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Do isolamento nasce o novo disco do guitarrista Tony Babalu

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Foto de Osmar Santos / Divulgação.

São quase cinco décadas das quais o guitarrista Tony Babalu se dedica à música. Durante toda essa longa trajetória, ele ainda não havia se deparado com uma criatura: o temido coronavírus.

Sua chegada ao mundo ainda no início de 2020, na China, mais tarde, passaria a contornar o conceito de “No Quarto de Som…”, disco que Tony entrega de corpo e alma (ambos já imunizados).

Nessa missão árdua de descrever seus sentimentos e o caos que circula pelo mundo, Tony compôs cinco canções, o que totaliza aproximadamente 15 minutos de muita música boa.

Nas gravações, o artista ficou responsável pelas guitarras, violões, e programação dos demais instrumentos. Já os companheiros Marcelo Carezzato e Beto Carezzato, do icônico Carbonos Studio, de São Paulo, se preocuparam em executar a mixagem a masterização.

“No Quarto de Som…” é um ótimo disco para fugir para um mundo paralelo, onde a liberdade seja verdadeiramente estável. Escute nos apps de streaming, via selo Amellis Records, com distribuição da Tratore.

Matheus Luzi – Você está completando quase meio século de carreira artística. Em vista de toda essa trajetória, como você avalia a sua arte atualmente em frente a uma pandemia? Porque o isolamento social e o caos foram tão importantes para você lançar esse disco?

Tony Babalu – O isolamento forçado levou as pessoas a uma reflexão profunda e individual sobre a finitude de tudo, o que é sempre um tema dolorido, solitário e difícil de enfrentar, e a arte em geral, com a música em particular, contribui positivamente com o relaxamento físico e o desprendimento emocional necessário para enfrentar esse novo cotidiano sem deixar que o lado obscuro predomine. Resumindo, é lembrar que a vida continua e que a pandemia uma hora irá terminar, como tudo termina um dia.

Matheus Luzi – As cinco faixas são totalmente instrumentais. Devido a essa ausência de letras, o público pode não compreender sua mensagem. Vamos tirar um proveito dessa entrevista para você comentar a respeito?

Tony Babalu – As palavras da música instrumental são seu ritmo, harmonia e melodia, e sua mensagem é expressa através da sensação física e emocional que a combinação dessas particularidades traz ao ouvinte, incorporando-se ao meio ambiente e interferindo em seu “estado de espírito”, por assim dizer.

Matheus Luzi – Musicalmente, o que “No Quarto de Som…” traz de diferente em relação aos seus lançamentos anteriores?

Tony Babalu – A diferença está basicamente na ausência de outros músicos, o que leva as execuções e os arranjos a um caminho mais cerebral e menos orgânico, com resultado final mais intimista.

“O isolamento forçado levou as pessoas a uma reflexão profunda e individual sobre a finitude de tudo, o que é sempre um tema dolorido, solitário e difícil de enfrentar, e a arte em geral, com a música em particular, contribui positivamente com o relaxamento físico e o desprendimento emocional necessário para enfrentar esse novo cotidiano sem deixar que o lado obscuro predomine”

Matheus Luzi – Deixo aqui um espaço para você falar sobre o papel de cada instrumento dentro do álbum.

Tony Babalu – Com exceção de “Reflexo”, quero destacar o protagonismo dos violões nesse trabalho, instrumento que proporcionou um tempero acústico na sonoridade. Teclados, bateria, baixo e percussão complementam a harmonia e o ritmo, e às guitarras cabem os solos de três das cinco faixas.

Matheus Luzi – Haveria, dentro da sua visão enquanto autor, alguma faixa que se sobressai?

Tony Babalu – Embora seja uma pergunta difícil de responder, se eu tivesse de escolher a “música de trabalho” destacaria “Lara”, em virtude de sua linha melódica ser de fácil assimilação e memorização.

Matheus Luzi – No âmbito geral, o que o público pode espera dos 15 minutos de som? E você seria capaz de dizer para qual público o álbum pode agradar mais?

Tony Babalu – Acho que as pessoas, independentemente de aspectos sociais, culturais ou ideológicos, devem esperar nesses minutos um alento para os dias difíceis que estamos vivendo, algo que a música instrumental oferece através de sua neutralidade e atemporalidade.

“O que a meu ver é importante observar é o fato de que os mesmos 15 minutos de gravação teriam custado uma pequena fortuna para serem produzidos até meados dos anos 2000, isso em um estúdio médio e considerando apenas o processo de captação, excluindo músicos e as demais etapas de produção. Em 2021 esses mesmos 15 minutos custaram apenas energia elétrica, graças ao avanço tecnológico que tornou o acesso aos equipamentos possível e, sobretudo, viável economicamente.”

 

Matheus Luzi – Dentre os processos de criação, gravação e produção, há alguma história e/ou curiosidade que se destaque?

Tony Babalu – O que a meu ver é importante observar é o fato de que os mesmos 15 minutos de gravação teriam custado uma pequena fortuna para serem produzidos até meados dos anos 2000, isso em um estúdio médio e considerando apenas o processo de captação, excluindo músicos e as demais etapas de produção. Em 2021 esses mesmos 15 minutos custaram apenas energia elétrica, graças ao avanço tecnológico que tornou o acesso aos equipamentos possível e, sobretudo, viável economicamente.

Matheus Luzi – Para essa resposta, te dou carta branca. Diga o que quiser!

Tony Babalu – Quero agradecer a generosidade do espaço cedido para divulgação de um trabalho autoral instrumental, algo cada vez mais raro em tempos de excesso de oferta de conteúdo artístico em diferentes formatos e plataformas. Música instrumental não se apoia em pessoas, imagens, atitudes ou posicionamentos comportamentais, o que a transforma em um produto de difícil comercialização, com a consequente falta de interesse do mercado fonográfico em divulgá-la. Obrigado por abrir portas, Matheus, e sucesso para a Revista Arte Brasileira!!

Capa do lançamento.

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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