20 de outubro de 2026

Sob o refrão “Preto é luto todo dia”, Rashid e Dada lançam o clipe “Todo Dia”

Rashid todo dia

(Crédito: Gabriel Ranzani)

 

Com esta e outras indagações, Rashid convida Dada Yute para dividir o canto em “Todo Dia”, um reggae autêntico que mostra outra faceta do rapper e a influência direta da música jamaicana em seu estilo. Ao lado de Dada, uma das vozes mais importantes do gênero no país, Rashid recupera a mensagem de liberdade e justiça professada pela cultura Rastafari, endossando a máxima de que Vidas Negras Importam.

“Todo Dia”, presente na primeira temporada do sétimo trabalho solo de Rashid, Tão Real, é uma canção para hastear as bandeiras da cultura negra, das raízes musicais à estética, mas sobretudo do constante binômio: luto e luta. A fragilidade do corpo negro e a violência do estado, ainda que temas difíceis, ganham outras nuances na composição do rapper e Dada, e na produção musical assinada por Skeeter, que propõe um paralelo entre o resgate das tradições jamaicanas e a modernidade das batidas de rua atuais.

Na dinâmica refrão-verso-refrão, o rap e o reggae se esbarram demonstrando entrosamento e semelhanças, como a afinidade com a cultura de soundsystems e seletores, essencial para  o surgimento do Hip-Hop.

 

O CLIPE

rashid todo dia

(foto: Caio Lazaneo)

No videoclipe, a união dos estilos é descrita como legítima e natural por Ras Sérgio Tafari, profundo conhecedor e lendária figura de resistência Rastafari no Brasil. Já nas cenas iniciais, ele declara que os gêneros se conectam através de elos universais, como a rítmica ancestral dos tambores afro, base e origem da música negra contemporânea em toda sua diversidade.

Ainda que surgidos em locais e tempos distintos, como membros de uma mesma família, o rap e o reggae compartilham traços de genética própria, neste caso, marcada pelo instinto e pulsão de coragem no enfrentamento à Babilônia.

 

CONTRA O RACISMO

A faixa dá origem à campanha#LutoTodoDia, que vai buscar reunir histórias reais dos que  fizeram do “luto” um verbo. No clipe, cenas das manifestações do grupo Mães de Maio ilustram a batalha coletiva daquelas que choram os filhos mortos exterminados pelo racismo mas que não se deixam vencer. A campanha poderá ser acompanhada nas redes sociais do rapper.

As vozes da quebrada, ainda que em dor, não se calam. Em uníssono, erguem uma força capaz de edificar o presente e transformar o futuro, aproximando povos e línguas, tal qual a música, universal em seus sotaques, do Brasil à Jamaica, a cantar as mesmas lutas. 

 

SOBRE O MOVIMENTO MÃES DE MAIOrashid todo dia

Em maio de 2006, a polícia de São Paulo assassinou mais de 450 pessoas em um período de dez dias, no maior massacre perpetrado pelo Estado na história contemporânea do Brasil. Este massacre aleatório de civis aconteceu como revide aos ataques do PCC a policiais e agentes do Estado.

Mais de dez anos se passaram, mas os Crimes de Maio seguem sem qualquer responsabilização. Em 21 anos, a polícia militar matou mais de 12 mil pessoas em São Paulo. Somente em 2006, ano em que São Paulo enfrentou sua maior crise na segurança pública, 6.963 pessoas foram mortas por policiais militares no Estado.

Saiba mais, com esta bela reportagem da Brasil de fato

 

AGRADECIMENTOS

Movimento Mães de Maio, SoundSystem 3 em 1 Gueto Sounds, Lucas Bispo, Murilo Dias, Mariângela Carvalho, Renan Felipe dos Santos, Bruno Carvalho, Vinicius Araújo, Milton Junior, André Luis Oliveira dos Santos, Thiago Mendonça, Memória Viva, Cordão da Mentira, Nena e família. 

 

 

 

 

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