7 de dezembro de 2025

Duo Muñoz explora o afrobeat e a música latina no psicodélico álbum Nekomata

Muñoz Nekomata

(Capa do álbum)

 

Reunindo uma gama de referências ritualísticas e ancestrais, o duo mineiro Muñoz revela o seu mais novo disco, “Nekomata”. O título traz em sua essência as noções, aparentemente contraditórias, de repetição e transformação, e reflete o amadurecimento musical e estético do projeto.

Aqui, o “power duo” atualmente radicado em Santa Catarina vai além da identidade psicodélica e bluseira de seus discos anteriores, ampliando sua sonoridade com elementos do afrobeat e da música latina. O resultado já está disponível nas principais plataformas de streaming, através dos selos Abraxas e Locomotiva Records.

“Nekomata” vem para somar à discografia do projeto, iniciado em Uberlândia (MG) em 2012 pelos irmãos Mauro e Samuel Fontoura. O EP de estreia, “Muñoz” (2013), foi seguido pelo álbum “Nebula” (2014). Em 2016, já estabelecidos em Florianópolis (SC), lançaram o álbum “Smokestack”.

Agora, o novo disco abre um capítulo inédito para o Muñoz, que ao longo dos anos ganhou destaque em nível nacional e dividiu o palco com nomes como Kadavar (Alemanha), Radio Moscow (EUA), Mars Red Sky (França), Truckfighters (Suécia), Jeremy Irons & Ratgang Malibus (Suécia), The Vintage Caravan (Islândia) e Komatsu (Holanda).

“Esse novo álbum foi composto seguindo um conceito, misturando diferentes ritmos e temas e deixando o som mais dançante e repetitivo como um mantra. A ideia foi trazer um aspecto ritualístico em todo o álbum”, revelam. 

 

Muñoz Nekomata(Crédito: Luciano Benetton)

 

SAIBA MAIS

Esses conceitos apareciam em “Oru”, primeiro single lançado. Explorando sua verve experimental, eles mergulham em um ritmo acelerado e percussivo que remete ao candomblé, temperado com tons de jazz. “Até o nome, Oru, vem de ogum Oru, um monstro das crenças no Sudeste da Nigéria que atormenta o homem através dos sonhos. O grito, no meio da música, é como se estivesse acordando de um pesadelo”, conta Samuel.

Já em “Blue Cat And The Eternal Bat”, as referências primitivas fazem uma conexão com o povo Apapocuva-Guarani, situado no leste do Paraguai e no norte do Brasil. Para eles, os eclipses são causados pelo Morcego Eterno ou Jaguar Celestial, que consomem o Sol e a Lua. A letra reflete essa visão apocalíptica, em que a humanidade caminha para a sua destruição. 

Outro destaque do trabalho, “Nekomata” é a canção que dá nome ao disco. O conceito vem de um conto popular no folclore japonês, onde nekomatas são criaturas mitológicas nas quais gatos se transformam após serem maltratados por muitos anos. A dualidade presente na simbologia da cauda dos felinos dividida em dois mostra uma sintonia com o próprio Muñoz, formado por duas partes distintas da mesma origem – os irmãos Mauro e Samuel.

Muñoz Nekomata(Crédito: Luciano Benetton)

Não por acaso, durante toda a feitura do disco, eles estiveram cercados por gatos ao longo da gravação e produção. “Achamos que a história e significado têm tudo a ver com o processo de produção do álbum e com a nova fase da banda, seguindo essa pegada ‘ritualística’. E essa música é a que mais representa tudo isso”, analisa o duo.

Com “Nekomata”, o Muñoz dá um novo passo em sua discografia mirando o futuro, mas sem perder a conexão com suas raízes ancestrais. O trabalho teve produção de Julio Miotto, com mixagem e masterização de Max Matta, no estúdio LAB Sound, em Piracicaba (SP). Com tudo isso, a banda já está em turnê com o novo trabalho.

 

Textos de Daniel Pandeló – Edição de Matheus Luzi

 

 

 

 

 

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