5 de dezembro de 2025

[CONTO] “Estendi as calcinhas enquanto o café esfriava”, de Luan FH

 

Sumir é um ato corajoso ou covarde? Meu ex abana o rabo enquanto tenta me ligar na madrugada, chorando desesperadamente, alegando estar com saudade. Eu me corrijo dez vezes antes de tomar a decisão e agir. Não por ele, mas por mim, cansei desse cara enchendo o saco. Homens, grande parte deles procuram a ex somente para uma transa e depois dá um adeus. e adeus, tá tudo acabado.

Sábado é o meu dia favorito, pois, quase em toda sexta-feira compro um vinho, ponho cigarette para tocar, acendo meu cigarro, e bebo igual uma louca que comemora qualquer besteira que a vida dá. A ressaca do sábado serve para me motivar a parar. No sétimo andar, o meu apartamento, depois de longos anos morando com meus pais — E eu já estava de saco cheio, e não era pequeno, me sentia cansada de tudo, de todos, como se já não bastasse a faculdade, os professores, ainda tinha que aturar as brigas — Tudo tem um limite e para mim, aquela casa já tinha chegado ao extremo!

Eu estendi as calcinhas no varal, retirei minha bunda da chuva e sosseguei para os amores dessa vida. Ou melhor, desamores; tudo é interesse. T-U-D-O. Desde os beijos às flores. Pegar no celular para olhar as mensagens pode ser doloroso, afinal, faz umas duas semanas que não recebo notificações. O mundo ao meu redor acabou. Eu bato na mesa toda noite, porém, se eu quiser foder posso sair por aí, ir na boate, sempre acho um idiota louco para viver um romance meia boca que dura somente uma hora e olhe lá. 

Deixei de comer na mão de qualquer pessoa, hoje eu comando, minhas regras devem ser seguidas corretamente. Tem gente que não vale nem a minha lubrificação que fica em minha calcinha. Tem gente podre demais, e a podridão cheira mal… Tem gente que morreu há muito tempo, alma enterrada, corpo ambulante — Continua na mesma, se lamentando, vivendo de arrependimentos sem ao menos tentar perdoar ou pedir perdão — É melancólico pensar no orgulho. Ele já me feriu o bastante para hoje temer. Temo muito. 

Quando amei, percebi o toque, percebi a sincronia, percebi a conexão, eu falhei. Não disse nada, somente deixei-o ir. O arrependimento talvez não mate, mas a consequência dele sim. E o café esfriou enquanto tentamos ir até lá para resolver um erro do passado, tentando mudar a história para não virar estória. Eu senti pena de muita gente, só que hoje é sexta-feira de novo, o vinho já está pronto e as lágrimas também. A lua ilumina a varanda e a fumaça do cigarro desce goela à baixo, é mais um dia para limpar as dores senão elas passam a sufocar. 

 

———- Conto de Luan FH ———

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