3 de maio de 2026

[ENTREVISTA] Autora Moema Vilela explora os minicontos para construir as histórias de A VIDA DUPLA DE DADÁ

Livro: A DUPLA VIDA DE DADÁ

 

Em A DUPLA VIDA DE DADÁ, Moema Vilela, faz uso de minicontos para a construção de uma história dividida três partes: a primeira mais comportada e sintética; Na segunda, mais variada no tom, muitas minificções abordam o tema da perspectiva; e por fim, na terceira parte, a autora flerta mais com a experimentação na formal e com diferentes formas breves conhecidas. 

“Acho que um barato da ficção breve é enxergar um universo ficcional em cada esquina. ‘Era uma vez o mundo’, diz Oswald sobre a crônica, mas poderia ser também sobre a minificção – algumas delas. A DUPLA VIDA DE DADÁ nasceu justamente dessa admiração pelas formas breves e suas qualidades variadas, múltiplas”, diz a autora.

O livro também é baseado em alguns conceitos, dialogando com diferentes referências literárias e históricas – como as Dadás do conto que dá título ao volume, uma referência à baronesa Elsa von Freytag-Loringhoven e à cangaceira Sérgia Ribeiro da Silva, única mulher a usar fuzil no bando de Lampião.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Moema Vilela, autora do livro A DUPLA VIDA DE DADÁ.

 

 

O livro é uma coletânea de histórias. Como foi desenvolvê-las? Como foi para você fazer a ligação entre essas histórias?

A maior parte das histórias foi escrita em um período breve em 2015, em que eu andava pensando sobre a ficção breve e tive uma espécie de acesso narrativo, uma compusão de transformar em minificção tudo que eu via, imaginava ou vivia. Tudo virava um pequeno conto, tudo virava uma história. Depois, ao longo de mais tempo, fui fazendo mais histórias e selecionei algumas delas para compor A DUPLA VIDA DE DADÁ.

 

Fale também sobre como foi fazer o livro em três partes.

Quis montar um livro que contivesse tipos diferentes de ficção breve. Simplificando um pouco, falando em resumo, considero que a primeira parte traz minicontos com foco na narrativa mesmo, mais sintéticos e diretos, com mais humor. Na segunda, há uma maior variação de tom, e uma minificção mais lírica. A terceira parte é bem breve e traz três textos que flertam com mais experimentação formal.

 

Como chegou no conceito do livro? Quais foram suas inspirações?

Diferentemente de outros processos em que pensei de antemão uma estruturação para o livro, em A DUPLA VIDA DE DADÁ a divisão em três partes veio depois de observar as minhas minificções e encontrar nelas diferentes temas e tons em comum. Fiz uma seleção e uma composição a partir disso.

 

Por que escolheu escrever o livro com pequenos contos, e não o contrário?

As epígrafes do livro, do Oswald de Andrade e da Lydia Davis, falam sobre a exuberância das ficções breves em criar novos mundos ficcionais, um após o outro, e este também é um pouco o barato de A DUPLA VIDA DE DADÁ: enxergar uma história em cada esquina. “Era uma vez o mundo”, diz Oswald sobre a crônica, mas pode ser também sobre a minificção – algumas delas. A DUPLA VIDA DE DADÁ nasceu também dessa admiração pelas formas breves permitirem uma criação mais rápida e frenética de mundos ficcionais.

 

Seria legal se vocês nos falasse como foi o processo de criação das personagens.

Os personagens da minificção são muitas vezes vistos de relance ou pegos de supetão no meio de alguma ação, de algum engano, em algum pequeno gesto que revele um universo interior muito maior. Acho que em A DUPLA VIDA DE DADÁ os personagens também foram pensados dessa maneira. 

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o livro?

Uma curiosidade foi viver este momento em que comecei a criar minicontos de tudo. Na rua, na chuva, na fazenda. Teve uma noite em que estava com meu namorado na fazenda da avó dele, em um feriado, olhando as estrelas, e naquele silêncio do campo, mesmo sem me olhar, ele perguntou: você tá fazendo um miniconto, né? Ele já não aguentava mais eu fazendo minicontos a todo momento. E ele tinha razão: o miniconto dessa noite virou “Debutante”, que está na primeira parte do livro.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

Bom, em primeiro lugar, agradeço pelo trabalho, o interesse e o espaço na Revista Arte Brasileira! E aproveito para convidar para os lançamentos de A DUPLA VIDA DE DADÁ. O próximo será em Porto Alegre no dia 11 de agosto. Vamos fazer leituras dramáticas e também uma mesa de conversa com a companhia de duas escritoras, a Natalia Borges Polesso e a Priscila Pasko. Nós vamos fazer uma conversa justamente sobre a compulsão de narrar e a sina de inventar narrativas na ficção e na vida, aproveitando o gancho dessa coisa de criar diferentes universos ficcionais que a ficção breve pode convidar a fazer muito rápida e freneticamente.

 

Foto da autora

 

 

 

 

A invisibilidade da mulher com deficiência física (por Clarisse da Costa)

Eu amei o tema da redação da prova do ENEM de 2023: Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: O quê realmente faz o diretor de imagem? (com Diogo Pace)

Este episódio tem o intuito de investigar uma profissão essencial de toda produção audiovisual, como programas de entretenimento e jornalismo,.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição22

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

Pietro desce às regiões pelágicas do ser

Apesar dos sete mares e outros tantos matizes somos um. Henriqueta Lisboa 1. Malgrado as secas periódicas e as terras nem.

LEIA MAIS

Muitos artistas querem o mercado; Tetel também o quis, mas na sarjeta encontrou sua liberdade

Tetel Di Babuya — cantora, compositora, violinista e poeta — é um projeto lançado por uma artista do interior de.

LEIA MAIS

Ana Canan: metáforas da solidão extraídas da natureza

Clique aquiClique aquiClique aqui Perfil Ana Canan FlickrClique aqui Previous Next Suave é viver sóGrande e nobre é sempreviver simplesmente.Deixa.

LEIA MAIS

As várias versões da “Balada do Louco”

No documentário “Loki – Arnaldo Baptista” (2008), o ex-mutantes Arnaldo Baptista é definido como “a própria personificação” do eu lírico.

LEIA MAIS

Rosana Puccia dá voz a mais dois temas atípicos no mercado musical brasileiro

Em atividade discográfica desde 2016 quando apresentou o álbum “Cadê”, Rosana Puccia é, de verdade, uma colecionadora de canções atípicas,.

LEIA MAIS

Mário Quintana e sua complexa simplicidade em Caderno H

  CADERNO H: A COMPLEXA SIMPLICIDADE DE MARIO QUINTANA   Mario Quintana (1906-1994) foi um poeta gaúcho de constância poética.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS