16 de junho de 2026

Zé Eduardo uni seu lado intérprete com o de compositor no disco dançante MÚSICA PARA BALANÇAR [ENTREVISTA]

 

Foi com a já experiência na noite paulistana há mais de 20 anos, que Zé Eduardo resolveu unir seus dois lados, o de intérprete e de compositor, ao também mesclar alguns ritmos típicos de São Paulo como o blues (ao jeito mais brasileiro possível) e a MPB. 

— Como sempre fiz muitos bailes com clássicos da MPB dançante, sempre com o intuito de por a galera pra dançar e cantar, quis também colocar isso no trabalho, muito suingue, balanço e energia —, diz o músico que afirma ter adicionado a essa mistura, uma pitada do amor ao blues, gênero que lhe abriu portas no início da carreira. — Ouvi muito Eric Clapton e B. B. King. Muitos não sabem, mas quando subi a primeira vez pra tocar profissionalmente foi tocando gaita em uma banda de blues —, conta Zé.

MÚSICA PARA BALANÇAR, conta com faixas autorais (com parceiros), e também de releituras, como Roberto Carlos e Raul Seixas.

 

Abaixo, você verá na íntegra uma entrevista que fizemos com Zé Eduardo.

 

 

No álbum várias composições próprias, e em parceria com outros músicos. Como funcionou o processo criativo?

O processo foi bem bacana, tudo começa a partir da ideia de que depois de 20 anos cantando nas noites paulistanas como intérprete, resolvo botar a cara a tapa e finalmente gravar o meu disco.  Junto todos os meus rabiscos e começo a mostrar para alguns amigos, amigos esses que muitos deles acabaram virando meus parceiros tais como: Rafa Moraes que além de parceiro em algumas canções produziu o disco com uma imensa categoria, além dele vem também o Claudio Pinto, Thiago Vasconcelos ambos de Maceió e um grande amigo e poeta do bairro onde nasci em São Paulo na região de Pinheiros chamado Ricardo W, Tavares e Guilherme Pereira. E depois de alguns encontros as canções foram nascendo. Além das minhas canções fui pedindo música pra alguns compositores que gostava e foi chegando muita coisa boa! Confesso que deixei algumas de fora com dor no coração.

 

Ao mesmo tempo, também há algumas releituras, como no caso de uma música do Roberto e Erasmo Carlos. Conte-nos como foi fazer essas escolhas de repertório.

As releituras foram escolhidas a dedo, como sempre fui intérprete pensei que seria bacana ter algumas canções já gravadas e logo procurei Rodrigo Campos, um compositor que tenho muita admiração e lhe pedi uma canção do disco São Matheus e ele me cedeu SEM ESTRELAS. Já a canção VOCÊ E EU de Max de Castro, entrei em contato com ele e pedi pra gravar essa música que faz parte do disco SAMBA RARO dele. Disco que por sinal eu ouvi e muito, e ele também gentilmente deixou eu gravar e disse “A MÚSICA É DO MUNDO é claro que pode gravar”. E a última releitura foi a do Rei Roberto Carlos e Erasmo Carlos, compositores aos qual cresci ouvindo na vitrola de casa através de minha mãe. E a canção DE TANTO AMOR encerra o disco, pois pedi autorização e quando já havíamos terminado o disco, chegou a notícia de que poderíamos gravar e daí voltamos correndo pro estúdio e assim nasce o disco.

 

Ainda nessa pergunta, que mudanças vocês fizeram nessas releituras?

A ideia foi a de desconstruir as canções e grava-las de uma maneira que pudesse surpreender os autores e principalmente o público. Se vocês ouvirem as originais verão uma total diferença!

 

Parece que as gravações foram bem agitadas, com vários músicos juntos, o que levou três anos. Comente.

As gravações duraram cerca de 3 anos e com muita calma eu e Rafa pegávamos as canções e fazia uma pré produção e pensávamos em músicos que teriam haver com a levada das canções. E por conta disso esse disco tem 12 faixas conta com 36 músicos incríveis e que foram escolhidos de maneira muito especial! Só para citar alguns esse álbum conta com Tuto Ferraz, Curumin, Xuxa Levy, Rodrigo campos, Thiago França, Bocato, Luiz Carlini entre tantos outros músicos que fazem parte desse novo cenário e que batem um bolão.

 

E a produção do disco, como foi?

Como lhe disse antes, foi produzido com muita calma e pensando de uma maneira que ele pudesse ficar bem dançante e agradar há todos que forem ouvir! Pois ao mesmo tempo que eu o defino como meio fino e bem tocado com arranjos bem pensados, eu também acho que ele tem uma coisa mais popular, podendo assim agradar todos os gostos.

 

O que é o álbum poeticamente?

Praticamente o disco fala de cotidiano e de amor, de um modo ao qual eu enxergo o mundo, sem muitas delongas de maneira simples e direta. Como lhe disse o disco tem pra todos os gostos e é fácil de compreender.

 

E musicalmente?

Musicalmente eu acredito que é um álbum que tem bastante cuidado na hora de escolha das pessoas que gravaram cada faixa, de modo que se você prestar atenção, cada faixa tem um tempero ou um sotaque diferente o que deixou o disco bem interessante e cheio de sabores e timbres que fogem do tradicional, passeando pelo samba e indo até um blues. Tem faixas com poucos instrumentos e tem faixas já bem cheias …Enfim, acho que vale a pena ouvir e conferir o disco do começo ao fim!

 

Tem alguma história ou curiosidade que envolva o álbum?

Na primeira gravação do disco que foi pra gravar CAPIM SANTO que é uma faixa bem dançante pensamos logo em chamar o baterista Tuto Ferraz e Serginho Carvalho pra fazer o baixo. Marcamos as 15 horas no estúdio do Tuto e fiquei de falar depois com Serginho para ver sua disponibilidade. Estava almoçando em um restaurante em Pinheiros esperando dar a hora pra dar início as gravações de bateria quando de repente em minha frente surge o Serginho de bicicleta e eu conto a ele que estou indo no estúdio gravar a primeira batera do meu disco e que nessa faixa eu e Rafa tínhamos pensado dele fazer o baixo. Pra minha surpresa ele topa ir pro estúdio pra gravar naquela hora. Chegando lá no estúdio do nada cai um temporal e a luz se acaba. Por mais de 2 horas ficamos esperando, batendo um papo e tomando uns drinks, quando já estávamos quase desistindo a luz volta e o resultado você pode conferir, pois com muita alegria e tesão os caras gravam ao vivo bateria, baixo e guitarra, fazendo assim a faixa mais dançante do disco e  abrindo os trabalhos do disco com muita energia boa!

 

Fique a vontade para falar o que quiser, principalmente coisas que não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Só queria realmente dizer que é um disco que foi feito com muito carinho e que cantei de coração . O show está bem bacana e dançante, além das 12 faixas fazemos umas releituras de canções que me acompanham ao longo desses 20 anos como intérprete, tem Tim Maia, Ray Charles, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Raul Seixas. A banda conta com Bateria, baixo, teclado. Sax, trompete, trombone eu e Rafa Moraes que toca guitarra, violão, cavaco e violão dobro.

Também pelo segundo ano consecutivo fui indicado ao prêmio de melhor cantor e de melhor artista groove pelo Prémio profissionais da Música!

Fé na estrada e obrigado por fortalecer a música independente!

Grande abraço.

 

 

 

 

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