e participar.

Que elementos você trouxe para o som? Em primeiro lugar, sou um compositor. Mas também sou um homem do ritmo. Adoro trazer minhas batidas malucas de gato para a mistura. No entanto, eles são mais suaves para esta pista. Muitas vezes sou responsável por produzir a faixa, montar a bateria, o baixo, o piano e a guitarra e depois convidar alguns gatinhos legais para cantar comigo!

Respostas Fat Cat Affair

Sarah Segal-Lazar “Earlier” – [MINI ENTREVISTA]

– Em resumo, sobre o que é essa música? A música é sobre uma pessoa que sempre soube que ela e seu parceiro teriam que se separar, mas que ela decidiu que eles deveriam terminar mais cedo do que qualquer um deles havia previsto. Ouvimos a cantora explicar sobre a distância entre eles, e como ela gostaria de poder entendê-lo melhor e estar mais próxima dele, mas que como ele não se abre com ela, ela precisa deixá-lo ir.

– Qual é a sua mensagem principal? A mensagem da música é que, eventualmente, todos nós teremos que dizer adeus a todas as pessoas em nossas vidas e que, às vezes, temos que tomar a difícil decisão de dizer isso antes do que havíamos previsto.

– Como isso aconteceu? Conheci um homem que estava viajando pelo Canadá, parando em cidades ao longo do caminho durante seis meses cada. Então eu sempre soube que nosso relacionamento tinha prazo de validade. Eu disse a mim mesmo para aproveitar o tempo que tínhamos. Mas depois de um tempo, as coisas começaram a desmoronar. Tentei descobrir o que queria dizer a ele, e o que saiu foi o primeiro verso da música: “Sempre íamos nos despedir, vamos apenas dizer isso mais cedo do que gostaríamos”.

– Que elementos você trouxe para o som? Minha coisa favorita sobre o som dessa música é o jeito que a guitarra emite um leve gemido. É uma faixa tão suave e toda a banda realmente abraçou esse aspecto. A guitarra parece outra voz para mim na música, desamparada e saudosa.

Respostas Sarah Segal

Borza – “Mundo de ilusión” – (Canadá) – [MINI ENTREVISTA]

– Como e por que essa música surgiu? Meu objetivo com este projeto é apresentar colaborações entre músicos incríveis de todo o mundo. Um exemplo de paz entre culturas.

Fui para Santiago de Cuba com algumas gravações que fiz no Canadá, e conheci o Yoandris (cantor espanhol) no hotel onde estava hospedado. Ele então me ajudou a entrar em contato com um percussionista que eu havia visto e depois me levou para uma casa com estúdio, onde conheci o “Pastor”, o engenheiro de som.

Essa música é sobre a ideia de não esquecer de aproveitar a vida. Não esperar o momento perfeito para começar a viver a vida que você deseja, mas sim se aproximar dela a cada dia, um dia de cada vez.

– Comente sobre o som do single. Percussões e vocais latinos cubanos, sobre guitarras americanas de R&B e Roots e algumas vibrações do Oriente Médio. Uma mistura de culturas e estilos musicais.

– Existe alguma história ou curiosidade sobre esse lançamento? No home studio que fomos, as faixas de percussão foram ótimas, mas precisávamos de mais tempo para os vocais. Então, um dia, Yoandris e eu estávamos relaxando na praia e decidimos fazer a faixa vocal ali mesmo, com o iPhone como microfone e o iPad como reprodução, o que acabou sendo a versão da faixa.

Respostas Borza

Darrin James“When You’re With Me” – (Estados Unidos) – [MINI ENTREVISTA]

– Qual é a sua mensagem principal? A música “When You’re With Me” é uma canção de amor para as pessoas em minha vida, não apenas para minha esposa, mas para pessoas de quem gosto, meus filhos, etc. Há uma mensagem positiva: “Eu te amo por quem você é …apenas seja você mesmo”, mas por baixo disso há uma sensação de tristeza pela natureza passageira da vida e pelo quanto foi perdido.

– Em que contexto surgiu? Essa música surgiu do desejo de escrever algo positivo para combinar com a melodia e os acordes alegres, mas me descobrindo sempre subvertendo a canção de amor com um sentimento de tristeza também.

– Que elementos você trouxe para o som? Toco todos os instrumentos além de bateria e baixo. Começa como uma música com toque country com violão e ritmo estilo Johnny Cash. À medida que a música avança, adicionei outros sons, como órgão, piano e até mesmo sintetizador, para dar profundidade e textura, e um bom e antigo solo de guitarra para dar um pouco de energia de rock.

Respostas Darrin James

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Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.