20 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Os sentimentos explodem em EP de estreia da banda Elucubro

 

Fazer músicas sem amarras é uma das propostas da banda Elucubro, ao lançar o EP “Naufrágio”, com cinco faixas inéditas e autorais. O sentimento vem como força na composição das canções.

“Temos como referências diversos gêneros musicais, e trabalhamos ao máximo com a catarse emocional na hora da composição, não nos prendemos às convenções estruturais da música convencional.”, comentou o guitarrista, Gabriel Servilha.

A banda foi formado em 2016 por Gustavo Henrique (vocal e guitarra base), Gabriel Servilha (guitarra solo), Daniel Dantas (bateria) e Pablo Armentano (baixo). A ideia do grupo é lançar o EP em vários shows ainda neste ano.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com a banda Elucubro, sobre o EP “Naufrágio”.

 

 

O quanto há de introspecção, âncora e poesia nas faixas do EP?

Gabriel: De introspecção acredito que é a maior parte do EP (rs), acabou sendo parte natural do processo de composição. Acho que todos estávamos um pouco mais influenciados por essa introspecção, seja pela experiência pessoal ou então no que observávamos ao nosso redor. Como as letras não são tão objetivas e ainda temos duas faixas que são instrumentais, acredito que o EP seja bem poético justamente por deixar tanta coisa pro ouvinte interpretar da maneira que quiser, além de ter saído de forma espontânea na hora em que estávamos compondo.

 

Por falar nisso, quais são os temas que vocês versam nas canções de “Naufrágio”?

Gustavo:  Acredito que as músicas trabalham muito a parte íntima da vida de todos, não só de quem compôs, mas de quem as ouve também. Elas falam muito sobre momentos. Momentos de solidão, desamparo. Não que eu ache que elas trabalham para propagar este tipo de sentimentos, muito pelo o contrário, acredito que elas previnem e acolhem as pessoas que estão ou estiveram neste tipo de situação.

 

Quem compôs as músicas? Como foi este processo?

Gabriel: Quem compôs a maioria das letras foi o nosso vocalista, Gustavo. Ele me mandava as letras, eu mandava alguma coisa que tinha feito na guitarra e já tínhamos o esqueleto da música. Na música “…” ele já me mandou com a guitarra e a melodia, a partir daí fomos trabalhando mais em cima disso. Mas no geral cada um compôs um pouco de tudo, foi tudo bem diversificado, cada um colocando ali um pouco das suas influências. O nosso baterista, Daniel, entrou depois das baterias já estarem compostas, mas ele alterou umas coisas aqui e ali e deixou bastante com a cara dele, também, utilizando o que o antigo baterista Pedro já tinha feito. O Pablo compôs todos os baixos. A gente basicamente ia mandando as composições no grupo do WhatsApp, juntava tudo e íamos pro estúdio ensaiar e ver como ficava.

Gustavo: Geralmente quando eu escrevo, tento ser o mais transparente, o mais sincero possível comigo mesmo. São como confissões e observações que faço da vida, de forma mais abstrata. Tento me expressar de forma não tão concreta, para que as pessoas também possam fazer suas interpretações e que elas também possam se identificar nos versos, mas em suas próprias histórias e perspectivas.

 

E as gravações e produção, como foram? Quais instrumentos foram usados?

Gabriel: A gente gravou tudo em quatro sábados, se não me engano. Foi tudo bem cansativo, passávamos o dia inteiro no estúdio, mas era bem divertido, a gente ria bastante. Usamos guitarra, baixo, bateria e um samble de violino.

 

O que vocês querem dizer com “Nós não nos prendemos às convenções estruturais da música convencional”?

Gabriel: A gente não liga muito de seguir aquela estrutura de verso/refrão/verso/refrão, sabe? Assim como não ligamos de colocar uma introdução de um minuto de instrumental antes de entrar o vocal, ou então de experimentar mais nesse quesito. Acho que isso acaba nos dando liberdade pra nos expressarmos da melhor maneira possível, levando nossa verdade pra arte que estamos criando.

 

Como cada integrante da banda contribuiu para a criação do EP?

Gabriel: Cada um traz bastante influência e vivências diferentes, mas acho que a parte de influências musicais é o que mais acaba colaborando pro EP ser o que é. A gente ouve bastante coisa, temos vontade de fazer algo único juntando diferentes referências e fazer com que isso seja uma boa experiência pra quem nos escuta.

 

Vocês tem alguma história ou curiosidade interessante sobre o EP que queiram nos contar?

Gabriel: Temos a letra de “Naufrágio” pronta desde 2015, e umas partes de “O Vento” desde 2016. O processo de composição das músicas resgata várias fases diferentes das nossas vivências e da nossa amizade, então isso acaba sendo um trabalho bastante significativo pra gente.

 

 

 

 

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