18 de agosto de 2026

Disco novo de Guinu gravado em 12 horas apresenta sonoridade jazz, pop e brasileira

 

Groove envolvente, com forte influência do soul, do jazz, da MPB e do pop. Essa é a base do som de Pedro Guinu, pianista, cantor e compositor, que lança o seu visceral disco de estreia, reunindo uma vida de experiência. “Guinu” foi feito ao vivo, como as gravações setentistas que inspiraram o disco.

O álbum foi gravado em uma sessão de 12 horas, no dia 9 de setembro de 2017, no estúdio Fibra (Rio de Janeiro), com músicos selecionados a dedo por Pedro e a participação especial de Donatinho. Para manter o clima quente e surpreendente para os músicos, foram feitos apenas dois ensaios antes da sessão. O frescor das músicas a sensação de descoberta pode ser sentida em cada uma das faixas.

 

Abaixo veja na íntegra uma entrevista com Pedro Guinu.

 

 

O disco foi gravado em apenas 12 horas. Como conseguiu fazer isso? Geralmente, as gravações duram muito mais tempo…

Sim. Exceto pela música SALGUEIRO, que foi produzida pelo Donatinho, o disco levou 12 horas para ser gravado. Agora, a pré-produção e pós-produção são outra historia. Demorei cerca de um mês amadurecendo as composições e criando os arranjos. Uso um programa de computador para gravar todos os instrumentos virtualmente. A música já toma uma forma bem interessante no computador, envio estes áudios para os músicos e também as partituras. Depois foi ensaiar e gravar. Tive o privilégio em ter grandes músicos e técnicos envolvidos nesse trabalho, isso foi fundamental. 

A pós produção que é o tempo gasto em edição, mixagem e masterização, durou cerca de duas a três semanas. 

E desse mesmo lado, você e a banda fizeram apenas dois ensaios antes das gravações. Isso é realmente incrível. 

Os músicos que gravaram o disco foram realmente incríveis! Foram dois ensaios um de três e outro de quatro horas apenas. No terceiro dia entramos no estúdio e gravamos. Foi um dia muito especial pra todos nós. Tudo estava soando bem e o clima da gravação ótimo, foi uma dessas coisas que acontecem poucas vezes na vida.

 

A faixa QUERO VER tem uma história bacana por trás dela. Pode nos contar?

A história dessa música me veio em um dia quente no Rio. Estava fazendo uma caminhada na praia e vi uma jovem bonita, com um jeito de gringa, olhando triste para o celular. Aquilo prendeu a minha atenção, daí imaginei que essa jovem terminou o namoro, estava em outro país, livre e desimpedida. Só que agora estava com medo de partir pra outra e ficar magoada novamente. Então ela conversava com a própria consciência que dizia: Eu só quero ver você chamar esse daí de meu amor sem sofrer. (risos)

As minhas letras são leves, falo sobre coisas do cotidiano, conto historias que ouvimos de um amigo, de um vizinho ou que acontecem na nossa vida de uma maneira simples e direta. 

 

A NOITE MELHORA me deu uma sensação de algo mais puxado pra MPB… Qual foi a influência pra essa música? 

Quando eu componho, raramente penso em influência. A música vai nascendo nota por nota até tomar a sua devida forma. Por outro lado, tenho fortes influências de compositores nordestinos como, Gil, Caetano, Djavan, Luiz Gonzaga, Hermeto Pascoal, etc. 

 

Em relação a essas e as outras, como foram os processos de criação?

Exceto Salgueiro, o processo foi o mesmo para todas as faixas. Composição, criação das demos, partituras e, por fim, ensaios e a gravação ao vivo. 

Guinu é um disco de ótimas composições, letras leves, muito bem arranjado e executado por grandes músicos. Tem faixas pra viajar ouvindo e outras pra aumentar o volume e dançar, partilhar momentos, ouvir no carro, no ônibus. Existe nele uma forte linguagem pop, que divide o espaço com solos jazzísticos. É música popular brasileira, com influência afro-norte americana, gravado ao vivo, bem mixado e masterizado. 

 

Se tiver alguma história interessante também, pode contar.

Na faixa SALGUEIRO, eu falo sobre as festas e amores que vejo pela minha janela. Porque eu realmente moro atrás da quadra. Esse clima de noite carioca era a cara do Donatinho, que lançou um super disco recentemente, o Sintetizamor. Combinei a data, acertamos tudo e cheguei no estúdio dele, o Synthlove, lá pelas 11:00 da manhã. Às 17:00 a música já estava pronta, foi muito rápido. 

Uma aula sobre teclados analógicos, processos de gravação, timbres e texturas. Alguns teclados são tão antigos, que foi preciso conferir a afinação, que estava perfeita. 

Começamos do zero, folha em branco total. Gravei uma guia de voz e piano Rhodes, ele gravou o keybass e fez a programação de bateria eletrônica. Depois foi só diversão com os teclados antigos. Parecia que estávamos compondo a trilha do Stranger Things. Foi muito divertido).

 

 

 

 

Newsletter

O Abolicionista e escritor Cruz e Sousa

A literatura brasileira se divide em várias vertentes e dentro dela encontramos diversos escritores com personalidades diferentes e alguns até.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Cambismo, um crime quase submerso (com Ednilton Farias Meira)

Três afirmações estão próximas de você: (1) talvez você já praticou o Cambismo e muito provavelmente já viu alguém praticar.

LEIA MAIS

Djalma Paixão: de quando a arte busca sua marca e seu número

Os domínios da luz, onde as potênciasse integram no equilíbrio de uma formaos domínios da luz, parque tranquilosobrevoado de aspiração.

LEIA MAIS

CONTO: A ansiedade do vovô na hora que o cometa passou (Gil Silva Freires)

Seo Leonel tinha nascido em 1911, um ano depois da primeira passagem do cometa de Halley neste século vigésimo. Dessa.

LEIA MAIS

A literatura feminina e os seus desafios

LITERATURA FEMININA: Eu fiquei sem escrever algo concreto por dois meses. Um bloqueio talvez ocasionado pelo meu anseio por coisas.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS

BINGO: O REI DAS MANHÃS – Tudo o que você precisa saber!

Lançado em 2017, é o primeiro longa do diretor Daniel Rezende (montador de “Cidade de Deus” (2002), “Tropa de Elite.

LEIA MAIS

Alguns livros que você precisa ler antes de morrer

A morte dá alusão ao fim do mundo, o Apocalipse e até mesmo o fim da vida de uma pessoa,.

LEIA MAIS

Jardel: o silêncio que sopra sussurros do longe

Os humanos são sozinhos.Por mais que haja amizade, amor,companhia, a solidão é da essência. Clarice Lispector  1. Jardel (João Pessoa,.

LEIA MAIS