1 de maio de 2026

Banda Odradek aborda o fazer artístico em novo álbum PENTIMENTO, e dá novos ares ao rock nacional [ENTREVISTA]

Foto de Luciano Benetton

 

A criação, az vezes não sai na primeira tentativa. É nessa ideia, que a banda Odradek lança o álbum PENTIMENTO. A palavra que dá nome do álbum é sinônimo da parada do artista no meio da criação, fazendo assim reparos, e novas modificações. A capa do álbum (um tanto psicodélico), dialoga muito com a proposta musical do trio.

“Os artistas da capa explicaram a técnica para a gente enquanto discutíamos a concepção do álbum, porque a pintura estava passando por diversas transformações. Pentimento é quando um quadro é alterado durante o processo de pintura. Às vezes a alteração é maravilhosa, às vezes é horrível, mas todas deixam manchas. Achamos lindo e assumimos que isso é ótimo. Na produção do disco, nas ideias e na vida em geral, todos deveriam aderir aos pentimentos”, conta Caio Gaeta, baterista e vocalista da banda.

 

Abaixo, veja na íntegra uma entrevista que fizemos com a banda.

 

Clique no botão verde na caixa, e escute melhor as músicas.

 

Vocês tinham em mente levar apenas 3 meses para as gravações, mas foram surgindo novas ideias no meio disso tudo. Gostaria que vocês falassem um pouco sobre isso.

Caio – Estávamos entre cumprir uma meta ou lançarmos o álbum que queríamos, escolhemos a segunda opção. A gente sabe que o mercado da música pede um timing e é difícil lidar com essa pressão que os lançamentos causam. Tem sempre uma nova tendência, amigos lançando músicas maravilhosas, estilos crescendo, e quanto mais essa gravação prorrogava mais batia uma sensação de que estávamos nos afastando da “cena”. Mas não foi nada disso, esse afastamento fez maior bem pra o álbum, para filtrarmos o que realmente curtimos e o que é mais passageiro, coisa que não dá pra sacar com pressa.

 

E a criação das músicas? Como foi?

Fabiano – Tem músicas relativamente antigas nesse álbum. ALERGIA e NAKAMURA estavam praticamente prontas em 2015, antes de lançarmos o EP anterior, SUN SEEKER. Eu e o Caio moramos juntos por um tempo a maioria das ideias surgiram nesse período. Apesar disso nunca nos acostumamos a criar músicas juntos, a partir de jams e improvisos, pois no começo da banda morávamos longe e nos víamos muito pouco. É sempre alguém criando uma parte e passando o áudio para o outro complementar e tocarmos no ensaio com a música já estruturada e nesse álbum não foi diferente. Pra mim, a maior influência nesse álbum não foram apenas bandas, mas meus pedais novos, principalmente o Strymon Mobius e Earthquaker Transmisser que acabaram moldando os arranjos em vez de os complementar.

 

A capa do álbum parece ter muito a ver com a ideia musical do álbum, não é? Qual o conceito da capa e do título PENTIMENTO?

Fabiano – O casal da Unsure acompanha esse álbum desde as demos para ir sacando a vibe, então tem bastante sintonia mesmo entre a pintura e o som. O conceito é difícil de dizer, não dá pra resumir a imagem, mas os artistas gostam bastante de Twin Peaks, música, cores estratégicas e simbologia metafórica (rs).

Pentimento é quando uma parte já feita do quadro é alterado durante a pintura, é algo que achamos lindo, está presente na capa e nas músicas. Quanto mais o processo de realização do álbum se prolongava por inúmeras causas, mais ideias iam surgindo e nós fazíamos questão de inserir essas ideias no álbum. Músicas incompletas viraram interludes, vocais foram substituídos por guitarras, um riff virou uma música acústica da noite pro dia, baterias eletrônicas e samples foram criadas enquanto esperávamos versões da mix e o que era pra ser curto virou uma eternidade, mas pelo menos isso enriqueceu a experiência e o resultado final. Os artistas da capa estavam passando por uma experiência parecida. Uma vez que o álbum estava demorando pra ficar pronto, mais ideias e técnicas surgiam e podiam ser exploradas.

 

 O que é o álbum musicalmente?

Fabiano – Musicalmente eu diria que é bem variado, com muita dinâmica em todos os sentidos, humor, andamento, letra, timbre. Acredito que a única direção que tentamos seguir era ser nós mesmos, desprender das influências e buscar expressar o que é relevante pra gente, seja o teor engraçado, triste ou curioso.

 

E poeticamente?

Caio – Poeticamente cabe melhor a cada ouvinte dizer, fica difícil classificarmos como se tivesse um propósito que todos devam ouvir e pensar. Dá pra dizer sim que colocamos muito das nossas emoções, das brincadeiras, das vontades, e acho que isso é uma parte da poesia. Mas a outra parte é a interpretação, talvez a missão mais importante, que cada um faz do seu jeito.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Fabiano – Tem um meme brasileiro escondido em uma das primeiras faixas do álbum!

 

Fique à vontade para falarem o que quiser.

Caio – Só deixo meu Cariri no último pau-de-arara.

 

 

 

 

 

 

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