10 de outubro de 2026

Filme “Getúlio”, uma perda de tempo não assisti-lo

Demorou, mas em 2014, a Globo Filmes presenteou o público vidrado na política brasileira com o filme “Getúlio”, dirigido por João Jardim e roteirizado por George Moura. (Imagem do filme)

O suicídio de Getúlio em decorrência da pressão dos seus últimos dias como presidente, alinhado ao seu “apelido” midiático e popular de “Pai dos pobres e mãe dos ricos” foram pilares importantes para que sua história tenha sido contada em um longa-metragem, ainda que algumas cenas tenham sido fantasticamente romantizadas.

A ideia certeira da produção foi introduzir o contexto político nacional e histórico da época (1951-1954), com praticamente zero manipulações ideológicas, com o impacto causado na política brasileira como uma das intenções.

O ROTEIRO

Logo de cara, o filme surpreende. A primeira cena apresenta Getúlio (Tony Ramos) refletindo sobre os longos espinhos que o feriram durante seus mandatos. Ainda aqui, de forma atemporal, o político viaja ao futuro em pensamento, o que dá ao público um gostinho do que o filme vai retratar.

Depois, o filme se foca no momento de crise final do mandato (1951-1954), no período que ficou conhecido como “Crise de Agosto”, os últimos 19 dias de Vargas, na qual teve maior dificuldade em governar, sendo pessoas próximas de seu governo inconfiáveis.

Dentre muitas curiosidades da trajetória política de Getúlio, posso destacar o atentado ao jornalista e político Carlos Lacerda, que acarretou a morte do aviador Major Rubens Florentino Vaz. O acontecimento recebeu o nome de “Atentado na Rua Tonolero” (Copacabana, Rio de Janeiro). Gregório Fortunato, um dos homens de confianças de Vargas, era em teoria o mandante do ataque, o que levou Getúlio a fazer parte desse crime.

CURIOSIDADE: Algumas cenas foram gravadas no próprio Palácio do Catete, o que garante mais realismo e impacto no expectador.

 

GETÚLIO VARGAS (1882-1954)

Filme Getúlio

(Retrato de Getúlio Vargas)

São Borja (RS) foi a cidade que ouviu o primeiro choro de Getúlio. Pela UFRS veio a se formar em direito em 1907, e sua atuação na advocacia foi dedicada à política brasileira. Depois, já em 1930, Getúlio liderou a Revolução que colocou fim a “República Velha” (Café X Leite), e assim, tomou posse da presidência da República pela primeira vez.

Com duração de quinze anos, seu mandato foi dividido em três fases: “Governo Provisório” (1930-1934), “Governo Constitucional” (1934-1937) e “Estado Novo” (1937-1944). Duas dessas fases foram marcadas pela queda da constituição, e pela forte industrialização. Nesses momentos, um golpe de estado se consagrou para Getúlio manter-se no poder.

Apesar de tudo, o político foi eleito por voto popular em seu último mandato. Nesse período, Getúlio sofreu diversas complicações políticas, o que o levou ao suicídio em 1954. Seu legado se manteve como líder de grandes feitos e como o “amado e odiado”.

Texto escrito por Pablo Afonso em novembro de 2018 e editado por Matheus Luzi em 2019

Newsletter

Mário Rasec: a celebração das coisas simples

 Por eso, muchacho, no partas ahora soñando el regressoQue el amor es simpleY a las cosas simplesLas devora el tempoCesar.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

Iron Garcia: entre a casa e a ruína

A casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa permite sonhar em paz. Gaston Bachelard 1. À.

LEIA MAIS

É tempo de celebrar o folclore brasileiro (Luiz Neves Castro)

FOLCLORE BRASILEIRO – Em agosto, comemoramos o Mês do Folclore no Brasil com a passagem do Dia do Folclore em.

LEIA MAIS

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

A obra de João Turin que sobreviveu a 2ª Guerra Mundial

No Memorial Paranista, sediado em Curitiba (PR) com intuito de preservar e expor a obra do paranaense João Turin, há.

LEIA MAIS

Paz, Festa e Legado: Cem anos de Dona Amélia

Era uma noite de dezembro em São Paulo, dessas que misturam o frescor do verão com o brilho das luzes.

LEIA MAIS

Fábio Di Ojuara: umas tantas facetas de uma obra multiforme

Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. – E acheia-a amarga. E injuriei-a.Armei-me contra a justiça.Fugi. Ó feiticeiras, ó.

LEIA MAIS

“Os americanos acreditam que ainda se ouve muita bossa no Brasil atual”, diz o músico

8 de outubro de 1962. Aproximadamente 2.800 pessoas na plateia do Carnegie Hall, a casa de shows mais importante de.

LEIA MAIS

CONTO: A Falta de Sorte no Pacto de Morte (Gil Silva Freires)

Romeu amava Julieta. Não se trata da obra imortal de Willian Shakespeare, mas de uma história de amor suburbana, acontecida.

LEIA MAIS