19 de outubro de 2026

O Choro e a Viola de Cacai Nunes (Entrevista)

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Para valorizar o lado eclético da Arte Brasileira, também trabalhamos muito com a música caipira, e mais em especial ainda, com a viola caipira, instrumento típico brasileiro que se destaca entro outros tantos instrumentos. Cacai Nunes é aquele tipo de violeiro que não se prende a música caipira, partindo também para o lado do choro. Nessa entrevista com Cacai, nós conversamos sobre variados assuntos. Veja:

 

Como surgiu a ideia de criar o álbum com o grupo Chora Viola? E o que esse grupo influenciou no resultado final do disco?

Eu venho ao longo do tempo, transformando meu repertório para  viola que passa também pelo choro, porque o choro é uma música muito complexa, e muito completa. Ela permite uma variação rítmica muito grande, de harmonia e melodia. Então, é um baita desafio fazer esse tipo de música na viola, que é um instrumento que tem sua tradição voltada para a música caipira, porque eu uso a afinação caipira, eu uso o instrumento com essas características. E nesse tempo que eu fui construindo esse repertório com o Chora Viola, eu pude ter amigos importantes nesse processo, músicos que são muito competentes nesse meio do choro, porque você precisa ter uma vivência muito boa pra tocar choro e pra poder conviver nesse universo do choro. Então, eu tenho esses amigos que são o Dudu Sete Cordas no violão sete cordas, o Léo Benon no cavaquinho, o George Lacerda que toca percussão. Então, eles foram fundamentais para eu formar um repertório para o disco, pra eu poder ter autonomia pra tocar os choros, pra me encorajarem a gravar o Cd.

 

No disco, você gravou de Paulinho da Viola até Dominguinhos. Qual foi o maior desafio?

Do Paulinho da Viola, a música que gravei é “Sarau para Radamés”, que é uma música muito conhecida pelos chorões, já foi muito bem gravada. E a do Dominguinhos é “Chorinho pro Miudinho”, que também é muito conhecido entre os experts em choro. Aliás, eu preciso dizer que eu não sou um expert em choro, não sou um chorão de berço, porque é muito importante você ser criado nesse universo, porque você cria uma autonomia musical muito boa, muito importante. O desenvolvimento é fantástico, mas eu não sou um chorão por excelência. Me aventuro em tocar choro pra ter um desenvolvimento maior como instrumentista. Eu acho que o grande desafio de tocar essas músicas no meu instrumento é poder descobrir o instrumento e seu potencial e procurar caminhos para que o instrumento possa aparecer na música, para o instrumento poder ter a sua amostragem com sutileza, porque a viola é um instrumento muito sútil, que tem harmônicos muito importante. Então, a gente tem que saber dar a interpretação que a música merece com uma característica de viola, porque você não pode perder essa essência do instrumento.

 

A viola é um instrumento geralmente usado nas músicas caipiras. Como você fez para transmitir outros ritmos com a viola? Houve algo que te ajudou?

Bom, pra tocar esse tipo de música na viola, eu tive que me enturmar com músicos principalmente do choro, do forró, e acho que Brasília também tem isso, porque é uma cidade que traz gente de todos os lugares, e aí, você acaba também ficando muito curioso em conhecer o que é feito no Brasil e, desse conhecimento, desse aprendizado do que é feito em outras regiões, a gente acaba criando uma música nova, então, acho que isso é uma grande característica aqui em Brasília.

 

No CD, você apresenta somente músicas instrumentais. Você acredita que o sentimento é mais importante que a técnica, o contrário ou os dois são importantes?

Eu acho que sentimento e técnica tem que andar junto. Você ter muito sentimento, mas não conseguir colocar aquele sentimento porque falta técnica, então, você não consegue expressar aquilo da melhor forma. A mesma coisa é você ter muita técnica e faltar sentimento. É você ter um baita de um matemática ali de música (eu falo matemática, porque a matemática está muito dentro da música). Então, não basta apenas a pessoa ser boa em ritmo, ser uma metralhadora e não ter sentimento. Então, as duas coisas precisam andar sempre juntas.

 

Quem produziu o disco? E como foi o processo de produção e escolha do repertório?

O disco foi produzido aqui na minha casa mesmo, foi uma produção conjunta minha, com o Dudu Sete Cordas e Léo Benon , eles que me ajudaram nessa produção do disco, pra ver como soariam bem as músicas. Eu tive uma autonomia em escolher o repertório, porque eu tenho que ver o que casa bem pra mim como instrumentista, o que é possível pra mim como instrumentista. Então, algumas coisas eu já tocava antes de pensar em gravar o disco.

 

 

 

 

 

 

 

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