19 de junho de 2026

[ENTREVISTA] Novo álbum de Tantão e Os Fita expressa viés politizado em suas músicas

(Capa do álbum)

 

Você já deve ter ouvido dizer que o Rio de Janeiro não é uma cidade tão maravilhosa assim. Com suas letras diretas e objetivas, o trio Tantão e Os Fita (formado por Adel Duarte, Cainã Bomilcar e Tantão) mostram muitas realidades tanto do Rio como do Brasil como um todo, por meio do disco “Drama”, um trabalho cheio de força e crítica.

“As letras trazem muitas referências da violência que o capitalismo avançado aplica no corpo do povo. Aqui no Brasil, país de ‘terceiro mundo’, dividido, subdesenvolvido, colônia, essa violência é praticamente inescapável. Isso tudo assumiu uma forma muita clara e direta nos últimos anos — pós-golpe — quando todos os últimos resquícios de uma certa segurança social e todo e qualquer mecanismo de proteção dos trabalhadores e principalmente das ‘minorias’ passaram a ser destruídos e atacados diretamente pelo próprio estado”, diz Abel Duarte que também assina a produção do disco ao lado de Cainã Bomilcar e de Tantão.

“Drama” é um lançamento do selo QTV.

 

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com os integrantes do trio. Confira:

 

 

Qualquer um percebe que “Drama” é um álbum muito politizado, e que reflete problemas e situações sociais. O que chama a atenção é o fato do trabalho ter sido gravado durante as eleições presidenciais de 2018. Como a “cabeça” de vocês estavam nesses momentos? Como foi gravar este álbum presenciando o cenário polarizado da política?

Cainã (integrante do duo Os Fita): Olha, o momento foi um dos piores que já passei no cenário político nacional. Inclusive era um dos motivos pelo qual queríamos muito ter lançado o álbum até o fim do ano de 2018, para que fizesse sentido expor aquelas canções. Inclusive nós soltamos na internet uma das músicas que viriam a compor o álbum, no período eleitoral. “Nação Pic Pic” era um grito de guerra, uma música de união, para nos sentirmos acolhidos e pensarmos no grupo que queremos pertencer. Foi muito difícil e será muito difícil passar por esse momento que viveremos e que estamos vivendo desde 2016. No entanto, esses momentos não derrubaram a gente não. Mesmo com tantos golpes, a gente conseguiu fazer o nosso trabalho.

 

Explique para nós a relação entre a “Cidade não tão maravilhosa assim” com o álbum “Drama”.

Tantão: A nossa dramaticidade da cidade é que é maravilhosa.

Cainã: “Drama” é um álbum de música bem distante do imaginário que existe em relação à música brasileira de qualquer gênero. Assim como a cidade em que vivemos está bem distante desse imaginário de ser “maravilhosa”.

 

Pelo o que vi, vocês usam algumas linguagens subjetivas, adicionadas a linhas “claras”, vamos dizer assim. No geral, o que vocês discutem nas letras do álbum?

Cainã: Quem é o letrista é o Tantão, ele vai saber melhor. Ao meu ver é tudo muito na cara, há pouca subjetividade, acho o Tantão um letrista muito objetivo e direto. Engraçado, acho que são poucas as vezes eu acho que ele quer dizer uma coisa e ele quer dizer outra. Nesse álbum ele está sempre em cima do mesmo tema, Dramas urgentes.

Tantão: A gente não discute (risos). São músicas de cunho político. Não queremos morrer.

 

E o que querem impactar na sociedade com este trabalho?

Tantão: Queremos acrescentar músicas políticas.

Cainã: Enquanto produtor, um dos êxitos deste trabalho para mim é elevar esse artista que é o Tantão, e isso não é uma via de mão única. O Tantão é responsável pelo sucesso deste trabalho tanto quanto eu ou o Abel. Sobre o impacto na sociedade, eu não tenho nenhuma pretensão nesse sentido. Até mesmo por saber que nosso trabalho circula muito pouco.

 

O que simboliza a capa do álbum?

Cainã: O Drama da imagem, entenda como quiser.

 

Em relação a parte poética e musical, quais foram suas referências?

Tantão: A inspiração foi a minha vida. As nossas vidas.

Cainã: Para mim seria vago destacar qualquer referência. A minha pesquisa é tão longa e são tantos anos de trabalho. É impossível resumir isso em 28 minutos de álbum. Mas certamente, música-doida, música-extrema e música-pop.

 

Vocês se uniram, o Tantão e o duo de beatmakers Os Fita. O que cada um de vocês acrescentaram para o álbum como um todo?

Cainã: Prefiro não falar sobre isso. Todos somam, e todos participam. E tanto esse trabalho quanto o primeiro, foi totalmente produzido por nós mesmos.

 

Vocês têm alguma história ou curiosidade interessante que queiram nos contar?

Cainã: infinitas, mas isso seria conversa para uma mesa de bar (risos).

 

 

 

 

Diante do novo, “O que Pe Lu faz?”

Sucesso teen da década passada com a Restart e referência no eletrônico nacional com o duo Selva, Pe Lu agora.

LEIA MAIS

CONTO: A Falta de Sorte no Pacto de Morte (Gil Silva Freires)

Romeu amava Julieta. Não se trata da obra imortal de Willian Shakespeare, mas de uma história de amor suburbana, acontecida.

LEIA MAIS

Dione Caldas: transversais no tempo e no espaço

Olhos acesos sobre o mundoo que não dorme desconhecea sua própria efígie. Henriqueta Lisboa 1.Dione Caldas nasceu em Natal (15.05.1964)..

LEIA MAIS

O disco que lançou Zé Ramalho

Zé Ramalho sempre foi esse mistério todo. Este misticismo começou a fazer sucesso no primeiro disco solo do compositor nordestino,.

LEIA MAIS

Pincel, o novo companheiro do cantor e compositor Bryan Behr

Reprodução/instagram do artista. Do seu atelier, Bryan Behr se mostra um artista inquieto, em constante atividade. O catarinense de 24.

LEIA MAIS

Ancelmo: todas as rodagens iam em direção à arte

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce o sol, e põe-se o sol,.

LEIA MAIS

Curso Completo de História da Arte

Se você está pesquisando por algum curso sobre história da arte, chegou no lugar certo! Aqui nós te apresentaremos o.

LEIA MAIS

MÚSICA CAIPIRA: Os caipiras de 1962 ameaçados pela cultura dos estrangeiros

Em 1962, Tião Carreiro e Carreirinho, dois estranhos se comparados ao mundo da música nacional e internacional, lançavam o LP.

LEIA MAIS

FAROL DE HISTÓRIAS – Projeto audiovisual que aproxima crianças da leitura

Para Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon, a literatura tem seu jeito mágico, prático e divertido de chegar às crianças brasileiras..

LEIA MAIS

Timothy James: “O Brasil tem sido um grande apoiador das minhas músicas”

Você, amantes do country americano, saiba que há um novo nome na pista: Timothy James. Nascido nos anos 1980, o.

LEIA MAIS