18 de agosto de 2026

[RESENHA] Essa noite eu conversei com o rapper Cold

 

Chegar no mundo e deixar a marca é com ele, Cleber Souza Nascimento Jr, fazendo participações em vários sons de outros mc’s, e com um flow de outro mundo nas batalhas. Cold demonstrou obter e estar obtendo maturidade ao passar dos anos, questão de respeito e humildade. Claro, humanidade não pode faltar, não é à toa que as letras escritas por ele torna um clima mais divertido em algo bem reflexivo. É só deixar de ouvir para ativar o modo “escutar”

A história do cold além de ser emocionante, mostra também que o rap abre mentes, faz um menino amadurecer mais rápido por acabar convivendo com outras pessoas com histórias mais pesadas e reais em só uma multidão. A batalha da BAC será sempre fundamental para entender o monstro que eles criaram. E não foi criado em um laboratório, e sim, na rua. 

O meu objetivo é mostrar os talentos que não valorizamos, Cold já deveria estar no topo por conta do talento, e é um baita talento. O garoto consegue versar a verdade mesmo no improviso, e quando escrito para ser cantado em um estúdio, fica bem mais inflamável. 

Teve algumas participações onde ele se destacou bastante, pondo enfim um título sobre sua cabeça ”De outro mundo”, o que mais me surpreende é a pouca idade e a forma que já se expressa. Com facilidade. 

 

”Eu vou falar que lean na mochila pra quê? Se o feijão passou de 10 conto e lá em casa tá foda”, parte do Cold na música (Zw – “H²Ódio” – feat.Cold ‘Prod.Aquahertz).

”Demônios quase me calam, por isso que eu grito. Ainda só, abraça o que te mantém, cê faz do seu coração refém. Mais um pecador julga pecadores” Parte do Cold na música (“AlefDonk” – Motivos ft Cold).

”Me criticar vai ser só uma fase, eu nem canto trap, mas peguei a base, invejosos criticam minha arte, fala que me odeia e pulou pra minha parte”, Parte do Cold na música (Doug Lee, DiogoX, Cold – “Lean no Jeans” – ‘Prod Khriss77’).

 

Cold deveria ser escutado por várias vezes nas batalhas, nos carros, nos rolês, o garoto tem um futuro no rap. Tratando pacientes com a doença ”alienação” e trazendo ar de inteligência. Um novo ar. Respirando poesia desde moleque, porque viver já é, de certo modo, uma arte e bem pesada. 

Chegou como se não quisesse nada na primeira batalha, se destacando e fixando olhos para ele mesmo, e isso de certo modo é bom, pois, a maior motivação é quando tem pessoas dizendo que nunca dará certo. O garoto que é conhecido em batalhas culturais de Salvador e já sendo indicados para outros jovens ouvirem. ”Ouve esse som aqui, é brabo”, trazendo também um reconhecimento em alguns bairros. Tem pessoas na suburbana que também o conhece. 

É um orgulho tê-lo em Salvador, mais um artista nordestino que terá um destaque lá fora um dia, questão de tempo, questão de insistência, questão de sapiência e paciência. Mestre de cerimônia (MC) nunca deve ser agitado, desesperado, e sim, calmo como um monge e um doutor, para tratar as feridas da alma do ouvinte. 

Cold usa referências e também faz com que as pessoas se identifique com o que ele fala, não precisa de meia hora ou dez minutos para ser objetivo, ele simplesmente é. E a galera dos bairros deveriam abraçar os artistas daqui, dar apoio e assistência, porque hoje todos estão desconhecidos, ou dados com esse título, mas no amanhã a história pode ser outra. O rap faz pesar a mente de qualquer um, seja quem produz, ou quem ouve, é muito mais que um estilo musical ou gosto, é muito mais do que imaginamos ser. 

Eu conheci o Cold na batalha do Marechal, antes eu o via no colégio, só que nunca soube que ele batalhava e que era bom. A gente se surpreende após julgar alguém, sem saber da realidade passada em seu peito. Alguns mc’s colocam sua alma no que faz e se destacam por isso, Cold é um deles. 

 

 

Podcast Investiga: Quem foi o poeta Roberto Piva (com Jhonata Lucena)

O 10º episódio do Investiga se debruça sobre vida e obra de Roberto Piva, poeta experimental que viveu intensamente a.

LEIA MAIS

Rock Popular Brasileiro, Edson Souza?

Baião com rock foi uma investida polêmica de Raul Seixas, entre outras misturas. Apesar disso, o cantor e compositor baiano.

LEIA MAIS

Comentários sobre “Saneamento Básico, O Filme”

Dialogo do filme: Figurante #1 -Olha quem vem lá!! Figurante #2 – Quem? Figurante #1 – É A Silene! Figurante.

LEIA MAIS

Medicina amazônica é a oração de SHAMURI, artista folk do Reino Unido

EXCLUSIVO: Artigo escrito por Shamuri em julho de 2025 sob encomenda para a ARTE BRASILEIRA

LEIA MAIS

Como nasce uma produção musical? O caso de “Lord Have Mercy” diz que vai além

O cantor e compositor norte-americano Michael On Fire tem em “Lord Have Mercy” um de seus hinos mais potentes. Michael.

LEIA MAIS

Fábio Di Ojuara: umas tantas facetas de uma obra multiforme

Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. – E acheia-a amarga. E injuriei-a.Armei-me contra a justiça.Fugi. Ó feiticeiras, ó.

LEIA MAIS

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não.

LEIA MAIS

A Arte Não Precisa de Justificativa – Ep.1 do podcast “Mosaico Cristológico”

Neste episódio falamos sobre a obra de Hans. R. Rookmaaker – A Arte Não Precisa de Justificativa – e a.

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS