13 de abril de 2024
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Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas novas, quentes, diferentes. A seleção é eclética, serve para todos os gostos. É importante ressaltar: que as posições são aleatórias, não indicando que uma seja melhor que a outra; essa lista é atualizada diariamente, até o encerramento do mês.

Paixão de carnaval, ritmos brasileiríssimos e cantoras/compositoras brasileiras; a soma disso dá no novo single de Monica Casagrande

O novo single da cantora e compositora Monica Casagrande é brasilidade em todas as suas dimensões musicais e poéticas. A letra narra uma história de uma paixão calorosa surgida no carnaval. A estória é transmitida por meio de uma sonoridade dançante e alegre, que mescla sambas, choros e maxixes, com influências de artistas brasileiras como Chiquinha Gonzaga, Beth Carvalho e Clara Nunes.

“Nora” é o décimo single da carreira discográfica solo de Monica, artista que iniciou seus lançamentos em 2019 e lançou seu primeiro (e até o momento único) EP em 2022. O repertório de Monica é realmente uma boa dica musical. Confira!

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Nova canção de Marco Vincit marcha entre as mazelas do Brasil moderno

O novo single do cantautor mineiro Marco Vincit é uma marchinha para pensar criticamente. Com produção musical de Felipe Fantoni e arranjo nostálgico/contemporâneo, “Marchinha Heterotóx” é uma sátira da realidade atual do Brasil, com menções ao “hétero top”, ao caso de abuso sexual por uma turma de medicina, entre outros apontamentos. Mamonas Assassinas é inspiração primordial nesta música que é um show de humor que denuncia os “falsos moralistas”. Confira!

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

Uma irresistível e perigosa “Sereia” navega na nova canção radiofônica de Victor Tadashi

Los Angeles foi o cenário da gravação do EP de estreia do cantautor brasileiro Victor Tadashi, gravações estas que aconteceram em março de 2023. Ao longo do início deste ano, porém, ele vem lançando as faixas deste projeto em formato de singles. É o caso do 5º single lançado: “Sereia”. A música claramente radiofônica mistura elementos do pop rock, ska e nova MPB. Essa sonoridade que, bem organizada proporciona uma canção “chiclete”, narra uma mulher que, metaforicamente como sereia, é irresistível e hipnotizante, com poderes mágicos, embora represente “perigo”. Confira!

Disponível nas playlists “Brasil Sem Fronteiras…” e “Novidades da Música Pop Nacional”

MINI ENTREVISTAS

“são uma jornada lírica através da alma humana”, define Guilherme Castro sobre os versos de sua nova canção, “Inside Out”

O que é esta música, em especial? “Inside Out” é uma peça musical que tangencia os limites do folk, mergulhando nas complexidades das emoções humanas. Sua singularidade reside na fusão de poesia introspectiva, melodia envolvente e uma rica narrativa visual no clip. [a palavra] “Inside Out” significa “de dentro para fora”, algo que respeita as emoções passadas em uma experiência autobiográfica por enclausuramento forçado durante o período pandêmico da COVID-19.

O que dizem os versos? Os versos de “Inside Out” são uma jornada lírica através da alma humana. As palavras, habilmente entrelaçadas, exploram temas como amor, autenticidade e autoconhecimento. Cada verso é uma janela para a experiência humana, convidando o ouvinte a reflexões profundas.

O que gerou a composição, o que inspirou esta canção? A inspiração por trás de “Inside Out” é tão multifacetada quanto a própria vida. Busquei inspiração em minhas vivências, explorando as nuances das relações interpessoais, dos sentimentos e emoções vividas e construídas, e também o confronto comigo mesmo e a busca por uma verdade interior. A música é uma expressão genuína dessas experiências. Também busquei trazer e mesclar as minhas primeiras experiências vividas com canções folk — quando me encontrei maravilhado ao conhecer a dupla Simon e Garfunkel — com a minha recém-descoberta do canto e expressão de Jeff Buckley.

E a capa do single, o que simboliza? A capa do single vem de uma sessão de fotos pelo amigo e fotógrafo Paulo Valle, onde a inspiração vem de fotos analógicas em preto e branco, bastante granuladas e experimentais em suas técnicas de fotografia. Acabou gerando uma série de imagens artísticas que simboliza a exposição da alma e suas nuances entre definições e indefinições. A imagem reflete a ideia de despir camadas emocionais, revelando também uma autenticidade subjacente e imagética. A capa foi escolhida deliberadamente para transmitir um pouco dessa jornada de autoconhecimento e vulnerabilidade. 

Há alguma curiosidade sobre este lançamento que você queira destacar? Um aspecto notável foram as colaborações para esse trabalho: com o fotógrafo Paulo Valle nas imagens e na construção da ideia de videoclipe; com a co-produção musical por Leonardo Marques, produtor competente e agraciado com Grammy (Bala Desejo), sediado na Ilha do Corvo (BH); bem como do baterista Helton Lima. A combinação das visões únicas de todos e a narrativa emocional da música resultaram em uma obra fonográfica e visual poderosa. Além disso, o lançamento será também acompanhado por Khadhu Capanema, amigo e parceiro de trabalho que também está lançando um single de seu novo álbum em um show ao vivo em duo no projeto GR Sessions 2024, às 20 horas do dia 16 de março na Galeria Resistor, proporcionando uma experiência completa para os fãs

Respostas de Guilherme Castro

Disponível nas playlists “MPB – O que há de novo?” e “Brasil Sem Fronteiras…”

Encontro amoroso na praia do Leme desperta existencialismo e questionamentos em Henrique Ludgério; o fruto é a canção “Leme Light”

O que é esta música, em resumo? “Leme Light” foi a última música a entrar no disco. Eu tinha esses versos sobre um encontro amoroso na praia do Leme. Tentei reescrever a música de várias maneiras. E de última hora fiz o refrão. Foi um processo diferente. Geralmente eu entrego a faixa já com beats e synths para os produtores trabalharem em cima. Ou ao menos dou direções mais específicas. Dessa vez pedi ao Ogrow Beats pra fazer os beats, o baixo, colocar uma guitarra. Ele praticamente fez a música inteira e, só depois de gravar voz, eu contribuí com sintetizadores de maneira sutil. Gostei do processo, de construir tudo junto. E acho que a música ressignifica o álbum, porque ela traz referências de Caetano e Lulu Santos na melodia, no cantar. Assume algo de “bossa-nova” que eu nunca assumi assim tão de cara, é quase alegórica, e ao mesmo tempo aconteceu naturalmente.

O que a letra diz? A letra tem algo sobre acaso, sobre desejo. E sobre como o desejo influencia o que chamamos de acaso. Tem uma mística. No refrão, aquilo que parece fruto do acaso ganha uma outra cara, traz pra mim algo do que chamo de imaginação propositiva, “engendrar” é isso. Como assim a gente mora no mesmo lugar e nunca se viu nem se notou. Por que agora? Por que eu não te imaginei antes de te conhecer? 

Depois tem algo de contraste. Eu, como frequentador há anos da praia do Leme, acho que aquela extensão de areia branca é um ambiente perfeito, surreal, algo como um jardim suspenso, os encontros ali tem algo de especial. Brinco entre esse cenário de sonho e signos corriqueiros. “Vejo depois a foto”, “teu instagram, menino, parece uma praia constante”, ou “você fez sombra e disse ‘oi’“. Acho que é uma música com um pouco de sonho e um pouco de humor.

Em qual situação a música nasceu e como foi este momento? Num pós-praia. Corpo mole, pele ardendo, chuveiro gelado. O pós-praia me deixa ao mesmo tempo cansado e desejante de tudo, rs. E aí, enquanto eu cantava no chuveiro, veio o primeiro verso. E de cara o nome da música, que é o nome de um restaurante dali, que sempre achei engraçadinho, “Leme light”. “Light” de leve pra eles, “light” de luz pra mim. 

Há algo neste lançamento que você queira destacar? O álbum “RADIOCEREJA | verão amor limão” é um álbum que nasceu do luto. A morte do meu pai me trouxe lembranças da pré-adolescência, tanto musicais quanto imagéticas, e eis que a praia surge como um lugar da memória, cenário que une memórias, muitas. Essas lembranças dos primeiros amores, dos desejos latentes, vieram e deixaram o álbum doce, com relevos, gostoso de acompanhar. Às vezes, acontecimentos traumáticos podem sim despertar o oposto, as lembranças boas. Aquilo se revelou em mim, na verdade, como uma grande vontade de viver. Acho que esse álbum é sobre isso.

Respostas de Henrique Ludgério

Disponível na playlist “Brasil Sem Fronteiras…”

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Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.