26 de agosto de 2026

Conheça o som singular da banda paulistana Big Up [ENTREVISTA]

Por Filipe Nevares

 

O surgimento da da Big Up é de certa forma, um tanto curioso. Na verdade, tudo começou com o fato de que os três integrantes moravam na mesma região de São Paulo, Interlagos, na Zona Sul.

O encontro entre Gabriel Geraissati com Lucas Pierro resultou em coverns da banda santista Charlie Brown Jr. Os pequenos espetáculos aconteciam em botecos.

O nome da dupla era Hard Core Ticana. Mas isso mudaria quando o Duo convidou Victor Burbach (conhecido como Grilo) para um de seus ensaios. O som ficou tão bom que os três decidiram montar a Big Up.

A banda já lançou dois EP’s e um álbum, batizado de UNI-VERSOS.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Suvas, integrante da banda.

 

Para ouvir as músicas completas, clique botão cinza no quadro abaixo.

 

Levando em consideração os cenários de onde vocês vêm (Interlagos), o quanto isso influenciou na carreira da banda?

Saravá a toda família da Revista Arte Brasileira. Obrigado pela oportunidade. Suvas aqui representando a trupe. Cara, Interlagos é um bairro nobre na periferia paulistana. Aqui tem de tudo, mansões, barracos, muitos nordestinos, muitos alemães e uma interação de diversidades culturais muito peculiar. Isso se dá demais no nosso som, levando em conta que a Big Up é quase inrotulável, somos reggae, somos rap, somos ijexa, somos Brasil.

 

É bem interessante as transformações da banda até chegar em Big Up. Conte para nós como isso tudo aconteceu e como a banda foi formada.

Sim, eu e o Pierro tínhamos uma banda de Hard Core (sub-gênero do Punk Rock) chamada Ticana, e o Ras Grilo fazia parte dum coletivo de Sound System chamado Amanajé. Um dia o Rasta (Grilo) colou no ensaio do Ticana e nós fizemos uma jam session que acabou resultando numa conversa, que se prolonga até hoje (risos).

 

Vocês três vem de estilos musicais diferentes. Como uniram tudo isso numa “coisa só’?

Eu acho que nenhum de nós tem algo que os outros não tenham, temos os mesmo gostos, mas cada estilo de som se acentua em diferentes proporções em cada um. O Pierro, por exemplo, ouve bastante Rap, eu e o Grilo ouvimos muito também, mas não como ele. Assim sou eu com a música Brasileira e o Ras Grilo com o Reggae.

Vocês são adeptos a música brasileira. Nesse sentido, quais são as influências de vocês? E como vocês trabalham com a música nacional?

Cara, a gente ama muito mesmo o Gilberto Gil, achamos a música dele muito universal, ao mesmo tempo ímpar e ao mesmo tempo totalmente representante do cenário Brasileiro no mundo, de fato é o nosso maior ídolo em comum. Mas também temos uma admiração absoluta por Djavan, Lô Borges, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Dominguinhos, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Novos Baianos, A Cor do Som e os amigos contemporâneos como o Sinara, Dois Reis, Onze:20. Acho que a música Brasileira tá tão enraizada na gente, que ela se faz sozinha no nosso trabalho.

 

Falem um pouco dos seus lançamentos (os dois EP’s e o álbum).

Os dois EP’s foram produzidos de forma independente, gravados num Home Studio nos fundos da casa do Grilo e todos os instrumentos foram tocados por mim (Suvas). O álbum é um compilado dos dois EP’s com mais algumas inéditas. As guitarras e vozes foram regravadas no estúdio EME na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e em algumas faixas contamos com a percussão do Ricardo Guerra (Novos Baianos e Pepeu Gomes) e com os baixos do mestre Magno Brito (Gilberto Gil e Sinara), além da mixagem e masterização dos engenheiros Diogo Macedo e Tuta Macedo, dois irmãos que arrancaram um som absurdo.

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva a banda?

Milhares, a maioria das histórias são bem engraçadas. (risos)
Mas vou contar uma curiosidade. Nós três moramos na beira da mesma avenida, a Av. Atlântica. Eu numa ponta, o Grilo na metade e o Pierro na outra ponta. Um dia eu e o Pierro contamos no painel do carro e vimos que dá minha casa pra casa do Grilo é exatamente a mesma distância da casa do Pierro pra casa do Grilo: 2.650 metros. Ele está exatamente no meio do caminho entre nós dois, vocês sabem o que isso significa a partir das ciências herméticas? Absolutamente nada. Significa que assim como eu, o Pierro precisa ter menos preguiça e ir de bicicleta todos os dias pro estúdio gravar as prés do próximo disco. (risos).

 

 

 

 

 

Newsletter

Kelline Lima: linhas sinuosas e orgânicas como arquétipos do feminino

O  coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate. Provérbios, 15:13 1. Kelline Lima.

LEIA MAIS

Novo pop rock de Jan Thomassen se esbarra na “crise dos 40” 

“Envelhecer consciente de que não há caminho de volta”. É este um dos pensamentos do novo single do cantor e.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Conversa Ribeira e seu Brasil profundo

Três artistas de cidades interioranas, Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeão) e João Paulo Amaral (viola caipira.

LEIA MAIS

Djalma Paixão: de quando a arte busca sua marca e seu número

Os domínios da luz, onde as potênciasse integram no equilíbrio de uma formaos domínios da luz, parque tranquilosobrevoado de aspiração.

LEIA MAIS

Uma aula sobre samba paulista com Anderson Soares

Patrimônio cultural imaterial do nosso país, o samba foi descrito e explicado por incontáveis fontes, como estudantes do tema, jornalistas,.

LEIA MAIS

Alguns livros que você precisa ler antes de morrer

A morte dá alusão ao fim do mundo, o Apocalipse e até mesmo o fim da vida de uma pessoa,.

LEIA MAIS

Filme nacional que arrecadou mais de R$ 19 milhões, “Lisbela e o Prisioneiro” foi lançado

No dia 22 de agosto de 2003, ia aos cinemas “Lisbela e o Prisioneiro”. Aposto que não sabiam, mas estavam.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição23

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

“Pra não dizer que não falei das flores”, o hino contra a ditadura

  Dizer que a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré foi um hino contra.

LEIA MAIS

Conceição Fernandes: a presença e a valia do silêncio na arte

1. Conceição Fernandes (Mossoró, 16.05.1957) é atualmente professora aposentada, tendo atuado como professora nas redes estadual e municipal. Dedica-se às.

LEIA MAIS