7 de dezembro de 2025

A leveza da banda Chapéu de Palha

Leonardo Mota / Divulgação.

Acho que um dos pensamentos mais recorrentes em uma época tão acelerada quanto a nossa, é na verdade uma breve pergunta: o que acontecerá amanhã? Comigo também não é diferente. Há um tempo venho mastigado a mesma ideia meditando sobre o que o futuro me reserva e como ele pode ser reconfortante e ao mesmo tempo assustador. Foi em meio a esse contexto que, conversando com uma amiga, encontrei uma das bandas que mais fazem parte do meu dia a dia atualmente: Chapéu de Palha.

A banda [Chapéu de Palha] é um duo amazonense composto pela Giovanna Póvoas e pelo Helder Cruz, que vem conquistando a cena do mercado musical brasileiro. O que mais me encanta é a forma como eles encaixam perfeitamente letras marcantes em melodias calmas e incríveis. No fundo, todos nós temos um peito pesado de se carregar, eles bem definem isso em sua música “despedida” (álbum “Eu”, 2019) que abraça o ouvinte como o conselho de mãe e demonstra que, por mais difícil que esteja, ficará tudo bem. Juntos, eles nocauteiam o mundo com a leveza de uma pena. Ouvi-los, para mim, já virou rotina.

Para ser sincero, vejo no sonho dos dois um passado memorável, um presente persistente e um futuro promissor. Os singles, principalmente o “Gostasse, mô?” de 2020, me lembram bastante do estilo musical de outro gênio da música nacional contemporânea, o Tiago Iorc. Ambos são a prova viva que o maior degrau da sofisticação é a simplicidade.

Ainda assim, é possível notar a evolução do duo amazonense nesses últimos dois anos. Os trocadilhos e o jogo de palavras estão mais presentes do que nunca; como uma forma divertida de mostrar ao ouvinte que se acalme, afinal de contas o futuro virá, a gente sabendo ou não o que acontecerá amanhã. Como vocês podem ver no trecho a seguir da música “O Amor do Mundo Inteiro” lançada em julho desse ano (2021):

“Já faz um tempo que eu tô pra te dizer
Dessas borboletas que não vão passar
E da constante falta que faz você
Enquanto o tempo passa muito devagar
Mais me intriga o fato deu te conhecer
Te conhecer tem feito meu corpo suar
Soar teu som tem me feito vibrar
Vibrar na vida o som da corda e o violão
Querer compartilhar contigo o coração
Cantar um som que te faz de amor, lembrar
O amor do mundo inteiro querer te dar
E te lembrar

Que toda saudade um dia vai passar
E se Deus quiser a gente vai casar
Lembra sempre de não esquecer de mim
Pra vontade só deixar de apertar
Quando estiver aí…”

Depois de tanto, é impossível não ser grato ao Bom Deus, a pessoa que me apresentou a banda e as músicas que me renderam, dentre tantos frutos, a sabedoria para tratar a vida com leveza; para enfrentar o que vier com mansidão, e ser forte o suficiente para fazer a minha parte.

O Brasil precisa ouvir mais “Chapéu de Palha”.

Reprodução do instagram do duo

DISCOGRAFIA

Álbuns:
“Eu” – 2019

Singles:
“O Amor do Mundo Inteiro” -2021
“Amor Eu Te Dei” – 2021
“A Última Valsa” – 2021
“Olho Blue” – 2020
“Gostasse, Mô?” – 2020

A invisibilidade da mulher com deficiência física (por Clarisse da Costa)

Eu amei o tema da redação da prova do ENEM de 2023: Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

CONTO: A Falta de Sorte no Pacto de Morte (Gil Silva Freires)

Romeu amava Julieta. Não se trata da obra imortal de Willian Shakespeare, mas de uma história de amor suburbana, acontecida.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

Olympia Bulhões: a casa de morada e seus emblemas simbólicos

Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens me puxam pelos vestidos. que os ventos me arrastam contra.

LEIA MAIS

Bethânia só sabe amar direito e Almério também (Crítica de Fernanda Lucena sobre o single

O mundo acaba de ser presenteado com uma obra que, sem dúvidas, nasceu para ser eterna na história da música.

LEIA MAIS

MÚSICA CAIPIRA: Os caipiras de 1962 ameaçados pela cultura dos estrangeiros

Em 1962, Tião Carreiro e Carreirinho, dois estranhos se comparados ao mundo da música nacional e internacional, lançavam o LP.

LEIA MAIS

Música de Cazuza e Gilberto Gil também é um filme; você sabia?

“São sete horas da manhã   Vejo o Cristo da janela   O sol já apagou sua luz   E o povo lá.

LEIA MAIS

LITERATURA DO RAP, por Luiz Castelões

O rap é o mais importante gênero musical-literário do final do séc. XX.Assim como o post de rede social é.

LEIA MAIS