28 de agosto de 2026

[ENTREVISTA] Banda De um Filho, De um Cego lança o EP “Mente”

Foto de Rei Santos

 

O EP “Mente” com cinco faixas autorais e inéditas, recém lançado pela banda De um Filho, De um Cego, é a mostra da evolução do grupo que surgiu em 2009, ainda que de forma despretensiosa.

Em breve, o grupo lança o EP “Andorinha”, que junto ao EP “Mente”, formará um álbum.

A produção é da própria banda, o EP foi gravado no Estúdio Audio 13 (Londrina). O banda conta com Lucas Waricoda (vocal e guitarra), Guilherme Nascimento (baixo), Galego Teixeira (guitarra) e Matheus Teixeira (bateria). A capa é uma criação de Matheus Castro.

A qualidade de “Mente” e seus diferenciais poéticos e musicais, nos chamaram muito a atenção. Por esse motivo, “Mente” é agora alvo de uma de nossas entrevistas especiais. Confira:

 

 

Pessoal, muito obrigado por aceitarem essa entrevista. A primeira pergunta. Explique para nós o nome do EP (“Mente”) e também o próprio nome da banda. Qual o conceito?

Lucas Waricoda (Vocalista e guitarrista da banda): A gente que agradece o interesse! Vamos lá. Como serão lançados dois EPs que, juntos, formarão o disco cheio “Mente Andorinha”, resolvemos separar o nome para batizar os EPs: o primeiro é o “Mente”, e o segundo, “Andorinha”.

O conceito geral do disco gira em torno do cotidiano, das amarras físicas e dos “respiros” da rotina, brechas que nos permitem observar e refletir sobre a vida e as coisas.

Já o nome De um Filho, De um Cego (DFDC) surgiu bem despretensiosamente. “De um Filho” e “De um Cego” são duas músicas do primeiro EP da fase solo desse projeto. Na verdade, DFDC nunca foi feito para ser “publicado”, eram músicas que eu tinha na gaveta e quis gravá-las para registrar essas composições, lá em 2009. Depois de gravadas, mostrei pra um amigo meu que, coincidentemente, é web designer. Ele gostou tanto que quis fazer uma página no Myspace, mas faltava um nome. Olhei a lista de músicas do EP e bati o olho em “De um Filho” e “De um Cego”. Ficou assim.

 

Como vocês definem o EP musicalmente?

Lucas Waricoda: Como um EP maduro. Olhamos para o “Mente” e vemos amadurecimento. Em timbres, arranjos, levadas, letras, enfim; assim como nós, nossa música também mudou – como sempre muda (e gostamos disso). Ouvir o EP é conhecer nosso olhar sobre experiências vividas por nós durante esses 3 anos de estrada, correria e aprendizado. Nesse meio tempo, também passamos por algumas mudanças de integrantes até chegar nessa formação – e acreditamos ter encontrado a fórmula certa entre entrosamento e identidade. “Mente” é resultado de tudo isso.

 

E nas letras das canções, o que vocês falam? Que assuntos querem impactar?

Lucas Waricoda: Falamos sobre o que vivemos, nossa rotina, nossas reflexões sobre a vida e as coisas. Escrevemos sobre trabalho, relacionamentos, natureza, tecnologia, espiritualidade; sempre com um tom de lirismo e metalinguagem. Como a gente mesmo diz, DFDC é um diário. São nossas impressões honestas sobre o que acontece em nossa volta.

 

O que o público pode esperar de “Mente”?

Lucas Waricoda: Um EP sólido e coeso, que carrega a estética da identidade do De um Filho, De um Cego em sua melhor fase.

A banda já tem 10 de anos de história. O que “Mente” traz de diferente em relação aos trabalhos anteriores?

Lucas Waricoda: Muita coisa, começando pelo processo de composição e construção de arranjos. Nesse EP, exploramos mais timbres e camadas, resultado do nosso esforço em entender a particularidade de cada instrumento/instrumentista e o que tínhamos ao nosso alcance em termos de equipamento. Muitos dos arranjos foram criados em estúdio durante jam sessions, o que acabou imprimindo um aspecto mais orgânico e natural às músicas. Elas também continuam como crônicas do cotidiano, mas dessa vez falam sobre temas mais “leves”, se comparadas ao “Outros Verões”. As influências brasileiras e do rock alternativo dos anos 90 também surgem com mais força, mesclando o que temos consumido de atual na música.

 

“Mente Andorinha”, umas das faixas do EP compostas pelo vocalista Lucas foi inspirado no “Poeminho do Contra”, de Mário Quintana. Como foi essa história?

Lucas Waricoda: Mário Quintana foi uma leitura recorrente na minha vida, principalmente seus poemas pílula. O “Poeminho do Contra”, em especial, sempre me chamou muito a atenção. A ideia de liberdade que o poema traz é tão rica e cheia de significados que me encanta. Um dia desses, de cama, doente, com o poema na cabeça, comecei a escrever alguns versos. Foi assim que “Mente Andorinha” surgiu.

 

E em relação as outras faixas, quais são as histórias?

Lucas Waricoda: “Céu de Domingo” fala sobre um domingo de tarde, logo após um show em Maringá-PR, onde tocamos com uma das bandas que nós mais escutamos durante a adolescência: Sugar Kane. Tocar com eles e ouvir as impressões dos caras sobre nosso show foi tão especial pra nós que me fez refletir sobre o momento que a DFDC estava vivendo. Daí surgiu a música.

“Todos os Outros” fala de estar conectado, mas sozinho. De ter pessoas fisicamente do seu lado, mas longe. De tentar se desligar.

“Braço de Ferro” fala sobre resoluções. Sobre conflitos, mas sobre concessões. Amar é aprender que é preciso ceder em certas situações, e ela fala sobre isso.

“Transe” fala sobre mar e saudade. Acho que, basicamente, é isso.

 

E os bastidores por de trás de todos os processos (criação, produção e gravação)?

Lucas Waricoda: Eu moro em Maringá-PR, Galego mora em Londrina-PR, Guilherme e Matheus moram em Jacarezinho-PR. Essa distância faz com que tudo, na maioria das vezes, se restrinja ao fim de semana. Qualquer produção, ensaio ou role precisa ser feito nesse prazo de 2,5 dias a 3 dias. Ao mesmo tempo, somos amigos (e no caso do Galego e Matheus, irmãos) e, quando nos reunimos, queremos aproveitar também como amigos. Em linhas gerais, o processo de produção do disco foi todo baseado nesse esquema. As composições vêm desde o lançamento de “Outros Verões” (2016) e, desde então, volta e meia pegávamos algumas músicas novas e íamos arranjando, testando ao vivo etc. “Braço de Ferro” foi a primeira delas. A única que saiu de forma diferente foi “Mente Andorinha”, que foi arranjada ao longo da própria gravação. Captamos tudo no Estúdio Audio13, em Londrina-PR, a mixagem foi feita pelo próprio Galego, e a masterização, por Marcelo Guerreiro.

 

Fiquem à vontade para falarem o algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

Lucas Waricoda: Acho que seria legal só ressaltar que vamos lançar um clipe ainda nesse semestre de uma das músicas do EP “Mente” e se preparar também para o lançamento do EP “Andorinha”, com previsão para o início do segundo semestre deste ano.

 

 

 

 

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