18 de janeiro de 2026

Com identidade própria, Izar lança novo álbum [ENTREVISTA]

 

Relações e sentimentos humanos, como o ódio e o amor são tratados com muita poesia no novo álbum de Izar, intitulado O AMOR, A ESCURIDÃO E A ESPERANÇA. Com 10 faixas, Izar utilizou referências de grandes nomes da música mineira, como também dos ingleses Beatles, porém, o que mais chama atenção é que o álbum tem características muito próprias, formando assim uma nova identidade musical.

“Esse é um disco com influências clássicas, mas com uma identidade moderna. Como já citei nas perguntas anteriores, eu acho interessante abordar as contradições do ser humano e a gente encontra no disco essas emoções. O álbum abrange ainda momentos como um simples encontro, o amor consolidado, a melancolia da rotina, a catástrofe, o reencontro com a poesia e com a esperança. Ciclos marcantes na vida de pessoas simples – e, digamos, ‘invisíveis'”, comentou o músico.

 

Abaixo, você vê na íntegra uma entrevista que fizemos com Izar.

 

Para ouvir as músicas inteiras, clique no botão verde no quadro abaixo.

 

1 – Parece que as emoções estão em todas as partes no seu álbum, como relações e sentimentos humanos…

Sim, estão. O ser humano é contraditório, hipócrita, cheio de amor, desejos, indecisões, inseguranças, esperança. Essa confusão me atrai (ou me confunde) muito. E eu sinto vontade de gritar esses sentimentos para o mundo. Esses paradoxos. As emoções estão ligadas diretamente a comportamentos e ideologias dentro da sociedade. Podem influenciar, inclusive, a participação de alguém em um movimento social.  

 

Além disso, o que é abordado também?

O amor, as relações, conquistas. É abordado também o que o mundo nos oferece, para o bem ou para o mal. A rotina maçante. As mazelas do dia a dia, como o mendigo que está ali, mas ninguém o percebe. Mas também, como já citei, a esperança, o reencontro com a liberdade. A volta por cima.  

 

Você foi influenciado pela música mineira, Beatles e outras feras da nossa música. Pode falar um pouco mais sobre isso?

Eu sou mineiro e há uma relação muito forte entre a sonoridade da música mineira e dos Beatles. Lô Boges e Beto Guedes, por exemplo, sempre foram fãs do quarteto de Liverpool. O produtor do disco, Thiago Arruda, identificou essa sonoridade em minhas canções e, assim, trabalhamos as influências nos arranjos. Mas é importante dizer: o disco tem identidade. Estou muito feliz, pois acredito que chegamos, mesmo com as influências, em um som novo.  

 

 

Foram dois anos para a gravação final do álbum. O que rolou nesse meio tempo?

Muita coisa. Nossa. Por exemplo, compus mais quatro músicas que não estavam planejadas, mas acabaram entrando no disco. São elas: VOCÊ É O SOL, POESIA, NÃO VOU DEIXAR e TEMPO. Além disso, foi um aprendizado muito grande. Meu primeiro disco solo, com uma produção bem rigorosa. Ralei muito para chegar no resultado. 

 

Tanto na produção quanto na gravação, você contou com a participação de grandes músicos, não é?

Grande músicos. Thiago, produtor do CD, toca hoje com Ed Motta. Lucas Arruda, que gravou teclado, vende seus discos na Europa e no Japão e já foi muito elogiado pelo próprio Ed Motta. Além disso, o Lucas gravou uma faixa com o cantor e compositor Leon Ware, lenda norte-americana que morreu em 2017. Para completar, Edu Szajnbrum gravou percussão nas faixas 3 e 4. Ele já fez turnê com nomes como Gilberto Gil.    

 

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Algumas. Uma interessante é que, na primeira vez que escutamos as músicas que entrariam no disco, o Thiago (produtor) me disse que uma de minhas canções, PRA VER O MAR, não tinha a ver com a sonoridade do disco. Só que era exatamente a que fiz para minha esposa. PRA VER O MAR, então, saiu do CD. E tive de compor outra (NÃO VOU DEIXAR) para honrar o amor. Deu certo. Ufa. 

Bom, a canção KATRINA é inspirada em uma sobrevivente brasileira do Furacão Katrina – que atingiu New Orleans em 2005.  Eu também sou jornalista e escrevi um livro-reportagem no final do meu curso chamado SOB OS OLHOS DE KATRINA, exatamente sobre os dias de medo que a mineira Letícia Campos passou entre os “desabrigados” do furacão. Desabrigados que ficaram dentro do Superdome, estádio de futebol americano, durante a passagem do Katrina. Eles não tinham conseguido sair de New Orlenas no tempo certo. 

 

Fique à vontade para falar o que quiser sobre o álbum.

Foi um desafio muito grande assumir a carreira solo. Assumir a responsabilidade de interpretar os meus próprios sentimentos. Mas estou satisfeito com o resultado.

 

 

 

 

 

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