16 de julho de 2026

[ENTREVISTA] Laura Lavieri faz explosão sonora em novo álbum, quente e expansivo

Créditos: Karin Santa Rosa

 

O título dessa reportagem é tão verídica, que não é preciso muito para perceber. Logo na faixa de entrada do disco, podemos perceber o quanto DESASTRE SOLAR é intenso, explosivo, e muito diferente do que costuma-se ver rodando por aí.

DESASTRE SOLAR é uma expressão intensa de quem é Laura Lavieri, que se entrega ao disco como intérprete e claro, a grande idealizadora do projeto.

Composto por 11 faixas de variados compositores, o álbum tem o sentimento de “descoberta” como o mais evidente, segundo a própria cantora. “Descobrir a mim mesma, descobrir o ofício, trabalho, percurso, o desafio que é fazer um disco. Tornar real e material algo que já foi simplesmente uma sensação”, comenta a intérprete.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Laura Lavieri.

 

Acredito que tem algum conceito bem interessante por trás do nome do álbum, não é? 

A primeira coisa que me movimentou em direção a esse nome, foi a descoberta da etimologia da palavra DESASTRE. É sobre a má estrela, um astro sofre um mau encontro. Algo como um meteoro, um big bang. Bom e ruim: valorações tão humanas. o que é bom ou ruim pra uma estrela? no universo, tudo apenas é. E se de uma grande explosão destrutiva nasce toda a possibilidade de vida de um novo planeta, como poderíamos achar ruim tal movimento? O próprio sol que é a fonte de energia de todo nosso sistema, é um caldeirão de explosões desastrosas. Uma depressão, uma frustração, o fim de um amor, muitas vezes podem ser o começo de uma nova felicidade. Em tudo que há vida, há morte em seu avesso.

 

O álbum contém 11 faixas de diferentes compositores. Como foi fazer essa seleção? O que você levou em conta nesse momento?

Existia o tema, a alegoria central que era o sol. A ideia era que fosse um disco extrovertido, quente, expansivo, explosivo, que firmasse uma identidade. A parte do “desastre” seria contemplada pelas escolhas estéticas (tanto da sonoridade e produção, quanto da parte visual). Então o tema foi um guia central pra todas as decisões, mas as escolhas de repertório essencialmente passam por um crivo muito subjetivo e simples que é se eu posso ou não me apossar da canção, e cantá-la como se fosse minha. 

Pra além disso, foi uma escolha que o disco fosse equilibrado entre versões (a importância de recontar historias, com outras interpretações mas as mesmas histórias que compõe nossa cultura) e inéditas (a importância de exaltar os compositores contemporâneos). Algumas vieram indicadas, outras como presentes. Algumas eu encomendei, outras foram descobertas de pesquisas. 

 

Em release, você diz que o sentimento de “descoberta” é um dos maiores e mais abrangentes do álbum. Comente.

Descobrir limites e definições, dar corpo a um trabalho, uma expressão, entendendo quem eu sou e o que quero expressar agora.  

 

Quais são os outros sentimentos de DESASTRE SOLAR?

O sentimento de me apossar do papel de cantora, interprete, e dos meus sentimentos. Finalmente dar voz às minhas emoções (diferente de dar voz às emoções de artistas que me convidavam, ou das canções do Marcelo). É deixar pra trás um momento mais melancólico e contido, nostálgico. Para encarar o sol, uma nova fase, minha identidade que agora se apresenta mais explosiva … e solar.
tem muito sentimento de libertação, por conta de tanta descoberta e definição.  

 

O quanto tem de “Laura Lavieri intérprete” em DESASTRE SOLAR?

Tudo. É um disco de interprete. 
interpretar não é somente executar a canção em sua estrutura, mas dar voz a ela, imprimir minha identidade e minha leitura na expressão do personagem ou da trama da canção.

E meu papel de interprete não se limita apenas ao cantar. Começa nas escolhas de repertório, na construção do álbum, como um elemento, com uma narrativa completa, e passa por tudo que envolve essa construção: escolha da banda, dos instrumentos, timbres, definição das estéticas, a forma como iriamos gravar, a arte gráfica inteira, etc…

 

 

 

 

Newsletter

“Sol e Solidão em Copacabana”, uma história da vida cotidiana no Brasil do século XX

A cidade do Rio de Janeiro tem as suas belezas, sendo elas naturais ou histórias possíveis de serem criadas a.

LEIA MAIS

“Minha jornada musical entre o Brasil e a Alemanha” – Um relato de Juliana Blumenschein

Sou Juliana Blumenschein, cantautora alemã-brasileira, nascida em 1992 em Freiburg, no sul da Alemanha. Filha de brasileiros de Goiânia, meus pais migraram.

LEIA MAIS

O folk voz e violão de Diego Schaun no EP “Durante Este Tempo

Quatro canções formam o novo EP do baiano Diego Schaun, cantor e compositor de música folk que estreou nas plataformas.

LEIA MAIS

A conexão musical entre Portugal e Brasil, contada pela siberiana Svetlana Bakushina

Artigo escrito por Svetlana Bakushina com exclusividade para Arte BrasileiraPortugal, agosto de 2024 Nasci e cresci na Sibéria, onde a.

LEIA MAIS

A Arte Não Precisa de Justificativa – Ep.1 do podcast “Mosaico Cristológico”

Neste episódio falamos sobre a obra de Hans. R. Rookmaaker – A Arte Não Precisa de Justificativa – e a.

LEIA MAIS

Comentários sobre “Saneamento Básico, O Filme”

Dialogo do filme: Figurante #1 -Olha quem vem lá!! Figurante #2 – Quem? Figurante #1 – É A Silene! Figurante.

LEIA MAIS

Edilson Araújo: verde que te quero verde

Verde que te quiero verde.Verde Viento. Verdes ramas.El barco sobre la mar y el caballo em la montãna. Federico García.

LEIA MAIS

Clarice Lispector – Como seria nos dias atuais?

(Crônica de Brendow H. Godoi) Quem seria Clarice Lispector se nascida na década de noventa? Talvez, a pergunta mais adequada.

LEIA MAIS

Por que Sid teima em não menosprezar o seu título de MC?

Sobre seu primeiro single de 2022, ele disse que “quis trazer outra veia musical, explorar outros lados, brincar com outros.

LEIA MAIS

A luta da mulher e a importância de obras que contribui nessa jornada

Não tem uma receita básica, não nascemos prontas. Aprendemos com a vida. Diariamente temos que lutar para se afirmar. Porque.

LEIA MAIS