13 de junho de 2026

[ENTREVISTA] Mário Wamser embarca questões íntimas e universais no álbum “Incertezão”

(Capa do álbum)

“Incertezão”, o novo álbum de Mário Wamser é uma declaração pro mundo de suas dúvidas, da sua poesia pessoal e universal. 

 

O lançamento do selo Sagitta Records traz a lírica afiada do cantor e compositor mineiro radicado no Rio de Janeiro, acompanhado de músicos experientes e outros letristas de destaque nacional – entre eles, André Prando, Mihay, Mari Blue, Marco Lobo, Federico Puppi e banda Dônica, cujo vocalista, Zé Ibarra, também aparece no single “Um só”.

Wamser amplia a sonoridade apresentada nos singles “Embriagar em BH”, “Engole com angu” e “Um só”, onde explorava contradições, desdenhava de discursos saudosistas e se entregava ao escapismo. Sem desmerecer o passado e mirando na contemporaneidade, o artista entrega um álbum que é um produto de seu tempo. Ao longo de 14 canções, as letras passeiam por questões íntimas e universais, melancólicas e irônicas, refletindo o contexto social e político atual. 

Ao olhar para o panorama da sociedade, Mário provoca contrapontos sem se propor dono da verdade. Após expor a mercantilização da fé (“Putrefato”), a superficialidade dos relacionamentos humanos (“Balada”), o fim do debate entre diferentes pólos políticos (“Vou Mitando”) e abusos psicológicos sofridos por mulheres (“Gaslight”), ele aceita o desconhecido e sentencia: nem tudo é como imaginamos.

‘Incertezão’ é uma palavra inventada que vem trazer o sentido de uma grande incerteza, e ao mesmo tempo um tesão pela dúvida”, traduz Mário, que divide a produção do disco com o violoncelista Federico Puppi, indicado ao Grammy Latino pelo álbum “Guelã”, de Maria Gadú.

Recebendo ainda a participação de instrumentistas convidados como Marco Lobo (percussão), Miguel Miguima (baixo), Lucas Nunes (sintetizador, guitarra) e Pedro Aristides (trombone), “Incertezão” é um álbum construído a muitas mãos que estabelece Mário Wamser como uma voz de frescor e inovação no cenário da nova MPB. 

 

 

Qual o conceito do nome do álbum? O que você quer dizer com “Incertezão”?

Sempre gostei de inventar palavras e essa foi mais uma delas. Brincando com um aumentativo errôneo, ela ganha a conotação de uma grande incerteza e ao mesmo tempo um tesão pela dúvida, significando assim algo muito presente nos discursos textuais deste álbum. 

 

O que este álbum representa para você, para a música brasileira e para o Brasil como um todo?

Pra mim, significa um salto para um ambiente mais moderno, tanto no meu jeito de fazer música, quanto de fazer textos, que abordam agora necessidades mais reais e atuais. Sendo assim, contribuem com análises filosóficas sobre temas mal resolvidos na sociedade.

Sobre sua relevância para a música brasileira e para o Brasil como um todo, seria muita pretensão de minha parte dissertar algo sendo esse trabalho tão novo. É melhor esperarmos um pouco e deixar que a resposta venha de quem ouví-lo. 

 

Ainda na pergunta anterior, como vocês trabalharam as composições e como foi a produção do álbum?

As composições nascem de um processo mais íntimo meu, junto às minhas poucas parcerias presentes no disco e quase sempre já eram levadas para a produção com estruturas bem pensadas pré-álbum.

Sobre a produção do disco, eu já trabalhei inúmeras vezes com o Puppi, somos parceiros em algumas composições no álbum dele também, “Marinheiro de Terra Firme”,  e foi tudo muito tranquilo. Nos permitimos cair em experimentalismos musicais, o que trouxe muito frescor ao álbum como um todo. E tudo isso é fruto das genialidades do Puppi, que além dos cellos, brilha nos maquinários também.

 

 

Quais foram as inspirações para este álbum, musical e poeticamente?

Há muitas inspirações. Poderia dizer que há um resgate de um lado mais rock n’ roll meu em algumas faixas, por exemplo, “Nada pra Comemorar” e “Engole com Angu” trazendo uma sonoridade mais grunge, mais suja. Em outras, como “Um Só”, “Comigo Mesmo” e “Vou Mitando”, mostro concepções mais modernas e eletrônicas vindas talvez de Bjork e Asgeir.

E obviamente, sendo eu um mineiro, o Clube da Esquina sempre aparece como influência nas harmonias e em determinadas escolhas estéticas.

Poeticamente não sei apontar exatamente alguém, mas posso dizer que nele há textos mais diretos.

 

De forma resumida, como você enxerga as letras das canções de Incertezão”?

Se comparadas às letras do meu primeiro disco, temos um choque, onde elas passaram a ser mais provocantes, questionadoras e ácidas neste novo álbum.

 

Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante para nos contar?

Tenho, pra vocês entenderem a sonoridade do álbum, era muito constante escutar a frase dentro do estúdio Ouvido em Pé durante as gravações: “Muito bom, hein? Agora que ficou tudo bonito, bora começar a estragar logo pra chegar onde a gente quer”.

 

Fique à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Gostaria de dizer que uma das minhas músicas prediletas do disco se chama “Um Só”. Ela é uma parceria com Tulio Lima, da banda Daparte, e conta com a linda participação de Zé Ibarra, da Banda Dônica, essa também presente na faixa “Gaslight”. Acontecem participações também em “Nada Pra Comemorar” feat André Prando e “Embriagar em BH” feat Mihay. 

 

 

 

 

O poderoso Chefão, 50 Anos: Uma Obra Prima do Cinema contemporâneo

Uma resenha sobre “O Poderoso Chefão” “Eu vou fazer uma oferta irrecusável” “Um homem que não se dedica a família.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição19

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

A obra de João Turin que sobreviveu a 2ª Guerra Mundial

No Memorial Paranista, sediado em Curitiba (PR) com intuito de preservar e expor a obra do paranaense João Turin, há.

LEIA MAIS

CONTO: Os Bicos de Gás e o Cigarro King Size (Gil Silva Freires)

Maldita família. Malditos papai-mamãe-titia, como diziam os Titãs. Kleber era fã incondicional dos Titãs e a proibição paterna de assistir.

LEIA MAIS

Medicina amazônica é a oração de SHAMURI, artista folk do Reino Unido

EXCLUSIVO: Artigo escrito por Shamuri em julho de 2025 sob encomenda para a ARTE BRASILEIRA

LEIA MAIS

FAROL DE HISTÓRIAS – Projeto audiovisual que aproxima crianças da leitura

Para Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon, a literatura tem seu jeito mágico, prático e divertido de chegar às crianças brasileiras..

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS

Silvo Carlos: eu quero uma casa no campo, de um tamanho ideal…

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,Pergunto a.

LEIA MAIS

Heavy metal, juventude e interior paulista; conheça a banda Savage

Porks, um clássico bar de rock n roll em Araçatuba, interior de São Paulo, ousou em convidar uma banda quase.

LEIA MAIS

Existe livro bom e livro ruim?

Muitos já me perguntaram se existe livro bom e ruim, eu costumo responder que depende. Se você leu um livro.

LEIA MAIS