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De jovem para jovem, Matheus Who lança disco de estreia

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Capa do lançamento.

Em 2019 se iniciava a carreira solo do cantor e compositor carioca Matheus Who. A estreia no mundo fonográfico digital aconteceu com três singles, entregues ao longo do mesmo ano, e no seguinte, veio ao mundo o EP “Hello, I Love U”. Mesmo sem saber que era um artista de bedroom pop, Matheus passou a ganhar fiéis seguidores, principalmente, quando o novíssimo gênero conquistou projeção nacional.

Agora, no segundo ano de Covid-19, ele chega ao seu disco de estreia, intitulado “A Dobra no Espaço-tempo”. Integrado por dez faixas autorais, o álbum apresenta um músico que vai além daquilo que o fez chegar aos ouvidos do público, cantando canções que também trazem elementos da música eletrônica, do samba e da MPB.

Nas letras, Matheus Who fala de suas próprias experiências, mas que tem como intuito a identificação de quem as ouve. Nas temáticas, encontra-se versos sobre os traumas da adolescência e do começo da vida adulta. De forma inédita, essas mensagens chegam por meio da língua portuguesa, método criativo adotado pelo artista nesse álbum, na contra maré do que vinha fazendo: letras em inglês.

Nós já acompanhamos o trabalho de Matheus há algum tempo. Para este lançamento em específico, resolvemos entrevista-lo. As perguntas e respostas você confere a após a faixa-a-faixa do disco.

Crédito: João Martins / Divulgação.

FAIXA-A-FAIXA por Matheus Who

1 – “Inconsequente”

Desde que as pessoas começaram a ouvir meu som e a se identificar com o que eu tenho a dizer, definitivamente houve um aumento de comentários e mensagens pedindo para: soltar mais músicas, tocar em tal cidade e me posicionar sobre todos os assuntos. Eu comecei a sentir uma pressão de usar as redes sociais, parecia que qualquer coisa que eu falasse ou demonstrasse minha opinião, vinha o dobro de cobranças para outros assuntos. Resolvi então escrever uma música sobre isso e achei perfeita para abrir o álbum; situa o ouvinte onde estou agora e, instrumentalmente, é um grande resumo dos sons desse disco.

2 – “A Gente Vai Dançar” feat Sofi Frozza

É uma música para as pessoas que não se sentem à vontade em festas/lugares com muita gente. Quero que elas saibam que não precisam necessariamente se sentir confortáveis nesses lugares, é quase um grito de guerra. 

3 – “drama!”

Essa é um pouco irônica. Ela surgiu de uma composição em que eu estava tentando escrever coisas muito complicadas e falando sobre espiritualismo de uma forma muito teatral. Parei e pensei ‘Eu não falo desse jeito. Por que estou escrevendo assim?’. Então tive a ideia de misturar essas frases tão milimetricamente pensadas com versos sobre existencialismo e vida após a morte, com versos irônicos sobre entorpecentes e sobre Laura Seraphim, que é uma comediante da internet e não tem nada a ver com esses outros assuntos. 

4 – “Festa”

Foi a primeira música escrita para o disco. Eu queria que fosse uma música pop, simples, e que as pessoas soubessem que a saúde mental é mais importante que fazer média em festa com amigos e desconhecidos. Simples e direta.

5 – “Em Meu Quarto”

Começou sendo sobre um término de namoro, eu dizia que nunca mais queria me apaixonar. Terminou sendo sobre meu atual relacionamento, indicando que eu não quero mais me apaixonar MESMO, porque agora achei a pessoa certa para mim e não preciso me apaixonar nunca mais. 

6 – “Culpa”

Eu me sentia atraído constantemente pelo pensamento de culpado pelo término que menciono na faixa ‘Em Meu Quarto’. Toda vez que esse pensamento vinha percebia logo em seguida que não era culpado. Tanto que modifico minha voz principal na faixa, tentando mostrar que: sim, é o Matheus cantando, mas a voz está diferente, talvez ele não pense todas as coisas que ele está dizendo.

7 – “Kaori”

Uma faixa sobre minha namorada atual e os sentimentos que ela me trás, todos resumidos em uma música. Referências a Twin Peaks, que foi a primeira série que vimos juntos, e relacionamentos a distância.

8 – “A Dobra No Espaço-tempo”

Essa música dá o nome ao álbum pelo conceito da frase resumir tudo o que quero passar com o disco. Ela é sobre os paradoxos de um relacionamento que, independente de tudo, está fadado a não dar certo. 

9 – “Nova Iorque”

Quando mais novo, o que eu mais queria era morar em Nova Iorque, achava que era o único modo de ser genuinamente feliz. Correria e trabalho, do jeito que eu gosto de viver. Conforme fui amadurecendo deixei essa ideia de lado e percebi que, por mais que eu não seja APAIXONADO pelo Rio de Janeiro, eu vejo sua beleza e aprendi a gostar muito mais daqui do que qualquer outra cidade.

10 – “Acontece”

É sobre minha última saída de casa com amigos antes da pandemia e eu não sabia que seria a última vez do ‘antigo normal’. Coincidentemente encontrei uma pessoa que foi muito importante para mim e hoje nem nos falamos. O meu último beijo antes do confinamento foi com essa pessoa e eu queria contar essa história na talvez única faixa triste desse disco.

Matheus Luzi – Eu acho incrível a sua conexão com os jovens, até porque você é um deles. Na sua visão enquanto compositor, cantor e produtor do presente disco, até que ponto esse diálogo se dá?

Matheus Who – Acho que em todo o processo! Eu escrevo as letras e tento enxergar o processo de produção da faixa com as coisas que eu experiencio no meu dia-a-dia, o que eu acho que leva muita gente a se identificar com o que eu faço, ainda mais por estar numa faixa etária similar com a galera que escuta. Quando comecei a escrever, compor e produzir músicas, não era meu objetivo tentar atingir um certo grupo de pessoas ou algo assim… Sempre fui movido pelo espírito de tentar ser o mais transparente possível com o que eu estou sentindo e isso acaba conectando muito, não só os jovens, mas muitas pessoas que escutam e se identificam com aquilo.

Matheus Luzi – Em duas faixas (“A Gente Vai Dançar” e “Festa”), você menciona a importância de não se sentir pressionado em agradas aos outros, usando as festas para chegar, com mais facilidade, até o seu público. Essa é uma abordagem que eu, sinceramente, nunca vi em letras de música.

Matheus Who – As duas músicas são sobre festas e eventos sociais em que não necessariamente você se sente confortável e são situações que eu passei muito na minha adolescência: de tentar ir em lugares ou fazer coisas que eu não gostava só para me sentir “legal” ou “descolado” … O que não foi muito bom para a minha saúde mental. Então foi uma época que ficou muito marcada na minha vida. Quando eu comecei a escrever sobre esses momentos específicos, percebi que muita gente também passava por isso. Abordar isso do jeito que eu abordo nas músicas é muito engraçado porque geralmente você vai em festas pra se divertir e, todas as vezes que eu menciono festas, sempre é sobre algum episódio traumático ou que me marcou negativamente.

“O que me fez decidir que o Rio de Janeiro é meu lar é a realização que eu tive comigo mesmo de: Saber que não é o lugar que eu estou morando que vai me fazer um bom artista. A única coisa que vai me fazer ser um bom artista é o jeito que eu vou lidando com os erros e os acertos durante essa caminhada.”

Matheus Luzi – Na nona faixa, “Nova Iorque”, você conta que sempre sonhou em ir para a cidade norte-americana, mas que, com o tempo, se apaixonou de vez pelo Rio de Janeiro, sua terra natal. Sobre sua brasilidade, o quanto o Brasil é importante para a sua música e para a sua humanidade? E outra pergunta: o que fez com que você decidisse que o nosso país é o seu verdadeiro lar?

Matheus Who – Vários dos meus filmes favoritos se passam em Nova Iorque, então mesmo que indiretamente foi implantado pelo cinema que todos os meus problemas iriam se resolver se eu estivesse lá… que lá tudo acontecia… mas o mais legal de amadurecer é perceber pequenas coisas que você achava que iriam “te salvar” na verdade não fazem o menor sentido. Tanto que na música eu começo falando que queria ir pra São Paulo também porque por muito tempo eu achava que eu só conseguiria me profissionalizar sendo um artista, um músico… se estivesse na cidade ao lado da minha. O que não faz o menor sentido hoje pra mim.

O que me fez decidir que o Rio de Janeiro é meu lar é a realização que eu tive comigo mesmo de: Saber que não é o lugar que eu estou morando que vai me fazer um bom artista. A única coisa que vai me fazer ser um bom artista é o jeito que eu vou lidando com os erros e os acertos durante essa caminhada.

Matheus Luzi – “Acontece”, faixa de encerramento, é aquela que fala de pandemia, da sua última saída com os amigos (mesmo que não soubesse disso na época). O quê, nesse âmbito, a pandemia influenciou na sua musicalidade e poesia?

Matheus Who – A pandemia foi, logo de cara, uma mudança de ruma pro meu projeto musical. Eu estava com diversos shows marcados, sessões de gravação, reuniões… e de um dia pro outro tudo teve que ser desmarcado, cancelado e eu tive que refazer meu planejamento todo. Eu estava na esperança de gravar um disco mais colaborativo que eu já fiz até hoje, com uma baita galera reunida no estúdio… Enfim, acho que me fez colocar os pés no chão e ter vários momentos de autorreflexão sobre o que esse disco iria ser. Infelizmente não foi dessa vez que eu colaborei 100% do disco com uma galera que eu gosto, mas me fez perceber que eu quando eu quero algo eu corro atrás… Poderia facilmente engavetar o disco e esperar tudo isso passar, mas decidi não parar e terminar ele do jeito que eu sempre fiz música: no meu quarto e com calma, produzindo aquilo que eu acredito.

Matheus Luzi – Como artista do dream pop e da música indie, você já tem seu reconhecimento. No entanto, neste álbum, você adota influências do samba, da MPB e do eletrônico. Sobre isso, o que você tem a dizer?

Matheus Who – A língua portuguesa, pelo menos para mim quando vou escrever uma música é muito diferente de quando se escreve em Inglês. Eu havia decidido escrever em português e queria fazer bebendo de fontes que eu gosto muito… Eu ouvi muito Tim Maia, Wilson Simonal e Gilberto Gil enquanto escrevia esse disco: não diretamente fazendo o que eles faziam, mas na questão de me inspirar e ver como eles usavam certas palavras.

“Eu ouvi muito Tim Maia, Wilson Simonal e Gilberto Gil enquanto escrevia esse disco: não diretamente fazendo o que eles faziam, mas na questão de me inspirar e ver como eles usavam certas palavras.”

Matheus Luzi – Aos entusiastas e fãs que chegaram até aqui, deixe algumas palavras de impacto para que eles escutem seu álbum de ponta a ponta.

Matheus Who – Esse álbum foi pensado milimétricamente, da capa até a tracklist, para que contasse uma história. Mas o mais importante mesmo é que qualquer pessoa que ouça possa viver histórias e momentos ouvindo-o, independente de ouvir na ordem ou entender todo o contexto por trás do Matheus Who.

Matheus Luzi – Acredito que você tem alguma boa história e/ou curiosidade para nos contar, seja sobre o disco ou sobre sua carreira. Se tiver mais de uma que queira destacar, sinta-se à vontade.

Matheus Who – Eu fiz uma tatuagem com o nome do disco e no momento que saí do estúdio de tatuagem comecei a pensar “Oh meu deus, será que fiz a coisa certa? E se eu não gostar do disco daqui a um tempo?” e até considerei não o soltar. Acho que foi ali naquele momento que todas as minhas inseguranças em relação a minha carreira musical vieram à tona. Uma pessoa que me ajudou muito foi o diretor dos meus clipes, Guilherme Baptista, que me falou que eu estava criando motivos para não lançar o disco sendo que estava a melhor coisa que eu fiz até hoje. Então acho que é isso: esse disco quase não saiu por uma crise que eu mesmo criei enquanto pensava nas minhas inseguranças.

Matheus Luzi – Fale o que quiser falar. Te dou carta branca, agora!

Matheus Who – Muito obrigado você que está lendo por conferir essa entrevista e muito obrigado por se interessar no meu trabalho. “A Dobra no Espaço-tempo”, meu primeiro álbum e o meu melhor trabalho hoje no mundo, está disponível em todos os lugares que você consegue ouvir música. Um abraço!

“Esse álbum foi pensado milimétricamente, da capa até a tracklist, para que contasse uma história. Mas o mais importante mesmo é que qualquer pessoa que ouça possa viver histórias e momentos ouvindo-o, independente de ouvir na ordem ou entender todo o contexto por trás do Matheus Who.”

Crédito: João Martins / Divulgação.

FICHA TÉCNICA

Todas as faixas escritas e produzidas por Matheus Who;

Exceto “Inconsequente”, composta em parceria com Gabriel Rangel;

Participação de Sofi Frozza em “A Gente Vai Dançar”.

Baterias adicionais por Vinicius Pitanga nas faixas 01, 05 e 09;

Backing vocals adicionais por Cristiano Bastos nas faixas 04 e 05;

Guitarras adicionais por Leonardo Grandelle na faixa 04;

Contra-baixo adicional por Lucas Serra na faixa 08;

Gravações: homestúdio de Matheus Who no Rio de Janeiro/RJ e Estúdio Mata em Niterói/RJ.

Baterias: Estúdio do Vini, em Niterói/RJ.

Mix e Master: Matheus Who.

Selo/Gravadora: Independente.

Assessoria de imprensa: Cainan Willy.

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