24 de junho de 2026

Duo mostra em novo disco que o Brasil também é país de música erudita [ENTREVISTA]

 

Não é nada estranho o título dessa matéria. Assim que ouvi pela primeira vez o disco de Paula Bujes e Pedro Huff, logo de cara, percebi o quanto eles estão ativando a música erudito no país, ainda mais quando suas performances se confundem com o popular.

AFLUÊNCIAS é uma mistura de ritmos (choro, frevo, coco, aboio, caboclinhos, maracatu, tango, milonga e o chamamé), que é interpretada especialmente pelo violino e violoncelo, mas também com vários outros artistas em ação com outros instrumentos. O disco foi lançado graças ao apoio de mais de 300 investidores que apoiaram o projeto via financiamento coletivo. 

 

Abaixo, veja na íntegra uma entrevista especial que fizemos com Paula Bujes:

 

 

Para começar, me diga qual a função do violino e do violoncelo no disco. E por que decidiram usá-los?

O violino e o violoncelo são instrumentos muito versáteis. Trabalhamos nesta formação (em duo) há mais de dez anos e além disso cada um estuda seu instrumento individualmente há mais de 20 anos.  O aperfeiçoamento na performance da música de concerto ao longo destes anos nos levou a refletir sobre maneiras de colocar técnicas específicas da estética da música do século XX a serviço de uma linguagem e sonoridade totalmente brasileiras.

 

Musicalmente, o álbum me parece ser bem variado. Pode nos falar mais sobre essa mistura de ritmos?

São muitas as misturas presentes em AFLUÊNCIAS. Primeiramente a mistura de gêneros da nossa música regional, desde Villa-Lobos – que escreveu uma obra para a nossa formação inspirado no choro – passando por compositores da contemporaneidade que também exploram esses gêneros da música brasileira  – Dierson Torres, Liduino Pitombeira e Adriano Coelho se inspiraram no coco, cantiga, toada e desafio –  e até peças autorais nossas que retornam ao choro e trazem aboio, frevo, caboclinhos, tango e maracatu. A mistura dos diferentes estilos presentes na música brasileira é reforçada pela mistura de nós mesmos (gaúchos de Porto Alegre) com a terra que escolhemos como casa (Recife).

 

E poeticamente, como é o disco?

No encarte do CD tem trechos de poemas que têm relação com algumas faixas do disco. O lançamento do CD em Recife teve a direção cênica de Ronaldo Correia de Brito, e ele propôs que Pedro dissesse alguns poemas entre as músicas. Ficou muito bonito. Mas no CD mesmo tem só a gente tocando e os trechos no encarte J

 

Como funcionou o processo de financiamento coletivo do disco?

O financiamento coletivo do disco foi feito na plataforma Catarse em uma campanha de cerca de 50 dias. Durante a campanha realizamos mais de 10 recitais em lugares variados, desde salas de concerto até museus, cafés, academia de ginástica (!), universidades… Contamos com o apoio inicial do Instituto Ricardo Brennand, que cedeu a Capela Nossa Senhora das Graças para a gravação. Durante a campanha mais de 300 pessoas se juntaram ao projeto selecionando recompensas pelo apoio que realizavam. No final da campanha contamos com o apoio da Prefeitura do Recife, que nos apoiou com o design da capa e encarte do CD e com a pauta do Teatro Santa Isabel para o lançamento. Foi um processo muito intenso, desde o estudo sobre crowdfunding, o planejamento da campanha, e os 50 dias de interação intensa com os apoiadores. Tainá Menezes foi braço-direito nessa empreitada! Hoje vemos que valeu muito a pena, pois além de conseguirmos 103% do que precisávamos financiamento do CD ampliamos nosso público.

 

 Em questão de criação, vários outros compositores fizeram parte do disco. Como funcionou isso tudo?

Na música instrumental de concerto (ou música clássica ou erudita, como é chamada) esta divisão de tarefas entre o compositor intérprete é muito comum. Nós tínhamos peças de nossa autoria, mas entramos em contato com alguns compositores (com exceção de Villa-Lobos!) para dar mais diversidade ao CD, e eles dedicaram as peças ao duo. O interessante nesse processo foi a construção das obras em conjunto com cada compositor. Tocar música nova é sempre um prazer! Tanto que para 2018 já estamos envolvidos na gravação de outro CD, desta vez com um quarteto de cordas.

 

E a gravação e produção, como foram?

A gravação foi captada na acústica maravilhosa da Capela Nossa Senhora das Graças, do Instituto Ricardo Brennand com Marcelo Cabral de Mello e mixada e masterizada com Homero Lotito da Reference Mastering Studio. Tivemos a mão amiga de Priscila Gama na escolha dos melhores takes. Foi maior desafio terminar o CD…! Todos os envolvidos são muito perfeccionistas!

A produção segue! Estamos preparando muitas coisas legais para este ano! Fiquem ligados na nossa página do Facebook!

 

 

 

 

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