9 de maio de 2026

Contista fala de sua relação com a literatura dark

 

Kauê Braga é um escritor, que trabalha com contos Dark. Kauê chama a atenção por estar especializado na literatura dark, ou seja, aquela literatura “que dá medo”.

Numa conversa informal que eu (Matheus Luzi), tive com ele, chegamos a conclusão que seria uma ótima matéria se ele falasse um pouco sobre esse fantástico mundo dark.

 

A seguir, você verá a entrevista na íntegra:

 

(Arquivo pessoal)

 

Qual foi a sua primeira experiência com a literatura dark? Quando era criança, você costumava assistir muita coisa relacionada ao terror na TV, não é?

Sim, desde criança eu sempre fui fascinado por filmes de terror. Hoje é meu gênero preferido. Me lembro que na época o “Programa do Ratinho” tinha um quadro que se chamava “Histórias que o povo conta”. Eu esperava a noite inteira para assistir esse quadro. O que mais me marcou foi a história da “Mula sem Cabeça”.  Eu costumava assistir o programa “Linha Direta” também. Na época eu não entendia muito bem sobre o que realmente era, mas ficava com medo. Em relação a literatura dark, pelo que me lembro, tive o primeiro contato pelo folclore brasileiro, principalmente sobre o lobisomem, a mula sem cabeça e a cuca. Algumas histórias sobre o currupira eram assustadoras também. Claro que na época eu era uma criança, então não precisava ser uma coisa realmente elaborada pra me assustar. Depois dessa época, o meu primeiro livro Dark mesmo foi “O exorcista”, de William Peter Blatty. Sempre tive curiosidade e quando li achei fantástico, porque mostra outra perspectiva em relação ao filme.

 

O que você vê de diferente na literatura dark em relação aos outros gêneros?

Não sei se há uma resposta específica. Cada gênero tem suas características que cativam o leitor. A diferença principal é a forma como o autor trabalhará a narrativa. Isso é crucial. Independente do gênero, a narrativa precisa fazer com que o leitor tenha curiosidade, tenha sede de saber o que acontecerá no próximo capítulo. Eu já li um livro de terror do Stephan King que detestei, e já li a série “A mediadora” da Meg Cabot, que é infanto juvenil, e simplesmente amei. Talvez a literatura dark se difere do tipo de emoção que provoca no leitor. Angustia, por exemplo. Palpitação. No livro “O exorcista”, por exemplo, eu ficava com o coração na boca em querer saber realmente o que estava acontecendo com a Regan.

 

Seu primeiro livro de dark foi o CREPÚSCULO. Como foi essa leitura? De que forma isso despertou seu interesse pelo mundo dark?

Ainda que “Crepúsculo” tenha temas como vampiros e lobisomens, não o considero dark. São personagens que você não quer ficar longe, pelo contrário, você quer fazer parte da vida deles. Eu costumo dizer que “Crepúsculo” foi o primeiro livro grande que eu li, e me mostrou como a leitura podia ser fascinante e incrível. Eu me envergonho de dizer, mas eu tinha preguiça em ler. Eu lia apenas livros muito curtos. Quando “Crepúsculo” estourou no mercado e todos estavam lendo, eu comecei a ler por curiosidade. Uma semana depois estava comprando o segundo da série, o “Lua nova”. Depois disso não parei mais. Eu sempre tive um pouco de preconceito em relação aos livros dark porque eu pensava: Duvido que um livro vai me fazer sentir a mesma coisa que um filme de terror. Olha, não faz eu me sentir exatamente da mesma forma, mas me faz sentir uma ansiedade boa. O coração na boa, a angústia, o desespero.

 

Atualmente, você vem gostando mais de histórias reais, né? Como você lida com isso?

R: As vezes eu acho que estou perdendo um pouco da sensibilidade em ração a algumas coisas. Em relação aos filmes de terror, por exemplo, ultimamente está sendo muito difícil de eu realmente me tornar fã de algum. Ou é muito fraco, ou é muito exagerado ou é muito sem noção. A história real me faz ficar mais empolgado, e até um pouco aterrorizado. Você acaba pensando sobre a humanidade, e no que o ser humano é capaz. Esses dias estava vendo no YouTube alguns casos antigos do programa “Linha Direta”, hoje eu entendo muito mais do que na época que eu assistia. São coisas que se você pensar são aterrorizantes. São casos reais sobre morte de pessoas reais, sobre crianças, desaparecimentos sem explicação. Me atormenta pensar no que o ser humano é capaz de fazer. Como estudante de psicologia me indago de onde vem isso, o porque disso. Mexe muito com o nosso psicológico. Talvez esse interesse por histórias verídicas seja curiosidade.

 

Tem muitos livros que viraram filmes, como no caso do EXORCISTA. Para você, o que os livros agregam de diferente em relação aos filmes?

R: Acho que todos sabem a resposta. Os livros trazem muito mais conteúdo, mais detalhes, nuances que o filme não traz, sem falar que a história muda, e muitas vezes acaba perdendo o sentido. Pra transformar um bom livro em um bom filme, o diretor tem que saber o que está fazendo, tem que planejar bem. No caso do “O Exorcista”, o livro é ótimo e o filme também, mas eles trazem perspectivas diferentes. No filme o ponto principal é o terror, a menina está possuída pelo demônio. No livro você fica na dúvida. Será que ela está mesmo? Mas não tem como né? Haverá as cenas cortadas. Um exemplo claro disso é a saga “Harry Potter”. Eu assisti os filmes primeiro e achei de mais. Quando eu li os livros, achei simplesmente maravilhoso. Quando eu assisti os filmes de novo eu pensei: mas que droga é essa? Não foram apenas as cenas cortadas ou acrescentadas, mas o sentido da história, os detalhes que faziam toda a diferença não estavam lá.

 

Fique a vontade para falar o que quiser sobre esse assunto.

O gênero dark está cada vez ganhando mais espaço e novos leitores. Fico muito feliz, pois desmistifica a ideia de que apenas filmes de terror assustam as pessoas.

 

 

 

 

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