9 de maio de 2026

[ENTREVISTA] Cantora Da Cruz faz crítica política e social em disco “preto e urbano”

Foto: Ane Hebeisen / Büro Destruct

 

“Preto” e urbano, é assim que a cantora e compositora Da Cruz (como é conhecida no exterior) define o seu novo álbum, ECO DO FUTURO, com forte teor de crítica política em suas letras, entre outros assuntos relevantes.

Brasileira, mas radicalizada nas Suíça há dez anos, Da Cruz tem seu estilo musical chamado de “afro-brazilian bass music.

No exterior, na Europa, Da Cruz ficou conhecida por trabalhar com temas como o racismo e a violência contra a mulher. Seu nome também está relacionado a valorização da cultura afro-brasileira, difundida em países como a Inglaterra e Estados Unidos.

Da Cruz cresceu ouvindo de sua avó que o “Brasil era o país do futuro”, e agora percebendo a atua situação, a cantora enxerga em ECO DO FUTURO uma nova forma de protesto, conscientização e mudança.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com a cantora.

 

 

Em release você diz que o álbum é “preto”, indicando a influência do black music no álbum ECO DO FUTURO. Fale um pouco sobre o quanto este seu quinto trabalho tem disso tudo.

Ele é uma mistura da batida Africana, das festas black onde meus heróis como Fela kuti gritavam por Igualdade.  ECO DO FUTURO sons que chegam ao seu corpo e massageando sua mente. Eu sou negra sim querendo um futuro mais justo e imediato para hoje. Transporto minhas Raìzes Ancenstrais.

 

Você é radicada na Suíça, mas nasceu no Brasil. O que você considera que ECO DO FUTURO tem dessas duas influências geográficas e étnicas?  

Sim moro na Suíça há 17 anos, tive que renascer de novo nada fácil se adaptar, a língua e cultura. Amo o Brasil onde cresci e vivi, tenho minha família e amigos onde jamais esquecerei. O foco do álbum ECO DO FUTURO está no Brasil, como as coisas se passaram no Brasil e logo como o mundo inteiro também abriu os olhos de como as coisas na realidade funcionam no Brasil.  Como por exemplo: a questão da ideia de como as classes convivem todos juntos, sem racismo, ou igualdade social, de como o povo brasileiro deixou de sorrir. A sociedade se dividindo em dois lados políticos sem possibilidades de diálogo. A população deixando se distanciar pela classe política. Na Suíça também existe falsas decisões mas entre o sistema da democracia direta, a população tem a possibilidade de participar das decisões. Eu gosto deste sistema pois a população não se frustraria no cotidiano político.

 

Certamente, o álbum tem um conceito. Qual é?

A curiosidade me expulsou do Brasil, pois resolvi ir para Lisboa conhecer a língua de Saramago e suas ex-colonias africanas, em busca das minhas raízes afro descendentes. Aprendi muito viajando e convivendo com culturas de Angola, Cabo Verde, Africa do sul  Burkina Faso… As suas diversidades e influências musicais. Gosto muito da fusão que posso trazer para minha música juntando as batidas africanas com o Dub europeu que me fazem sair do chão, criando forças passando essa energia com o público. Como moro fora do Brasil tenho mais liberdade de criação e ousadia para experimentar novos sons sem medo de ser feliz.

 
As letras das músicas falam de que?

Nas canções enfrento o racismo oculto entre as elites políticas e as pessoas comuns, a revolta contra a injustiça econômica. De um País cambaleante entre a revolução e resignação de uma geração que acreditou num Futuro a qual nunca chega…  De um vírus que não nos deixemos contaminar pela intolerância e o ódio dividindo a cabeças das pessoas.  A força da mulher e mesmo nos dias de hoje sendo maltratadas e assassinadas pelo machismo embutido em nossa sociedade.  Do relato de uma mulher negra que vê como seu País está sendo roubado e governado por homens brancos e privilegiados. Do Amor dos tempos difíceis.

 

E a parte rítmica, como você diria que ela é?

Como disse é um disco “preto” urbano, onde a batida africana estão presentes. Você ouvi afro- beat da Nigeria, Kvaito de África do sul, mas também Dub , Hip-Hop e baile funk …

 

Como o álbum vem sendo recebido por onde você passa?

Os grandes jornais e revistas da Europa e U.S.A , escreveram positivamente. Rádios do mundo inteiro tocando nossa música. E nossa turnê pelo Brasil, França, Alemanha, Holanda, Espanha, Portugal e Canadá sendo recebidos com muito público, curiosidade pela música. Claro canto todas em português mas me comunico e explico ao público o teor das letras em inglês ou alemão. Eles interajem juntos pois estão atentos sobre a realidade.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

ECO DO FUTURO, eu já havia começado a escrever há uns anos atrás e todo o processo de escrever me vinham em flash de situações vividas, meu corpo presente estava aqui, mas meu espirito estava vivenciando ai no Brasil no mundo. Na mediação no transporte de novas ideias e o conforto de estar sendo o portal para essas vozes.  

 

Fique à vontade para falar o que quiser. 

Da Cruz procurou ficar longe dos clichês brasileiro começando agora a fazer e criar novas Pontes e linguagem onde todos no Coletivo possam cruzar e se conectar com todos no Mundo. 

 

 

 

 

Newsletter

Vá e Veja ou Mate Hitler

Falas do filme: Homem #1: “Você é um otimista desesperado.” Homem #2: “Ele deveria ser curado disso.” Eu particularmente considero.

LEIA MAIS

EUA, a esperança do mundo? Artista português diz que sim em depoimento sobre sua música

Fritz Kahn and The Miracles é um projeto musical de um artista português. Sua discografia é extensa, embora tenha sido.

LEIA MAIS

BINGO: O REI DAS MANHÃS – Tudo o que você precisa saber!

Lançado em 2017, é o primeiro longa do diretor Daniel Rezende (montador de “Cidade de Deus” (2002), “Tropa de Elite.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo: retratos, andanças e marinas fundam uma poética

Veredas são caminhos abertos, livres entre florestas inóspitas ou suaves e são símbolos de ruas de escassez de cidades com seus bairros de.

LEIA MAIS

CONTO: A Falta de Sorte no Pacto de Morte (Gil Silva Freires)

Romeu amava Julieta. Não se trata da obra imortal de Willian Shakespeare, mas de uma história de amor suburbana, acontecida.

LEIA MAIS

Como nasce uma produção musical? O caso de “Lord Have Mercy” diz que vai além

O cantor e compositor norte-americano Michael On Fire tem em “Lord Have Mercy” um de seus hinos mais potentes. Michael.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Por que o rock deixou o mainstream brasileiro? (com Dorf)

As novas gerações se assustam quando escutam que o rock já protagonizou o mainstream brasileiro. Não à toa. Atualmente, o.

LEIA MAIS

Ana Canan: metáforas da solidão extraídas da natureza

Clique aquiClique aquiClique aqui Perfil Ana Canan FlickrClique aqui Previous Next Suave é viver sóGrande e nobre é sempreviver simplesmente.Deixa.

LEIA MAIS

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

Olympia Bulhões: a casa de morada e seus emblemas simbólicos

Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens me puxam pelos vestidos. que os ventos me arrastam contra.

LEIA MAIS