12 de dezembro de 2025

[ENTREVISTA] A história de Chal, músico que quebra fronteiras!

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Entre tantos apelidos, aos 28 anos, foi batizado como Chal, a conselho do professor de meditação de seu pai. Curiosamente, o artista sempre demonstrou interesse por música, sendo sempre seu lazer, e com mais maturidade, a sua própria profissão.

Ainda criança, aos 10 anos de idade, Chal já era pianista, e exercia essa habilidade em um grupo musical cover da Pink Floyd. Depois, se aventurou pelo New Metal. Tentou outras duas tentativas com outras formações. Até que decidiu-se por carreira solo, na qual uniu o Rock, o Sertanejo, a Música Nordestina, o Country e o Blues.

Em sua discografia, Chal apresentou ao público dois EPs e três álbuns. Em 2014, era a vez de “Aonde o Tempo é Solto”, na qual gravou clássicos como “Disparada” de Geraldo Vandré e Theo de Barros, imortalizada na voz de Jair Rodrigues.

O disco “Enlace” veio a luz em 2015 com músicas autorais e duas releituras: “Tudo culpa do amor”, de Odair José e Ana Maria Lorio; e “O Cio da Terra”, de Milton Nascimento e Chico Buarque. Em 2019, lançou o DVD “O Céu Sobre a Cabeça”.

 

Matheus Luzi – Desde quando a música faz parte de você? E quando e por que virou profissão?

Chal – Ouço música desde que me entendo por gente… hoje ainda prefiro música diante de livros, tv, cinema. Foi e ainda é minha arte favorita. De dublagens na infância ao primeiro convite pra entrar em uma banda como tecladista aos 16, eu ouvia, memorizava letras, melodias, e comecei a escrever minhas músicas aos 18 anos… foi quando além do piano, que animavam os amigos na casa dos meus pais, passei a carregar um violão para as festas. Foi depois disso que me interessei em gravar o que compunha, num gravador de fitas, depois no PC, usando mesa de som e interface. Nessa época apareceram alguns amigos músicos os quais eu resolvi produzir, eles, e a minha banda na época, Humildes Humanos. A partir daí a carreira profissional começou.

 

Matheus Luzi – Deve ser fantástica a sensação de ter sido premiado no Grammy Latino. Descreva essa emoção e explique o porquê desse álbum ter conquistado tanto reconhecimento.

Chal – Eu fiquei muito emocionado quando Felipe Rodarte, produtor dos meus álbuns interrompeu minha leitura dos indicados às mais de trinta categorias desse prêmio fabuloso que é o Grammy Latino. Chorei, compartilhei com a família, e senti que minha carreira ia mudar com um aval desse. “O Céu Sobre a Cabeça” é de forma até lógica o álbum mais maduro que fiz, musicalmente falando. Uni nele meu gosto pela música caipira e pelo rock. E a possibilidade de envolver mais profissionais para a conclusão deste álbum e depois divulgar foi de uma importância similar. Muita gente vive acreditando na música. E a força e o poder do Grammy Latino simboliza isso.

 

me encanto absurdamente com Saramago e com a temática que fez parte da minha vida que são as conversas sábias dos idosos que conheci

 

Matheus Luzi – Suas primeiras emoções musicais como músico foi dentro do rock internacional. Agora, você aposta em gêneros um pouco mais distantes disso, vamos dizer assim. Como você encara essa mudança (ou encontro, como queira)?

Chal – As primeiras foram, mas à medida que fui sendo convidado a ouvir coisas belas da época sabia que as fronteiras dos estilos musicais são quase impossíveis de delimitar. E como músico isso fica ainda mais visível. Com 21 anos ouvia “Caminhos Me Levem” do Almir Sater, “Na Pressão” do Lenine, “Ventura” dos Los Hermanos, “Book Of Shadows” do Zack Wylde (Ozzy Osbourne / Black Label Society) num MP3 player Sony que eu tinha, nos ônibus do Rio de Janeiro, quando procurava aprender a usar o PC pra gravar meus sons. Então nas bandas que participei experimentava e procurava quebrar essas “divisórias”. Não houve mudança nesse comportamento. E ele culminou na redescoberta do “Rock Rural”, do Sá Rodrix & Guarabyra, do Clube da Esquina, do Crosby Stills & Nash, e descobertas deliciosas como o Moda de Rock do Ricardo Vignini, do Facção Caipira, do Tuia, do Zé Geraldo (que vim ouvir com 34 anos…). Tem uma “pá” de artistas vivendo nessa estrada entre o campo e a cidade.

 

Matheus Luzi – E a sua poesia, é composta por quais assuntos? O que te inspira?

Chal – Drummond é meu pai poético. Meu tio avô José Décio Filho é contemporâneo dele. Igualmente importante. Cecilia Meirelles… mas me encanto absurdamente com Saramago e com a temática que fez parte da minha vida que são as conversas sábias dos idosos que conheci. Das risadas de crianças brincando nas ruas do interior. Do som de árvores nos quintais. Das violas e tambores da Folia de Reis. Dos carros de boi gemendo na romaria de Trindade. Do vento forte de chuva na estrada. Ou da trovejada longe no horizonte dos campos do planalto central. Cavalgar, talvez tenha sido a inspiração mais poética da minha vida. Cavalgar no frio da chuva de verão de Goiás.

 

Ouço música desde que me entendo por gente… hoje ainda prefiro música diante de livros, tv, cinema. Foi e ainda é minha arte favorita

 

Matheus Luzi – É evidente que você é apaixonado pelo MPB. O que você diria a aqueles que chegaram ao mundo depois da virada dos anos 2000, e que então, ainda não tiveram a chance de conhecer pérolas da música brasileira como “O Cio da Terra”?

Chal – Experimentem ouvir com um café ou chá quente olhando para chuva, “Caçador de Mim”, com Milton cantando (com vocais do Tunai), Milton, Elis Regina apresentaram a mim, que nasci em 1980 um universo maravilhoso, do brasileiro orgulhoso de si. Um Brasil que era possível, e talvez ainda possa ser. Mas sem identidade, pés no chão, memórias e orgulho, não acredito que será.

 

Matheus Luzi – Resuma a sua discografia. Fale sobre.

Chal – Felipe Rodarte, chamade trilogia, “Aonde o Tempo é Solto”, meu primeiro álbum, “Enlace”, segundo e “O Céu Sobre a Cabeça”. São começo, meio e fim de uma história. De redescoberta da minha identidade musical. Para conhecer o antes, tem o EP “Up-Country” e o Single “Wayfarin’ Stranger”.

 

Matheus Luzi – Se você tiver alguma história ou curiosidade que julgue importante falar aqui, essa é a hora!

Chal – Se olhar a capa do “Enlace”, vão perceber a paisagem do “Aonde o Tempo é Solto”. “Enlace” é uma casa imaginária com alguns objetos reais que ainda tenho. “O Céu Sobre a Cabeça” é a estrada. E eu estou olhando para um horizonte com mais Rock Rural por vir.

 

 

 

 

 

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