10 de fevereiro de 2026

“Interpretar as composições de Adoniran e Vanzolini é homenagear o povo paulistano e sua história”, diz Dani Mattos sobre o EP “Cronistas da Cidade”

Capa do EP “Cronistas da Cidade” – Arte e Foto:  Branca de Oliveira

 

A capital paulista é o centro de tudo que ronda o EP “Cronistas da Cidade” lançado pela cantora Dani Mattos em parceria com o grupo paulistano Toque de Bamdas.

Não poderia ser diferente: os músicos gravaram novas versões para sucessos de Adoniran Barbosa como “Mulher, Patrão e Cachaça”, de Adoniran e Osvaldo Moles, e também “Juízo Final” e “José”, de Paulo Vanzolini, e o poema “Os homes que Deus qué Bem”, também de Vanzolini, sob autorização da filha de Vanzolini, Maria Eugênia

Além disso, também fizeram uso de diálogos cômicos criados por Adoniran e Osvaldo Moles para as típicas personagens das novelas de rádio. 

“A ideia do EP, além de homenagear esses mestres, é salientar suas diversas manifestações no campo da música e da arte. Adoniran antes mesmo de ser conhecido como compositor e cantor foi ator de rádio novelas. E Vanzolini  um grande poeta, inclusive com livro publicado”, explica a cantora e pesquisadora Dani Mattos.

Dani Mattos e a Toque de Bandas irão lançar o trabalho hoje (25), no aniversário de São Paulo, 25 de janeiro, às 23h, no Bar Al Janiah, no tradicional  bairro do Bixiga, em São Paulo.

 

 

O que vocês têm a dizer sobre as maravilhosas composições de Adoniran Barbosa e Vanzolini?

Dani Mattos: As composições de Adoniram e Vanzolini retratam a cidade de São Paulo e seus habitantes de uma maneira muito peculiar, sensível, utilizando “a voz do povo” para falar de sua realidade, seus costumes e anseios.

 

Ainda nessa pergunta, o que os instigou a fazer essa homenagem?

Dani Mattos: Assim como esses inesquecíveis cronistas, temos esse olhar artístico para a cidade de São Paulo e suas histórias que retratam todos nós. Interpretar as composições de Adoniran e Vanzolini é homenagear o povo paulistano e sua história. 

 

Nos expliquem o conceito do nome do EP, e do trabalho como um todo.

Dani Mattos: “Cronistas da Cidade” reúne artistas que têm um olhar aguçado e um grande poder de observação sobre sua metrópole e sua gente. Todos nós, que vivemos em São Paulo, nos sentimos retratados em seus sambas, poemas (no caso de Vanzolini), e nas radionovelas estreladas por Adoniran. “Cronistas da Cidade” também é o nome de um dos meus projetos musicais.

 

Certamente, vocês fizeram algumas pesquisas para que este projeto ter acontecido.

Dani Mattos: Pesquisamos até hoje. Nossa pesquisa é tão viva quanto é esta cidade; não tem fim!

 

O que vocês fizeram de “diferente” nas faixas deste EP?

Dani Mattos: Fizemos uma pequena amostra do show que é uma roda de samba, poemas, diálogos de radionovelas e curiosidades sobre a cidade de SP. Tem tudo isso no EP.

 

O que cada um da banda fez para que este projeto tenha sido gravado?

Dani Mattos: A banda Toque de Bambas é composta por músicos de diversas regiões da cidade, com formações distintas e que contribuem com suas vivências musicais e também com suas maneiras de entender a cidade. Todos atuam em outros importantes projetos musicais.

A formação do nosso grupo é a cara de São Paulo; com sua rica diversidade, todos contribuíram para o resultado deste lindo trabalho.

EP “Cronistas da Cidade” foi realizado por Dani Mattos (voz e direção artística), Iuri Salvagnini (coro e acordeon), Tito Longo (coro, cavaquinho e direção musical), Marcelinho Monserrat (violão 7 cordas), Koka Pereira (percussão), Renato Farias (Trombone), Marcos Brito (baixo elétrico), Euclydes Rocco (locução) e Branca de Oliveira (arte). Outros músicos também colaboram nos shows como Edu Batata (vocal) e  Tiganá Macedo (percussão).

 

Vocês têm alguma história ou curiosidade interessante que queiram nos contar?

Dani Mattos: Ah, muitas! Sempre que fazemos show alguém da plateia vem nos contar algum fato relacionado ao tema do show. Uma vez, quando fizemos Circuito Cultural Paulista, estávamos em Brodowski, realizando nosso show na casa de cultura da cidade e uma senhora nos contou que ela e as amigas se reuniam sempre na casa de uma delas para ouvir as radionovelas das quais Adoniran Barbosa participava como ator. Ela me disse que, por causa dos personagens e da voz que ele fazia, todas achavam que ele era negro. Mas com o advento da TV, Adoniran começou a fazer novelas…elas se decepcionaram constatando que ele era italiano como elas.

Eu mesma descobri uma história que relaciona minha família à de Adoniran. Meu tio bisavô, José Milani, tinha uma venda no centro da cidade de Valinhos, interior de São Paulo. Para complementar sua renda começou a fazer e vender um sabonete com uma receita que ele havia trazido da Itália. Como o sabonete fez muito sucesso, logo ele precisou contratar funcionários pois a família já não dava conta do serviço. Aí é que entra a família de Adoniran, cujo nome de batismo, aliás, é João Rubinato; bem italiano! O pai de Adoniran leu o anúncio escrito pelo meu tio-bisavô e decidiu sair de Tietê, onde trabalhava em uma fazenda. Eles ficaram tão amigos que meu tio-bisavô chegou a batizar uma das irmãs de Adoniran.  Essa fábrica de sabonetes tinha o  nome de  Gessy, que  foi vendida muito tempo depois e virou a Gessy-Lever e hoje em dia é a Unilever.

 

Fiquem à vontade para falarem algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

Dani Mattos: Estamos muito contentes pois, depois de muita estrada, nosso projeto ganhou o edital ProAc ICMS e já estamos em fase de captação.

Gostaria de agradecer o espaço concedido pela Revista Arte Brasileira para falarmos deste trabalho. Estão todos convidados para os shows de lançamento de nosso EP, que realizaremos a partir do dia 25 de janeiro, aniversário da cidade, no Al Janiah e em outras datas em outros locais icônicos de São Paulo.

Também convido a todos para conhecer meus outros projetos no site http://danimattos.com.br/ e me acompanhar no Instagram: @danimmattos

 

 

 

 

 

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