5 de setembro de 2026

Jorge Ventura faz poesia sobre o homem dos grandes centros urbanos no livro “Outras Urbanas”

O escritor Jorge Ventura lança o livro “Outras Urbanas”, onde, no auge de sua maturidade poética, trata da relação do homem consigo mesmo e com a sociedade que o cerca nas grandes cidades, com poesias que jogam luz no que há de mais prazeroso, alucinante e, ao mesmo tempo, de mais caótico e decadente nos centros urbanos.

A característica primordial desta obra está na junção do signo verbal ao icônico (desenhos, fotos, imagens, alternância do preto e branco no fundo da página e/ou na mancha do texto), num belo projeto editorial da Ventura Editora, com execução/montagem do designer Gustavo Gama, e desenhos de  Val Mello, fazendo o leitor transitar entre o poético e a realidade.

CONVITE À REFLEXÃO por César Manzolillo
“Quando as estrelas começarem a cair, me diz, me diz pra onde é que a gente vai fugir?” – Renato Russo

Penso que qualquer manifestação artística deve ser realizada da forma mais livre possível, sem amarras ou regras rígidas. Apesar disso, no que diz respeito à coletâneas literárias (reunião de contos ou de poemas, por exemplo), julgo que a proposta se torna mais satisfatória quando o autor, mais do que uma junção pura e simples (muitas vezes aleatória) de textos, decide pôr sua capacidade criativa a serviço de um projeto. Em outras palavras, os textos que compõem a publicação dialogam entre si, formando um conjunto coeso e harmônico.

Essa é claramente a opção de Jorge Ventura, que agora nos traz este belo Outras Urbanas. Aqui, os poemas apresentam temática urbana, e as máculas da cidade recebem um olhar poético. Ventura é autor de múltiplos recursos, dono de uma sólida obra poética, enriquecida agora com este título que você tem nas mãos. (…)

(…) Com este livro, Jorge Ventura oferece ao leitor, além do deleite estético, a possibilidade de reflexão, algo fundamental na vida de qualquer ser humano. Assim, sugiro que você avance logo algumas páginas e comece a leitura, deixando-se impregnar pelo talento impermisto contido neste necessário Outras urbanas.

OUTRAS URBANAS /OUTRAS VISÕES  por Adriano Espíndola
Quando Baudelaire cruza com uma majestosa mulher, em uma rua agitada de Paris, certo de que nunca mais tornará a vê-la, ou quando avista uma esplêndida carniça em uma esquina ou, ainda, quando nos fala da perda da sua aura de poeta sublime no lamaçal da rua, está, com essas peças, sugerindo um novo espaço do acontecimento poético: o espaço da grande cidade. Diferentemente do locus romântico, que instava o poeta a refugiar-se na natureza e a cantá-la, certo de que ali poderia fundir e aplacar a sua subjetividade atormentada, o seu Eu nostálgico em busca do absoluto, o autor de As flores do mal (1857) vai surpreender na cidade uma nova e insuspeitada beleza, “metade transitória, metade eterna”. A beleza da própria modernidade. (…)

Jorge Ventura é um desses poetas que faz avançar, já no século 21, essa incontornável linha temática da poesia moderna, como podemos atestar neste seu novo livro, Outras urbanas. O próprio título parece-nos sugerir a consciência dessa retomada, como se dissesse que agora surgem “outras (poesias) urbanas”, a partir da significação verbal-poética associada à representação gráfico-visual, perfazendo, ao longo do volume, uma “via de mão dupla”. (…)

Mas aqui o desafio maior está mesmo em expressar poeticamente a dura realidade humana e social da cidade – da cidade do Rio de Janeiro, onde nasceu e vive o poeta – , com seus problemas, medos, violências, injustiças e ameaças que cercam o dia a dia dos habitantes da outrora “cidade maravilhosa”. E isso o autor o faz de forma precisa, ao denunciar o processo de desumanização dos espaços e de seus viventes, nas quatro partes do livro (“Gente”, “Bichos”, “Ruas” e “Caos”), mas também, aqui e ali, pontuando-o com a voz lírico-existencial (“sou criança/no azul pátrio/das manhãs/marginais”) e amorosa (“a musa, a música, o bom vinho/à noite, todo sonho é bem-vindo” (…)

Considerando a unidade temática voltada para a cidade e o ousado projeto gráfico-visual, podemos afirmar que, com Outras urbanas, Jorge Ventura logra realizar, na contemporaneidade, um dos mais criativos e instigantes livros de poesia, dando continuidade à estética dissonante dos poetas modernos, inaugurada por Charles Baudelaire. 

Sobre Jorge Ventura
Jorge Ventura é escritor, roteirista, editor, ator, jornalista e publicitário. Tem pós-graduação em Marketing e Didática do Ensino Superior. Possui 10 livros publicados e participação em dezenas de coletâneas e antologias nacionais e estrangeiras. É presidente da APPERJ (Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro), vice-presidente da ABLAP (Academia Brasileira de Letras e Artes pela Paz), titular do Pen Clube do Brasil, membro diretor da UBE – RJ (União Brasileira de Escritores) e um dos integrantes do grupo Poesia Simplesmente. Recebeu diversos prêmios, em nível nacional e internacional, como autor e intérprete. Tem poemas vertidos para o inglês, francês, espanhol, italiano e grego. É sócio proprietário da Ventura Editora e Editora Iniciatta.

Instagram: @jorgeventura4758

Texto de Paula Ramagem/Arte Cult (assessoria de imprensa)

CONTO: Fixação Autêntica e Gêmeas Idênticas (Gil Silva Freires)

Antônio Pedro estava casado havia mais de um ano e ainda não tinha aprendido a distinguir sua esposa da irmã.

LEIA MAIS

O Ventania e suas ventanias – A irreverência do hippie

(Todas as imagens são reproduções de arquivos da internet) A ventania derruba árvores, derruba telhas, derruba vidas. Mas a verdade.

LEIA MAIS

“Fiz da arte um motivo para viver” – por Pedro Antônio

Quadro “Cinco Girassóis” de Pedro Antônio   Meu nome é Pedro Antônio, tenho 23 anos, e hoje eu posso afirmar que.

LEIA MAIS

Comentários sobre “Saneamento Básico, O Filme”

Dialogo do filme: Figurante #1 -Olha quem vem lá!! Figurante #2 – Quem? Figurante #1 – É A Silene! Figurante.

LEIA MAIS

Gabriel Acaju: “ABAIXO O ESTADO CENTRAL DE SAGACIDADINHEIRO!”

Para compreender o segundo álbum de Gabriel Acaju é necessário um mergulho na história criada pelo artista, história essa que.

LEIA MAIS

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

Criador do estilo “punk-barroco” (o punk que se expressa através de contrastes), o compositor Rogério Skylab (1956 -) é um.

LEIA MAIS

Cuba, a Ilha da Utopia

Artigo escrito em maio de 2024 pelo maestro Kleber Mazziero sob encomenda para a Arte Brasileira Em fevereiro de 2023,.

LEIA MAIS

CONTO: O Genro Perfeito e o Estudante de Direito (Gil Silva Freires)

– Filha minha não casa com pé-de-chinelo! – bradava seo Germano, aos quatro ventos. Italianíssimo, não havia desfrutado da mesma.

LEIA MAIS

Pacífico Medeiros: ressignificando a fotografia

No fundo, a fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa.                                                              Roland Barthes Pacífico.

LEIA MAIS