24 de janeiro de 2026

[RESENHA] “Machado de Assis, Capitu e Bentinho”, de Kaique Kelvin

Que Machado de Assis se tornou um clássico escritor da literatura brasileira todos sabemos, mas uma dúvida que segue sem resposta é aquela famosa: Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Mas será que essa é a questão mais importante da história? Dom Casmurro consegue nos envolver de uma forma que só Machado de Assis é capaz.

Bento Santiago, o Bentinho, é o protagonista da obra e ao mesmo tempo o narrador. Toda a história é contada pela ótica dele. A visão de Bentinho é a que prevalece, nós conhecemos os outros personagens através dele é a história de Bentinho, inclusive Capitu dos olhos de ressaca. Quando falamos em Dom Casmurro estamos falando de Bentinho, até mesmo porque Dom Casmurro era como Bento Santiago vem a ser conhecido.

Logo no começo da história vem a explicação do nome Dom Casmurro, aliás significa um sujeito ranzinza, fechado em si mesmo e teimoso, com isso damos o ponta pé inicial para essa trama que conquistou muita gente.

Tudo começa com uma promessa, a mãe Dona Glória promete que seu filho, Bentinho, se tornaria sacerdote. Essa história envolve muita coisa da sociedade daquela época, nem Dom Pedro II escapou e por um momento, ainda que muito rápido, apareceu na história.

O fato é que essa coisa de sacerdote não deu muito certo, Bentinho foi ao seminário, mas não ficou muito tempo, apenas o suficiente para fazer um amigo, Escobar, que vai aparecer na história para gerar uma certa desconfiança. Acontece que Bentinho estava apaixonado e a autora dessa obra de amor não poderia ser outra além de Capitu, os olhos de ressaca. Além de ser sua vizinha, também era sua melhor amiga.

Com o andar da “carruagem” vemos a vida de Bentinho passar por entre as páginas, muita coisa acontece até que Capitu e Bentinho se casam e depois vem o momento em que ele prova para todo mundo que Capitu cometeu o que ele mais temia, o adultério e ainda pior com seu melhor amigo ou melhor ele acaba provando que Capitu o amava muito e ele em seu momento de loucura e ciúmes, moldou a realidade de tal modo que ela ficou totalmente distorcida. Ou quem sabe uma terceira visão…

Qual versão é a certa? Machado de Assis com toda sua genialidade e com seu personagem narrador, consegue nos fazer refletir, refletir, refletir e ainda assim não ter uma resposta concreta. É preciso ler atentamente e com nossos próprios entendimentos compreender o que essa história tão grandiosa tem a nos dizer. Desconfiamos de Capitu, claro, mas também podemos desconfiar de Bentinho, afinal a ótica da história é toda de Bento Santiago e ainda assim há espaço para questionamentos. E vai além, essa história não é um relato de traição é muito mais que isso, é um relato de vida, é felicidade também tristeza, é Machado de Assis, Capitu e Bentinho.

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