12 de dezembro de 2025

[ENTREVISTA] Rapper Zw e o choque de realidade em suas letras!

 

Entre gueto, comunidade ou favela, e entrando em becos e vielas. Zw, um rapper baiano que ganhou destaque nas batalhas de Salvador. Principalmente as dos Marechal, Pirajá e Alto do Cabrito.

Reconhecido e valorizado pelos amantes da cena do Rap baiano. Iago Victor França Dos Santos Soares tem 20 anos de idade, e, nasceu em 11 de Setembro,1999 na cidade de Salvador. Teve uma infância complicada e considerada por ele, uma fase bem difícil. 

 

A HISTÓRIA DO ARTISTA contada por ele mesmo

Minha infância foi uma fase muito difícil pra mim, digamos que eu tive que amadurecer muito rápido, por conta que eu era uma pessoa muito tímida e isso me restringia de várias atividades, como apresentação escolar, expressar minha opinião sobre um determinado assunto. Já fui humilhado por pessoas que acreditei que estavam sempre comigo, e aconteceu vários fatores que me fez entrar em uma depressão muito forte. Meus pais se separaram, meu tio que eu tive mais afinidade morreu por conta de decisões erradas na vida. Porém, eu consegui superar essa depressão, mas sentia muita falta do meu tio, e eu vi que ele tinha um CD de Racionais Mc’s, foi o primeiro contato que tive com o rap. Tinha 12 anos na época. 

Minha adolescência ainda foi complicada, pelo fato de eu ter sido uma pessoa muito tímida e na época ainda não ter conseguido mudar isso. Até que eu tive um grupo de amigos no colégio, no 9° ano, e eles me incentivaram muito, então tinha um amigo chamado Júlio César, ele percebeu que eu curtia rap e me mostrou o Emicida, desde então Emicida se tornou uma inspiração. Comecei a curtir a métrica, construção de rimas, agressividade, e resolver aderir isso pra mim, desde então tenho um amor total ao rap. 2015 eu conheci as batalhas de rima, vi no YouTube, a batalha e não acreditava que aqueles caras faziam aquilo no improviso, então comecei a praticar, e no final de 2015, quase entrando em 2016, eu comecei a batalhar com meus amigos na rua.

 

“Até que eu tive um grupo de amigos no colégio, no 9° ano, e eles me incentivaram muito, então tinha um amigo chamado Júlio César, ele percebeu que eu curtia rap e me mostrou o Emicida, desde então Emicida se tornou uma inspiração. Comecei a curtir a métrica, construção de rimas, agressividade, e resolver aderir isso pra mim, desde então tenho um amor total ao rap.”

 

Nós ficávamos zoando o dia todo e quando me dei conta já estava perdendo minha timidez, então eu resolvi ir para minha primeira batalha oficial em 2017, Batalha do Largo, na primeira edição fui finalista e perdi, mas não desanimei, continuei treinando. Na segunda vez que eu fui, saí de lá campeão. Comecei a evoluir a cada dia nas batalhas. Teve uma batalha que foi muito importante para minha carreira musical, que foi a do Pirajá vs São Caetano. E eu fui o vencedor. 

A partir disso, eu passei a estudar mais sobre a cultura, comecei a escrever minhas letras, e de repente, eu estava na rua com meus amigos, tivemos a brilhante ideia de soltar um som, e, em 17 de junho de 2019, soltei minha primeira música com meu grupo Radicalize, “Não Sou Mais Um”Posso dizer que foi uma revolução na nossa quebrada, foi quando conseguimos voltar os olhos do público para nós, cantamos no maior evento de música do bairro o LABATUT, prosseguimos com o nosso trabalho musical, e tivemos vários lançamentos.

Cantamos no evento de rap no alto do cabrito, Rei da BAC, e foi outra experiência surreal. Também soltei alguns dos meus trabalhos musicais solo, “Manifestação Mental”, “H²ódio”, que foi um trabalho muito pessoal na minha carreira como artista. E hoje, eu sou esse cara que muitos conhecem como Zw, maior campeão da Batalha do Largo (Bairro de Pirajá), cantor do grupo Radicalize, sim, esse sou eu.

 

Luan FH – Cara, desde a chegada do rap na tua vida, o que você acha que mais te mudou?

Zw – Minha forma de pensar, digamos que eu nunca tive confiança em minha pessoa, repudiava várias coisas que não entendia, não me achava bom como pessoa, nunca me achei suficiente, porém, o rap me mudou totalmente, minha maneira de agir, minha maneira de pensar e meu modo de viver a vida.

 

Luan FH – Qual o tema que você mais é fascinado em falar nas suas músicas?

Zw – Realidade da periferia, canto tudo que eu vejo, tudo que eu passo, todas minhas músicas tem um pouco de mim, é algo mais sentimental.

 

Luan FH – Em todos esses, você percebe hoje, um grande grupo de pessoas te apoiando na sua caminhada?

Zw – Eu acredito que várias pessoas começaram a me olhar de uma maneira diferente depois do Rap, várias pessoas me apoiam sim. Inclusive a minha mãe que não me apoiava, e fiz ela mudar de ideia aos poucos, e por causa de mim, ela começou a curtir o estilo musical…

 

“ […] O rap me mudou totalmente, minha maneira de agir, minha maneira de pensar e meu modo de viver a vida.”

 

Luan FH – O que o rap significa para você?

Zw – Rap para mim é vida, é uma forma de você se conectar com sua raiz, sua história e começar a entender seu real valor no mundo!

 

Luan FH – Quando é que vai sair o EP, cara?

Zw – Ainda não tenho data prevista de lançamento, quero que seja algo diferente, algo pessoal, mas no momento certo, acredito que vai sair da melhor forma possível, o melhor de mim para a cena!

 

Luan FH – Vou deixar um passo livre para você se expressar e passar uma mensagem.

Zw – Se você tem um sonho corre atrás, porque é isso que um vencedor faz! Eu sei que é um caminho complicado, várias pessoas que tentam te derrubar, têm falsos amigos, porém, quem escreve seu destino é você mesmo! Eu não acreditava que poderia chegar onde estou hoje, e para muitas pessoas isso não é muita coisa, só que em minha visão significa muito, e eu estou muito feliz com minha caminhada. Então você é capaz de realizar aquilo que você almeja!

 

Mini Resenha do colunista

Conheci o Zw na segunda batalha do Marechal, que até então foi um sucesso e uma resenha muito foda. O cara tem a história certa para mostrar o quanto o RAP faz mudar uma pessoa e a vida dela; seja na caminhada dentro de uma comunidade ou fora dela.

O melhor é adquirir conhecimento ao passar do tempo. O RAP é uma linha temporal que deposita seus melhores MC’s para representar a cena em cada século, ano, e o tempo é incrível. Zw é de um talento nato, surreal e que vai fortalecer bastante a cena da Bahia. 

 

“Quer casar comigo?” (Crônica integrante da coletânea “Poder S/A”, de Beto Ribeiro)

Todo dia era a mesma coisa. Marieta sempre esperava o engenheiro chegar. “Ele é formado!”, era o que ela sempre.

LEIA MAIS

O folk voz e violão de Diego Schaun no EP “Durante Este Tempo

Quatro canções formam o novo EP do baiano Diego Schaun, cantor e compositor de música folk que estreou nas plataformas.

LEIA MAIS

Conhecimento abre horizontes

Durante anos a ignorância era atribuída a falta de conhecimento e estudo. Mas não ter conhecimento ou estudo não é.

LEIA MAIS

A luta da mulher e a importância de obras que contribui nessa jornada

Não tem uma receita básica, não nascemos prontas. Aprendemos com a vida. Diariamente temos que lutar para se afirmar. Porque.

LEIA MAIS

Música Machista Popular Brasileira?

A música, diz a lógica, é um retrato da realidade de um povo. É expressão de sentimentos de um compositor,.

LEIA MAIS

Iaponi: a invenção de uma permanente festa de existir

As formar bruscas, a cada brusco movimento, inauguram belas imagens insólitas. Henriqueta Lisboa   1.   Iaponi (São Vicente, 1942-1994),.

LEIA MAIS

O Brasil precisa de políticas públicas multiculturais (por Leonardo Bruno da Silva)

Avançamos! Inegavelmente avançamos! Saímos de uma era de destruição da cultura popular por um governo antinacional para um momento em.

LEIA MAIS

“Sertão Oriente”, álbum no qual é possível a música nordestina e japonesa caminharem juntas

A cultura musical brasileira e japonesa se encontram no álbum de estreia da cantora, compositora e arranjadora nipo-brasileira Regina Kinjo,.

LEIA MAIS

Maringa Borgert guia passeio pela história, cultura e artes do Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul é um estado independente e unidade da Federação desde o final dos anos 1970 quando.

LEIA MAIS

A nossa relação com os livros 

Como diz um autor anônimo, “a leitura nos traz amigos desconhecidos”, e de alguma forma inesperada constrói essa relação “leitor.

LEIA MAIS