23 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] MariElle faz “salada de ritmos” em álbum com 8 faixas autorais, com participação de Zeca Baleiro

Por Ronaldo Sena

 

Sem amarras e sem clichês, a cantora e compositora MariElle criou e coproduziu as oito faixas do álbum VEM K VEM K V. O álbum, lançado neste mês de agosto, é uma verdadeira salada de ritmos, com muito rock, reggae, pop, entre tantos outros gêneros.

Produzido pelo maestro Petreca (amigo íntimo da cantora), o álbum tem algumas participações especiais, com ênfase na música TALVEZ NUA, gravada em parceria com Zeca Baleiro. Na canção CORAGEM E FÉ, a artista conta com a presença de Peu Del Rey. Em MARIA, MariElle canta ao lado do músico Marcelo Quintanilha. O rapper Chad Harper participa da faixa que fecha o álbum: SITTING NEXT TO YOU.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com MariElle.

 

 

A primeira curiosidade. O que quer dizer o nome do álbum?

O nome VEM K VEM K V veio da música VEM K VEM K V que dá nome ao álbum. A ideia era compor uma música que nos tirasse da caixa, do nosso mundinho, do modo passivo, sabe… De sempre esperar receber alguma coisa, e nunca buscar, sair da caixa, ou se movimentar…

Eu compus esse refrão que mexeu muito comigo porque é isso: a gente precisa acordar, porque tem tanta coisa acontecendo… A gente precisa se permitir viver e se encontrar de outras maneiras pra se conhecer mais. Dormir o suficiente e não mais que isso porque a vida é curta e maravilhosa. Esse álbum é diferente de álbuns em geral. Eu como cantora e compositora não tenho uma caixinha, por exemplo: eu canto rock, eu canto reggae, sabe. Eu canto e componho o que sinto, vejo e experimento… E nem sempre a trilha sonora das minhas experiências são rock’n’roll ou jazz… Então me permiti ousar gravando exatamente a trilha sonora das minhas noites de insônia que eu chamo carinhosamente de “insônia produtiva”, pois graças a ela esse álbum existe (a louca que enxerga o lado bem em tudo). Me permiti mostrar mais de mim… compor o que a alma diz, cantar o que o momento pede… enfim… e não me enquadrar em caixinhas padrões porque é assim que o mundo funciona, pelo menos por enquanto, por que sou mutantes, vai que né? Nunca diga nunca!

Achei que, além do nome ter a ver com a mensagem do álbum, era algo sugestivo, né? Convidar as pessoas a darem uma olhada no “novo”. E vamos entender o que o público acha disso. Espero do fundo do coração que gostem.

 

Fale um pouco da temática das letras das oito faixas do álbum, e por que elas acabaram entrando para o trabalho.

Eu componho de dentro, componho pra mim, sobre as minhas vivências e sobre as vivências de pessoas próximas. É muito maluco porque eu sou muito eclética, musicalmente falando. Gosto do rock, do reggae, dub, adoro jazz, funk, soul, groove, adoro música brasileira regional, e eletrônico. Enfim, sou muito aberta a novos sons e possibilidades. 

E fui compondo, compondo e quando vi o álbum estava pronto, mas tinha composto algo muito particular. Uma faixa do reggae, outra um reggae pop, outra um rock, outra samba rock, balada, uma bossa jazz e por que não um bônus em inglês pra fechar? Fiquei um tempo pensativa em relação… Posso lançar um álbum assim? Os ritmos não precisam conversar entre eles e ser algo mais uniforme? E cheguei à conclusão: por que não?  Quero mostrar a minha arte, e essa é a minha arte. Pesquiso muito, ouço muita coisa diferente e adoro experimentar possibilidades. Então o álbum é uma extensão de mim…VEM K VEM K V, me conhecer… Me ouvir… Quem sabe você gosta, sabe?!

 

E a parte musical, rítmica, etc, como você as trabalhou?

Eu tenho uma parceria de irmandade e profissional com o produtor maestro Petreca, hoje mais conhecido por MAESTRO. Eu crio as letras e melodias (não necessariamente nessa ordem), coloco alguns acordes (sempre facilitando, rs) e mando para o Jow (como nós o chamamos). Nos encontramos e conversamos sobre e entendemos forma, possibilidades… Ele arranja em cima do que pensamos e é isso.

 

As músicas são suas? 

São todas minhas, sim. Algumas fiz em parceria com artistas que gosto muito: MAU CAMINHO fiz com o Titto Valle. MARIA (JOGA O ARROZ PRA CIMA), com o Marcelo Quintanilha; CORAGEM E FÉ com Peu Del Rey e SITTING NEXT TO YOU com Chad Harper.

 

Você foi co-produtora do álbum, ao lado do produtor Maestro Petreca. Como foram esses momentos para você?

Uma delícia. O maestro Petreca, ou, MAESTRO é um dos meus melhores amigos, super generoso, competente e aprendi muito com ele.  A gente ouviu muita coisa juntos, trocamos inúmeras referências e nem sempre concordamos, às vezes depois de pronta a música, resolvíamos mudar tudo… Enfim, o processo de produção é cansativo, trabalhoso mas muito enriquecedor e delicioso.

 

Na faixa TALVEZ NUA, Zeca Baleiro fez uma participação especial. Comente.

Eu conheci o Zeca por intermédio de uma grande amiga, Vânia Abreu. E mostrei duas músicas minhas pra ele. E ele curtiu muito e topou gravar. E aí decidimos pela TALVEZ NUA. O Zeca é um querido, super generoso e pronto pra ajudar, sabe. E o resultado ficou demais.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Opa, tem várias! Conheci o Chad por intermédio de um amigo também. E mostrei meu som SITTING NEXT TO YOU pra ele. Ele se amarrou, topou na hora gravar. Mas ele não vinha ao Brasil. Então ele criou e gravou parte do rap em Nova Iorque e nos enviou. Depois de alguns meses eu tive a oportunidade de ir com o Chris para NY e acabei encontrando o Chad depois que já tínhamos gravado. Foi inverso mas uma experiência muito bacana.

Outra curiosidade é a música MARIA. Além de cantora eu sou apresentadora e fui gravar um piloto de um programa e entrevistar o Quinta (Marcelo Quintanilha, marido da amiga Vânia Abreu) que tinha lançado o álbum etc. Na ida para o estúdio eu fui criando um refrão chiclete que não saiu da minha cabeça… E chegando lá a gente decidiu que iria fazer uma jam e eu sugeri “Vamos fazer algo em cima disso e cantei o refrão de MARIA”. O Quinta adorou e prontamente criou o B e criamos o C juntos ali, naquele momento… Foi bem massa.

Uma outra curiosidade é que a maior parte do álbum foi gravado durante a madrugada porque MAESTRO e eu sofremos de insônia… E esse álbum foi, digamos, uma insônia coletiva e produtiva. Aha!

 

 

 

 

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