14 de agosto de 2026

Zélia Duncan escreve auto-resenha do seu novo álbum “Tudo É Um”, com onze faixas com parceiros autorais

(Capa do álbum)

 

Pra que um texto apresentando esse álbum maravilhoso, se a própria Zélia Duncan fala dele de um jeito tão lindo? Então, segue abaixo a auto-resenha da artista sobre “Tudo É Um”:

 

“Este álbum foi idealizado num momento muito agressivo das nossas vidas, que desembocou no ano de 2019. Por conta disso, agora que está pronto e estou aqui ouvindo, é no mínimo de se admirar, que o resultado seja tão suave e eu diria até gentil. Não me dei conta enquanto fazia, do quanto eu estava precisando dessa leveza em algum lugar do meu universo. E foi justamente aqui, claro, onde posso ser o que eu quiser. O álbum pop autoral antes deste, foi “Pelo Sabor do Gesto”, depois disso muita água rolou. DVD, Itamar Assumpção, “Totatiando”, álbum de samba, trabalho com Jaques Morelenbaum, cello e voz. Então apareceu uma vontade louca de olhar pro começo de tudo, onde eu e Christiaan [parceiro musical de Zélia neste trabalho] imprimimos nossa dupla, que trazia uma sonoridade que eu gostava de chamar de Pop Folk Brasileiro. Era só uma maneira de me livrar das milhares de entrevistas onde me perguntavam sempre a mesma coisa, mas hoje, me parece até simpática essa definição.

Meu amigo e parceiro, Christiaan Oyens, assina a produção deste trabalho. Abrir o disco com “Canção de Amigo” quer dizer muitas coisas. Antes de mais nada, a atmosfera folk, que deixo invadir o som que me identifica, pois foi como eu me tornei mais conhecida, a partir do álbum “Zélia Duncan”. A parceria com Christiaan e o assunto, que também passa por ele, por ser um desses amigos-amores eternos. A letra foi inspirada em três amigas que tenho em Brasília, dos tempos de colégio, que sempre dão um jeito de me ver, quando passo por lá.

“Só Pra Lembrar” estava na fila, louca pra ser gravada neste trabalho. A parceria com Dani Black, músico virtuoso, cantor livre e solto, me acrescenta e encanta. O violão desse meu parceiro já na introdução, dá a pista de como a faixa se construiria.  Fluida e certeira.

Quase invicta nas preferências das seletas audições antes do lançamento, “Me Faz Uma Surpresa”  é uma das duas parcerias com Zeca Baleiro. Nasceu assim, com minha voz colada na dele e não deu pra imaginar de outro jeito. O arranjo de metais de Christiaan Oyens foi a enorme cereja do bolo. Orgulho imenso da nossa parceria, que vai render muito mais.

Única faixa que não assino, “O Que Mereço” se jogou no meu colo, na véspera de começarem as gravações. Fui ingênua ao receber em casa a fina flor dos novos compositores de Pernambuco, trazidos pelo porta-voz dessa geração, Almério, cantor querido e comovente. Depois de já estar tonta com tantas belezas, foi Juliano Holanda que me tirou definitivamente do sério e me fez pedir “aquela”, pra ouvir de novo, sozinha. Na mesma madrugada ela chegou e na semana seguinte, foi gravada. Irresistível, esse folk/country, meio Dylan, com jeito simples e cheio de profundidades, já ganhou status de “single” e tudo.

Chico César é um artista muito abrangente e deixa sua marca por onde for. Nossa faixa dá nome ao disco, Tudo É Um”. Suas frases melódicas delatam seu sotaque e a guitarrada sugerida é de Rodrigo Suricato. Christiaan cismou com um instrumento antigo, que atende pelo nome de “Duduk” e descobrimos que um dos especialistas no Brasil é o músico carioca Zé Nogueira, que além de fazer um comovente solo, também nos informou que é um instrumento armênio. Não podia haver faixa mais apropriada para essa mistura toda. Paraíba, Niterói, Armênia, Belém, “tudo é um, tudo é resto de alguém”!

“Medusa”, a segunda parceria com Zeca, é uma mistura muito precisa de nós dois, uma faixa suingada, maliciosa e libertária, destaque para o eloquente baixo tocado por Kassin. Em tempos de pedra, espero bradar esse refrão com meu público por aí.

“Olhos Perfeitos” estava na manga há algum tempo. Muito típica da minha parceria com Christiaan, ela chega e me parece que comove rapidamente. Tem a lágrima, como brincamos nas internas. Eu pedi pro Christiaan um clima Tom Waits, com metais. Acho que ele foi muito feliz com sua caneta de arranjador, no melhor estilo New Orleans também.

Fred Martins é um compositor fino, faz canções bem estruturadas e assim imprime sua assinatura. “Sempre os Mesmos Erros”,embora não pareça, foi feita antes desse momento internet. Mas ficou tão atual, que eu nem precisaria dizer isso! Com participação de luxo, de Jaques Morelenbaun e bateria tocada com as mãos, sem baquetas, por Felipe Alves, soa cheia de personalidade e coisas a dizer.

Resolvi regravar “Breve Canção de Sonho”, parceria com Dimitri BR, porque ela nunca foi parte de um álbum. Gravei anteriormente para a novela “Cheias de Charme”, com um clima de violões e fiquei com vontade de encorpá-la aqui. Acho que conseguimos um resultado muito consistente nesse sentido. Ela é nossa vontade de ser um pouquinho Roberto Carlos!

A parceria com Moska não é de hoje. É muito especial na minha vida de autora. Lembro quando fiz essa letra e implorei que ele musicasse, porque eu “estava precisando muito dizer aquilo”! Ela ficou a cara do nosso amor de amigo, da nossa cumplicidade que atravessa a música e tem a ver com nossa vida. Ele tocou esse violão junto com a minha voz e depois fez esse vocal, que vai me emocionar pra sempre. As cordas de novo escritas por Christiaan, têm a ousadia de terem sido gravadas na Rússia, vejam que coisa! A faixa se chama “Feliz Caminhar”.

“Eu Vou Seguir” é toda minha e nasceu baixinha, sussurrada. Foi Christiaan, sempre ele, que a transformou em grandiloquente e homenageou “Hey Jude “com o inesperado coro final. Fecho os trabalhos dizendo: “eu vou seguir”!

Este álbum foi quase todo gravado ao vivo, ou seja, com todos nós tocando juntos, inclusive a voz, com exceção de metais e cordas. Minha voz reage aos instrumentos, que reagem a mim, porque “tudo é um”. Um mesmo desejo gigante de arrancar prazer dessa vida e encontrar mais, muito mais cúmplices por aí.”

 

 

 

 

 

 

 

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