24 de junho de 2026

[ARTIGO] Branca Claudino reflete a importância das festas literárias para motivar a leitura

(Imagem da internet)

 

Por Branca Claudino Mesquita.

 

Se sonhamos com um Brasil grande temos que educar nossas crianças. Para isso, nada melhor do que persuadir nesses seres em formação o apreço pela leitura.

Educação Literária é papel da escola ou da família? Ou de ambas?

A Educação Literária começa a partir do momento que a criança atribui um significado as experiências vividas. Como bem definiu o grande Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Ou seja, quando lemos o mundo, tentamos compreender o que se passa nele e o que acontece conosco, desse modo já estamos praticando a Educação Literária. Nesse sentido, ela é papel da família, da escola e de toda a sociedade, que deve disponibilizar elementos, propiciar diferentes experiências e compartilhar os diversos significados das possíveis leituras da realidade para que as crianças sejam educadas para essa leitura mais ampla. É fundamental que todos acreditem no seu papel de mediador para que a Educação Literária aconteça no cotidiano das crianças, dos jovens e também dos adultos.
Ultimamente não tem sido fácil “competir” com a TV, games e redes sociais. A leitura demanda um certo esforço, concentração, o que, para essa geração do controle remoto, é um verdadeiro desafio. É necessário redescobrir o prazer da leitura, e talvez uma das possibilidades seja trazer o escritor para dentro da escola. A literatura promove encontros e as crianças e jovens estão precisando de mais contato físico. Compartilhar o que lemos com o outro pode ser um caminho para descobrir o prazer de ler.

Como fomar professores que possam atuar como mediadores de leitura?

Essa é outra questão complexa! Os professores, pela função que exercem, deveriam ser naturalmente mediadores de leitura. Afinal, é por meio do olhar dos professores que as crianças e jovens vêem o mundo. Os desafios são muitos, desde as questões físicas das escolas públicas e também as particulares, passando pelos problemas de alfabetização (ainda temos um alto índice de leitores que não conseguem interpretar os textos que leem) até a própria formação dos professores que, muitas vezes, não conseguem ler o quer necessitam ou gostam. Creio que é preciso, antes de mais nada, resgatar o leitor que há no professor, pois ninguém leva alguém a um lugar que nunca esteve. Se o professor não se aproxima pela leitura dificilmente conseguirá encantar seus alunos.

Oxalá se cada município desse país, por menor que fosse, fizesse uma festa literária e promovesse o encontro entre os escritores e leitores nas escolas. O escritor, passaria diversão, experiência e conhecimento para os estudantes. Ler um livro, debatê-lo, trocar opiniões… que maravilhosa oportunidade de Educação Literária ambos teriam! Seria como um novo jardim de Academus, as crianças e jovens seriam amantes da literatura e os escritores energizados pelo entusiasmo do público infanto-juvenil. E não é tão difícil realizar esse desejo.

 

Branca Claudino Mesquita é formada em Letras, professora de Português no Educandário Mesquita e organizadora da FELIPI – Festa Literária de Piancó –   Paraíba 

 

 

 

 

 

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