12 de outubro de 2026

A Escrevivência de Alessandra Crispin no álbum “O Peso da Pele”

Contra preconceitos, estigmas e tentativas de silenciamento e ocultamento, a voz da mulher preta, lésbica e umbandista ecoa forte em “O Peso da Pele”, da cantora e compositora mineira Alessandra Crispin. São 12 faixas onde afeto, resistência e religiosidade são expressos em prol da experiência coletiva, característica presente no termo criado pela escritora Conceição Evaristo: Escrevivência. Esta é a escrita que acontece com a dualidade de mostrar a narrativa na realidade vivenciada por cada um e por si mesmo, em primeira pessoa. “O Peso da Pele” é um convite  a mergulhar em águas profundas onde o racismo demarca a invisibilidade da população negra brasileira.

A história do Brasil é marcada pela opressão e exploração do povo negro, que foi e ainda é tratado como mercadoria e inferior. Por outro lado, a cultura africana moldou o país, permeando diversos aspectos como o samba, o ijexá, o funk, o congado, a capoeira, a religiosidade e a culinária, apesar de lidar com muito preconceito de uma sociedade que não se olha no espelho. Lidar com o racismo e com a tragédia do assassinato de Marielle Franco levaram à reflexões que inspiraram o álbum.

“Infelizmente conheci a Marielle com a tragédia e o choque de tamanha violência me impactou muito. Eu tinha sofrido injúria racial e comecei a refletir toda a história dos casos que passei e toda a violência que a população negra passa. Foi a partir desse fato e destas reflexões que comecei a desenvolver ‘O Peso da Pele’. O nome do disco já deixa claro o alvo que carregamos nas costas, o que carregamos”

Alessandra Crispin

Alessandra Crispin desenvolve o projeto deste álbum desde 2018, como uma mistura de todas essas influências e como um salto além do proposto em seu primeiro álbum, “Meu nome é Crispin” (2016). O novo trabalho foi realizado pela artista com co-direção de João Paulo Lanini com apoio da Lei Federal Aldir Blanc, gerida pela Secult/MG.

“Precisamos retomar nosso lugar de realeza, o valor que temos com nossa história e nossos ancestrais. Buscamos esse olhar de festa e guerreiras, inspirado na Beyoncé, Janelle Monaé, Luedji Luna, Liniker e no visual da Tina Turner em ‘Mad Max – Além da Cúpula do Trovão’”, conta a artista

Alessandra Crispin sobre as escolhas visuais do projeto.

Faixa a faixa

Visto como um projeto de empoderamento pessoal e para que todas as mulheres pretas se reconheçam como deusas poderosas, “O Peso da Pele” é um projeto com muitas musas que deram sentimento às criações de Alessandra. É o caso de “Laranjeira”, feita para sua mãe Alaíde durante o período de isolamento da pandemia; “Leve”, dedicada à sua namorada Tainara; e “Guerreira Oyá”, música feita para Iansã, sua Orixá de Cabeça, em parceria com Clarissa Reoli. 

Ao reconhecer as desigualdades sociais, “Mulher Incomum” traz o diálogo sobre transformar a dor da opressão em força para reivindicar respeito e espalhar o bem para os que sofrem. “Filho de Oxossi” é o mistério das raízes sagradas, o abraço da natureza e das entidades que nela estão; proteção e força nas batalhas. A resistência política da existência do corpo negro se apresenta em várias formas nas canções “Malandro, Pilantra”, “Presente” (composição que inspirou o projeto), “Posição de Risco” e “Pretas Vidas”. O fim da viagem é um convite a se permitir ao afeto, a brisa do toque, da relação entre os seres.

Uma convocação à luta sem esquecer da ternura, “O Peso da Pele” é um álbum manifesto antirracista sem deixar de ser pop. O álbum está disponível em todas as plataformas de música.

Algumas faixas estão disponíveis em três de nossas playlists

Ficha técnica

Direção musical: Alessandra Crispin e João Paulo Lanini

Produção musical: Alessandra Crispin, Dj Black Josie e João Paulo Lanini

Arranjos digitais: Dj Black Josie

Violão e guitarra: João Paulo Lanini

Violão, cavaco, banjo, percussão, voz e vocal: Alessandra Crispin

Percussão geral: Almin Bah e Mari Assis

Participações:

Clarissa Reoli: letra em “Guerreira Oyá” e “Malandra, Pilantra”

Jô Brandaum: letra e voz em “Mulher Incomum”

Márcio Guelber: sanfona em “Guerreira Oyá”

Tainara Campos: texto em “Maria Bonita” e “Presente”

Captação de áudio: Renato Dias (Estúdio Sensorial)

Mixagem e masterização: Maurício Ávila (Estúdio Sonidus)

Distribuição: Sensorial Centro de Cultura

Projeto realizado com recursos da Lei Federal 14017/20 (Lei Aldir Blanc) gerida pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Foto: Equipe Difference (Janaína Oliveira, Francisco Silva e Marcella Calixto)

Capa: Raul Gonçalves

Arte do lançamento

Guer midia

Raul Gonçalves

Siga Alessandra Crispin:

Capa da publicação: Capa do álbum “O Peso da Pele” | Crédito: Raul Gonçalves

Texto de Daniel Pandeló (assessoria de imprensa)

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