11 de setembro de 2026

[ENTREVISTA] Rapha Moraes voa a subjetividade no novo álbum “OA”

(Capa do álbum)

 

Em “OA”, o novo álbum de Rapha Moraes, a subjetividade voa alto. A ideia, e o que está impresso na sonoridade das dez faixas, é de prezar a subjetividade em busca das sensações que as canções geram. Com produção musical de Gustavo Schirmer, o trabalho apresenta a amplitude dos trabalhos realizados pelo músico paranaense.

O projeto “OA” é abreviação final de “O mais leve que o Ar”. A frase foi inspirado no livro autobiográfico do aviador Santos Dummont, intitulado “Meus Balões”. No livro, o autor contrapõe a noção de que o que voa é mais pesado que o ar com a constatação de que havia feito um navio voar no céu.

O disco começou a ser construído em 2016, com composições de Rapha e teve masterização de Mauricio Gargel e contou com sopros de Lauro Ribeiro.

O potencial de “OA” chamou muito nossa atenção, e por isso entrevistamos o artista. Confira.

 

 

O álbum é inspirado no livro “Meus Balões” de Santos Dumont. “Abissal” é a faixa de introdução e a que mais se aproxima da obra do aviador. Levando tudo isso em consideração, como aconteceu essa inspiração?

Aconteceu de forma natural. É um livro que comprei na biblioteca nacional do Rio de Janeiro há mais de 10 anos e sempre ficou perto de mim. Nunca consegui terminar ele e isso fazia com que eu sempre voltasse à leitura.

E o texto que cito em “Abissal” e está no livro estava de encontro com meus sentimentos no momento:

“Apesar de haver conduzido um navio no céu. Ouço ainda alegarem que todos os seres que voam são mais pesados que o ar”.

Acredito que essa ideia resume a inspiração.

 

Ainda nessa pergunta, “OA” me parece um trabalho muito conceitual. Estou certo?

Sim. É conceitual. Acredito que é por isso que eu gosto de fazer álbuns e acredito neles.

Os álbuns possuem ideias e propostas e pra mim, como artista, é motivador na construção.

Gosto de trabalhar em caminhos, sentidos, universos.

As vezes um conceito não é algo fechado. Como nesse álbum, um conceito pode ser apenas uma atmosfera de sensações e de trabalho.

 

Percebo também que as questões existenciais dão um norte muito profundo as letras das canções de “OA”.

Creio que essa seja uma característica pessoal e é um trabalho muito íntimo. Não é um álbum em que pensei no que falar para depois escrever sobre o assunto.

Todas as letras são extensões do que eu vivia ou sentia na época.

 

“Mais Do Que É”, me chama atenção por você citá-la como “Talvez a letra mais doída para você”.

A escrevi em um momento em que as coisas que estavam acontecendo comigo eram muito impactantes e pesadas. Não imaginava passa por questões pessoais como as que passei, de perdas de pessoas próximas. E naquele momento pensava que a vida rasgava e matava. E que a arte não iria superar isso.

Quando escrevi sobre o fato de que a inspiração não tinha mais importância diante da realidade, surgiu uma das mais bonitas músicas do disco.

 

O álbum começou a ser idealizado em 2016, e só lançado agora. O que rolou nesse tempo todo? Como tudo aconteceu?

Rolou muita coisa. Muita coisa na minha vida. E junto a isso busquei fazer um trabalho em que eu não me arrependesse de nada depois. Queria fazer algo que, independente de como fosse reverberar no mundo, eu estivesse convicto do que tinha feito.

 

A maior parte do álbum é fruto de composições suas, tanto na questão poética quanto musical. Fale sobre esses momentos de criação.

Em geral são momentos íntimos. De solidão e de explosão de sentimentos.

A maioria das músicas surgem de sobrecargas emocionais, boas ou não. E quando estou transbordando ou explodindo vou para o violão e ponho para fora.

 

Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante(s) que envolva o trabalho como um todo?

Acho que uma das questões mais interessantes em relação ao álbum “AO” é o tempo que levamos para fazê-lo. Isso nos proporcionou amadurecer, mudar e transformar nosso olhar em relação ao que estávamos fazendo.

O que gerou mudanças drásticas. Por exemplo, depois de já ter anunciado o lançamento e a data, resolvi regravar algumas vozes do álbum. E em uma força tarefa do produtor Gustavo Schirmer e do Vinicius Braganhollo do Nico’s Studio, conseguimos refazer 5 vozes em 1 dia.

A galera comprou a briga. Essa amizade é um privilégio em processos como esse.

 

Fique à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Gostaria de agradecer o interesse no álbum e no que está por trás dele. E dizer que é um prazer participar dessa troca de ideias sobre a criação.

Desejo vida longa a Revista Arte Brasileira.

 

 

 

 

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